Crise de saúde

Fome, falta de hospitais, incêndio e descaso: a situação na periferia

Incêndio agrava situação calamitosa do bairro com maior número de mortos por covid-19

A princípio parece apenas mais uma tragédia no cotidiano das periferias das grandes cidades, mas não é. Trata-se de mais um crime contras a população perpetrado pelas elites brasileiras que exploram a população, controlam o poder público e que concentram para si a riqueza produzida pelo esforço da classe trabalhadora.

O incêndio ocorreu nesta segunda feira 20 de abril na comunidade da Vila Brasilândia, no Jardim Paulistano, bairro da zona Norte de São Paulo, agravando ainda mais a vida da população deste bairro que já sofre com o desemprego, fome, falta de hospitais e que registrou, até agora, o maior número de mortos por covid-19. Longe de ser obra do acaso, o sinistro é fruto do abandono da população mais pobre, sempre preterida nas obras de saneamento e infraestrutura, vítima da exploração financeira e submetida às condições mais precárias. A pobreza impulsionada pelo desemprego crescente desde o golpe de 2016 e agravado pela pandemia de corona vírus foi o combustível deste incêndio, assim como tem sido de muitos outros. Ou pegam fogo casas bem construídas, com instalação elétrica adequada, em ruas bem projetadas, assistidas por serviços de água, gás e esgoto? Não, acontece sempre na periferia onde a população se amontoa em pequenos espaços, onde se reciclam cabos elétricos, onde se improvisa a mangueira do gás, onde concerta a tomada estragada, onde a gambiarra é a regra e o cidadão precisa ser pedreiro, pintor, eletricista e marceneiro da própria casa.

A imprensa burguesa, como de costume, noticia o fato de forma protocolar: os bombeiros controlaram o fogo em uma hora, não houve vítimas e fim da história. Mas não é bem assim que termina, apagada a última labareda restam as cinzas dos que ficaram sem lar, sem abrigo, não raramente deixam feridos ou intoxicados pela fumaça, começa aí uma eterna reconstrução silenciosa, sofrida, sem nenhum auxílio governamental. Não podemos esquecer das tragédias de Mariana e Brumadinho que deixaram um rastro de mortes e desamparados que sofrem até hoje.

Incêndios, desmoronamentos, inundações, surtos de doenças, violência doméstica, violência policial, alcoolismo e muitas outras tragédias corriqueiras nas periferias do Brasil têm razão, explicação e culpados, não são fatos aleatórios nem obras do divino, têm origem na miséria e no abandono sistemático, estão na conta da burguesia, dona da suspeitíssima divida pública que abocanha quase metade do PIB nacional, do 1% mais rico que detêm quase 70% da riqueza do país e seus representantes, aqueles que fazem demagogia, que tomam café no boteco em época de eleição, que se vestem de gari, que abraçam o pobre e beijam suas crianças, que falam em trabalho mas que nada fazem para mudar esta injusta estrutura social.

O incêndio da Vila Brasilândia deixa vítimas que precisam contar com bem mais do solidariedade, mas também com o nosso programa de luta, de organizar a população, através dos conselhos populares, em torno das reivindicações mais sentidas do povo.

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