O governador golpista do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), publicou plano de reabertura de bares, restaurantes e salões de beleza. Todavia, a justiça federal proibiu a execução do plano ao atender uma ação civil pública. O governo recorrerá da decisão. A decisão da justiça, entretanto, não permite comemoração alguma. Trata-se apenas de um obstáculo, bastante pequeno, aos planos genocidas de Ibaneis. O DF, na última quinta-feira (18), registrou mais de 1.300 novos casos de COVID-19. Se tomado o fato que o número de testes é quase irrelevante, a quantidade real de infectados tende a ser grosseiramente maior. Enquanto isto, o governo Ibaneis, atendendo a pressão da burguesia e de setores da pequena burguesia, resolve praticamente terminar todo e qualquer tipo de isolamento social. Isto levou a uma reação contrária de setores da classe média, que apoiaram a ação civil pública que levou a proibição da “flexibilização” do isolamento. O que tem-se aí é uma contradição, dentro das camadas burguesa e pequeno burguesa sobre a flexibilização. Enquanto empresários, pequenos e grandes, e outros capitalistas pressionam pela reabertura, outros setores, como funcionários públicos e pessoas que podem trabalhar em casa, pressionam pela manutenção do isolamento. No caso do DF, Ibaneis atua como serviçal do empresariado local. Por isso, tenta, na marra, reabrir o comércio. A vida dos trabalhadores é considerada secundária. Meros números em relatórios. Neste interim, a classe trabalhadora é colocada de lado na discussão. Aos mais pobres não foi dada a oportunidade do isolamento. Pelo contrário, são expostos a condições insalubres e tem seu salário corroído por leis que visam apenas aliviar a situação dos capitalistas. Enquanto isto, bancos e grande empresas recebem “ajudas” do governo a fundo perdido. Mais do que apenas a questão do isolamento, deve sempre ser lembrado que não são distribuídos máscaras, álcool em gel e produtos de higiene pessoal para a população. A população não é testada, nem mesmo quando vai ao hospital. Pelo contrário, é “convidada” a voltar para casa e só retornar ao hospital quando estiver “nas últimas”. Portanto, não deve-se “fazer vigília” e esperar que a justiça resolva, pelo contrário, é hora da população ir às ruas exigir uma política real para lidar com a pandemia. Em última instância, a justiça, é uma burocracia dedicada a atender os interesses da burguesia. Logo, quando for interessante à classe dominante de conjunto a reabertura, principalmente a justificando através de números mentirosos, esta não perderá tempo em concordar com as medidas genocidas do governo Bolsonaro e de seus governadores e prefeitos.





