Recentemente, a colunista do Estadão, Adriana Fernandes, publicou uma coluna comentando uma foto em que Lula aparece com os primeiros cinco indicados para ministérios de seu futuro governo. Na foto em questão, Lula aparece ao lado de algumas figuras que indicou para seus ministérios, além da atual presidenta do PT, Gleisi Hoffmann e do vice da chapa, Geraldo Alckmin.
A coluna critica a ausência de mulheres indicadas para grandes ministérios, afirma que Lula está apenas “cumprindo tabela” ao afirmar que cederá espaço para diversidade nas próximas indicações.
O governo Lula ainda nem começou, mas isso não impede de ser dada a largada da corrida por um quinhãozinho no novo governo. Todos querem garantir o seu antes que as vagas se acabem, e desse desespero saem as colocações mais hipócritas e oportunistas desse primeiro momento em que Lula procura definir as posições-chave do seu gabinete. A burguesia nada de braçada nesse mar de oportunismo, pois não tem nada mais prático para mascarar a sua tentativa de infiltração do que uma boa dose de identitarismo.
Vejamos a postura da colunista do Estadão. Ela já vai logo com toda a sede ao pote, dizendo que não basta haver mulheres no governo, mas sim que as mulheres tem que estar à frente do governo. Até parece que se Lula tivesse indicado a um cargo desses uma mulher de confiança, como a própria Gleisi, que foi inclusive citada na matéria com ares de injustiçada, e ele o fizesse, a colunista se daria por satisfeita. Ela esconde o fato de que não bastaria ser uma mulher, mas sim que teria que ser uma empregada do grande capital, como ela mesma.
Não é como se essa vontade indômita de lotear o governo tivesse se despertado agora magicamente. Desde a campanha eleitoral, tanto os oportunistas mortos de fome, quanto a burguesia que já planejava se apoiar nesses oportunistas, estavam preparando o terreno para a manobra que está em curso agora. A esquerda, principal foco desse oportunismo morto de fome, já ventilava a possibilidade de não apoiar Lula, e já fazia os tipos de acusação que está fazendo, como, por exemplo, a de que Lula vai fazer o governo do imperialismo. Agora, a bola da vez é a de que Lula está colocando no governo apenas aqueles que estão fechados com ele, deixando de fora as minorias, os negros, as mulheres etc.
A realidade é que, além de essas afirmações serem pura calúnia, o que Lula está fazendo não só é completamente normal, como está mais do que certo. O governo não só não tem a obrigação de dar cargos, ministérios, secretarias ou coisa que o valha para qualquer um por meio de assédios identitários, como tem a obrigação de não o fazer e deixar aqueles que estão usando esse tipo de esperteza para tentar coagi-lo, para fora do governo. Se Lula ceder a essa pressão, a tendência é iniciar-se todo um processo de colonização do governo pelos capitalistas, que tem mais bala na agulha para arrancar essas “concessões”, e assim, antes que possamos perceber , estamos com um governo do PT lotado de Simones Tebet, Marinas Silva e outras figuras da direita, pintadas como esquerdistas por fazerem parte deste ou aquele grupo social que a esquerda está procurando promover com objetivos puramente carreiristas.





