É de conhecimento da classe trabalhadora, que, em situação de crise, quem arcará com todo o ônus desta são os mais vulneráveis. O futebol brasileiro repete a mesma lógica.
Jogadores do Barretos, time que disputa a Série A3 do Campeonato Paulista, denunciam quase três meses de salários atrasados e o total descaso por parte dos dirigentes.
A situação dos jogadores é crítica. Muitos estão sem condições de comprar comida e gás. Outros estão em vias de serem despejados de suas casas por falta de pagamento.
Enquanto isso tudo acontece, os dirigentes do clube paulista mandaram os jogadores para casa e que acertariam os pagamentos. Segundo relato do atacante Magrão, o clube pediu dez dias para levantar o quanto devia e que, então, “acertariam”. Por fim, nada fizeram e os jogadores estão em situação de risco.
A direção do Barretos afirma que deve, por volta, de R$1 milhão a funcionários e fornecedores, onde, deste montante, R$232 mil são os salários atrasados dos jogadores.
Assim como os demais clubes pequenos do Brasil, o Barretos depende das receitas de bilheteria, do bar e de patrocinadores pontuais para ter seu capital de giro e pagar salários e premiações. Com a paralisação dos campeonatos os clubes, que já estavam mal financeiramente por diversos motivos, que vão além desta matéria, ficaram a beira da bancarrota.
A Federação Paulista de Futebol (FPF), na qual seu presidente se resume a ir à televisão mandar os clubes “cumprirem contratos”, bloqueou as cotas do Barretos e, provavelmente, dos demais clubes.
Se a situação no futebol do estado mais rico do país está em total calamidade, a dos demais estados tende a estar pior. Recentemente, o Novo Hamburgo (RS) demitiu todos os jogadores e funcionários, prometendo contratá-los ao reinício dos campeonatos. Entretanto, isso pode nem vir a ocorrer em diversos clubes, pois estarão com um passivo tão grande que terão de cortar seus orçamentos drasticamente.
A crise capitalista, agravada pela pandemia do Covid-19, tende a exterminar todas as organizações menores e promover uma concentração ainda maior nos grandes. Isso também ocorrerá no futebol. Muitos clubes pequenos ficarão impossibilitados financeiramente de existirem e o futebol se resumirá, ainda mais, aos clubes grandes.
Aos grandes capitalistas essa crise é interessante, pois permite que tenham controlem ainda mais o futebol. O extermínio dos clubes pequenos é o fim do futebol popular, de cidades pequenas, de bairros.
Os jogadores, que, em sua grande maioria, recebem um salário mínimo, juntar-se-ão às grandes massas desempregadas ou na informalidade.
Portanto, é mais do que necessária a organização e mobilização dos torcedores, jogadores e funcionários dos clubes para garantir sua renda, seus direitos e a manutenção dos clubes menores.





