A pandemia parece ter feito muita gente esquecer de algumas situações do futebol. No futebol carioca, antes da parada devido ao COVID-19, a chapa esquentava em torno dos direitos de transmissão dos jogos do Flamengo. Pois bem, a solução continua longe de uma definição e, ao que parece, talvez não venha a ter uma. Tanto o clube quanto a empresa que monopoliza, há décadas, o futebol nacional continuam num impasse. Por um lado, o Flamengo quer uma quantia exorbitante de dinheiro pela transmissão dos jogos do carioca. Por outro, a Globo diz que não pagará mais do que já paga para os demais 3 grandes do Rio de Janeiro. Para o torcedor, o maior interessado, a tendência é que os jogos do Flamengo não sejam transmitidos. Pior ainda será, pois o retorno do futebol se encaminha para jogos sem torcida. Em resumo, o que tende a acontecer é que ninguém poderá assistir a boa parte dos jogos do campeonato carioca porque, se o Flamengo estiver participando, não poderá ser transmitido e nem haverá público nos estádios. Serão jogos fantasmas. Esta disputa entre Flamengo e Globo é o retrato da influência danosa do capitalismo sobre o futebol. A disputa está reduzida ao dinheiro, desconsiderando o fator cultural do futebol. O monopólio da Globo sobre o futebol nacional é uma das principais causas do desenvolvimento tão desigual do esporte no país, especialmente na região nordeste. Clubes de Rio e São Paulo foram socados goela abaixo da população nas regiões norte e nordeste, impossibilitando que os clubes locais se interiorizassem. O motivo para essa preferência pelos clubes do eixo se deu devido aos principais patrocinadores da Globo serem destes dois estados. As direções dos clubes grandes, tanto no escopo nacional quanto regional, também são coniventes com a situação. Os cartolas sempre tiveram uma relação quase simbiótica com a mídia burguesa, colocando, muitas vezes, os interesses desta acima dos interesses dos clubes a que dirigem. Sobre o Flamengo, em específico, sem demérito algum ao clube e a sua enorme e fanática torcida, é necessário denunciar a direção do clube. Durante o período de crise sanitária que estamos vivendo, ela se mostra na vanguarda pelo retorno do futebol, mesmo que sem torcida. Pois, se a justificativa para o Flamengo pedir mais dinheiro é sua torcida, parece contraditório que busque soluções que removam a torcida dos jogos. A saúde dos profissionais do clube também está em segundo plano. No fim das contas, para quem comanda o clube, os torcedores e profissionais do futebol não passam de números. O que interessa para estes cartolas é atender a patrocinadores e empresários do futebol. Por isso, apesar da crise entre cartolas e Globo, ambos parecem estar unidos por tornar o futebol cada vez menos do povo. As torcidas, não apenas do Flamengo, mas dos demais clubes, devem impulsionar a luta contra os monopólios de controlam o futebol, especialmente a Rede Globo, e pela retomada do controle dos clubes pelos torcedores.





