Os Estados Unidos da América vivem uma de suas piores crises na política internacional ao serem expulsos do Afeganistão, um país pobre, atrasado, agrário, com pouco potencial de armamento, mas que, pela sua mobilização popular, libertou o país da exploração imperialista.
Os americanos invadiram o Afeganistão em busca dos autores do atentado às torres do World Trade Center, em setembro de 2001, e, após 20 anos de exploração e violência contra todo o povo afegão. Nada de significativo deixou para a população, nenhum legado que levasse o país a trilhar o caminho do desenvolvimento, senão miséria e violência. A situação do Afeganistão mostra o quão nefasto é o imperialismo. O fracasso imperial intensifica também a crise do governo Joe Biden, que foi eleito como o democrático, uma esperança contra o fascismo do republicano Donald Trump, mas é na prática o senhor da guerra.
Segundo Rui Costa Pimenta, Presidente Nacional do PCO, em sua análise política tradicional de sábado, a questão do Afeganistão é o mais importante tema internacional do momento. Os críticos à vitória do Talibã falam em respeito “aos direitos das mulheres”. No entanto, o imperialismo é o pilar de apoio da exploração de todo o mundo, responsável inclusive pelo sofrimento das mulheres. A esquerda pequeno-burguesa, para não enfrentar esse problema, criou um mundo de fantasia, segundo o qual o Talibã não derrotou os Estados Unidos, que teriam feito um acordo etc. O que não é verdade. O Talibã foi criado pela CIA para derrotar a ocupação soviética, depois se voltou contra o imperialismo, não tendo hoje ligação alguma com a CIA, essa articuladora de golpes e sabotagens contra povos e nações.
Outros críticos do Talibã dizem que a esquerda deve apoiar a derrota dos EUA e não a vitória do Talibã. Mas não existe essa opção. Ou estamos do lado do Talibã ou do lado do imperialismo. As teses da esquerda pequeno-burguesa estão totalmente inverossímeis, absurdas. A derrota dos Estados Unidos foi muito importante para os povos oprimidos e aumenta a crise do governo imperialista de Biden. Disseram também que o Talibã não tem apoio popular, outra tese sem sentido, pois o Talibã tem sim apoio da população.
Em sua análise, Rui Costa Pimenta aborda uma matéria de uma das mais importantes revistas do imperialismo mundial, a revista The Economist. Com o título “A fuga da América do Afeganistão vai encorajar os jihadistas no mundo todo: mesmo que o Talibã faça pouco para ajudar outros combatentes, seu sucesso é uma inspiração”, a revista ri dos próprios partidários americanos que fazem as loucuras na política externa. Segundo a revista, todo mundo no país asiático correu para apertar a mão do líder do Talibã, inclusive o líder do Hamas, que vive sob as bombas do Estado de Israel, aliado do império. Para o Hamas, a vitória do Talibã é uma vitória do Hamas contra Israel. Segundo o Hamas, a vitória dos afegãos “é o prelúdio ao fim de todas as forças de ocupação. Acima de todas as quais está a ocupação israelense sobre a palestina” . O líder do Talibã retribuiu o líder do Hamas dizendo que é “a vitória e poder como resultado da vossa resistência”.
Enfim, a tomada de Cabul pelos afegãos deixou o grupo fundamentalista islâmico, menos radical do que o Talibã, feliz. Eles defendem a cultura nacional e entendem o significado simbólico e prático da vitória do Talibã. Se o Hamas também vencer a opressão dos israelenses a opressão das mulheres também diminuirá. A derrota do imperialismo é favorável à luta pela libertação da mulher. Os jihadistas espalhados no mundo todo podem vencer a opressão em vários locais no mundo, pondo a política imperial ainda mais em crise.
A fé renovada numa ação de massas, ao contrário do que pregam os pequeno-burgueses no Brasil, carregando armas ao modelo do Talibã, um jihadismo de massas, abalará as estruturas do imperialismo. A vitória dos afegãos levará os povos do Oriente Médio a uma luta armada para derrubar os regimes corruptos que os americanos apoiam no Oriente.
A derrota do imperialismo vai diminuir a opressão em geral em todos os lugares. A vitória do Talibã estimulará a luta de mais povos oprimidos. A defesa da mulher por parte dessa esquerda pequeno-burguesa é pura demagogia. Sem a expulsão dos Estados Unidos não haverá avanço na política de libertação nacional e nem melhores perspectivas para s mulheres.
Diante desse contexto, todo o governo Biden está em crise. A imprensa americana já o critica. Biden culpa os militares, a crise econômica aumenta e o regime americano cambaleia de forma semelhante ao que ocorreu depois da derrota do país no Vietnã. Como disse Rui Costa Pimenta, a vitória do Talibã foi um tiro no peito do império americano.



