Nessa semana surgiu a notícia na imprensa burguesa que a Câmera Legislativa do estado de Minneapolis redigiram um ofício a proposta de “desmantelar” a polícia, substituindo-a por outra força armada que até agora não sei sabe qual.
O que chama a atenção é que depois de semanas de protestos extremamente radicalizados, o poder público onde se encontra o estopim da mobilização que tomou os EUA tenha saído a campo para propor a “dissolução” da polícia civil norte-americana.
A pressão das massas fizeram o órgão extremamente reacionário que são essas Câmeras Legislativas a nível estatual, parte do aparato estatal da burguesia imperialista norte-americana, tenha que ter aparecido com uma reinvindicação popular, ao menos na boca.
Certamente, não dá para saber o que está acontecendo porque a informação é escassa até agora. Mas evidencia um aspecto chave do tabuleiro político mundial: o quão coerente é a mobilização popular para a vitória política das massas sob seus opressores e algozes.
O estopim das mobilizações nos EUA foi a revolta contra a violência policial sobre a população negra e trabalhadora, que vinha crescendo exponencialmente na medida em que a crise do imperialismo, a crise do capitalismo mundial, se aprofundava. Uma clara tentativa, a da coerção, de impedir um levante generalizado das massas oprimidas contra o desemprego crescente, a carestia e ao próprio regime político.
O país se viu durante semanas literalmente em chamas, em mais de 200 cidades a mobilização se alastrou e dominou o país, aprofundando drasticamente a crise do carcomido e ossificado regime norte-americano. E a população sublevada pressionou a burguesia a tal ponto de a classe parasitária do povo ter que encontrar uma saída para seu aparato de repressão.
A situação está em aberto nos EUA, e a saída verdadeiramente democrática se encontra no impasse de aprofundar a mobilização. Organizá-la em todos seus pontos. Dar a ela mais objetivos e ainda mais políticos. Deve-se atentar para que a dito “desmantelamento” da polícia não seja apenas uma manobra para encerrar as manifestações: é necessário permanecer e ampliar.




