Rio de Janeiro rumo ao caos

Crivella quer infectar um número ainda maior de pessoas

Com argumentos demagógicos, o prefeito do Rio de Janeiro segue sua agenda de reabertura econômica enquanto aumentam os casos de COVID-19 na cidade.

No início deste mês de junho, o prefeito-bispo do Rio de Janeiro Marcelo Crivella iniciou a abertura de diversos setores econômicos, no que vem sendo chamado de relaxamento do isolamento social. Lojas de móveis, concessionárias de automóveis, hotéis, igrejas e, logo depois, os shoppings tiveram funcionamento liberado.

Numa próxima etapa, o plano é liberar o funcionamento de bares, restaurantes, salões de beleza, academias de ginástica, creches e escolas. Em meio às disputas dentro da burguesia, o decreto que liberava as atividades das igrejas foi derrubado pelo Ministério Público do Estado, mas foi incluído em uma próxima etapa.

Como não podia deixar de ser, o sobrinho de Edir Macedo lançou mão de demagogia ao anunciar seu plano de reativação econômica. Sem citar justamente o aspecto econômico das medidas, Crivella quase emociona um ouvinte desatento ao relatar sua preocupação com outras causas de mortes associadas ao isolamento social, como alcoolismo, infartos e suicídios.

Em meio ao desnorteamento político de muitos setores vale observar alguns dados, mesmo que representem parcialmente a realidade. Por exemplo, cruzando os dados oficiais da Secretaria de Estado de Saúde do número de casos reportados com a medição da movimentação de pessoas (baseada no monitoramento de antenas de celulares), o Grupo Multidisciplinar da UFRJ criou um estudo do Covidímetro, que expressa um valor de taxa de contaminação, dividido em níveis de risco.

O risco de contágio que no início do mês era moderado já passou para alto em pouco tempo. Por exemplo, dados oficiais do Estado registraram na capital 492 novos casos de COVID-19 no dia 22/06, com a confirmação de 43 novas mortes. Desde o começo da pandemia, a cidade acumula 50,9 mil casos confirmados e 5.875 vítimas fatais.

É preciso ter clareza que as medidas de reabertura não estão sendo adotadas para beneficiar a população, mas para salvar os investimentos dos capitalistas em meio à grave crise econômica. Crise que já estava se manifestando antes da pandemia, mas sofreu grave aprofundamento com a desaceleração econômica.

Por terem baseado seus planos de combate à pandemia quase exclusivamente no isolamento social, os políticos que representam os interesses da burguesia não têm nada mais a fazer a não ser jogar a população em direção ao genocídio.

Os discursos dos governadores e prefeitos pode variar um pouco, mas quando se observa o quadro geral fica claro que a pressão pela reabertura é um fenômeno mundial e está sendo operado pela classe social que detém o poder político e econômico no sistema capitalista, a burguesia.

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