Como já noticiado exaustivamente tanto na imprensa burguesa quanto neste diário, os clubes pequenos do Brasil inteiro estão em sério risco de extinção por causa da situação atual da pandemia.
As federações e o governo são completamente incapazes de formular um política que auxilie, de algum modo, os clubes menores. Clubes como Santo André, Mirassol, Água Santa e outros terão seus elencos completamente desfigurado pelo fim de diversos contratos com jogadores.
Entretanto, o problema não se resume apenas aos clubes, mas se estende à situação dos jogadores. Diversos jogadores ficarão sem contratos nos próximos dias e se juntarão aos milhões de desempregados do Brasil. Eles não terão previsão alguma de conseguir um novo contrato já que os campeonatos estão paralisados.
A situação poderá ficar ainda pior, pois, após a paralisação, muitos clubes ou deixarão de existir ou farão cortes gigantescos em seus orçamentos, o que diminuirá a renda dos jogadores ainda mais. Cabe salientar que mais de 80% dos jogadores brasileiros recebe até um salário mínimo.
O presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), Reinaldo Carneiro Bastos, orientou os clubes que não renovassem os contratos com os jogadores, pois não é possível saber quando os campeonatos retornarão.
A orientação da FPF tem como objetivo criar uma situação de desespero em jogadores e funcionários dos clubes para que estes acabem aceitando bovinamente o reinício dos campeonatos durante a pandemia. A Federação parece estar pouco se importando com a saúde dos profissionais do futebol e suas famílias.
As falas de Reinaldo Carneiro Bastos em cumprir contratos são recorrentes. O dirigente reflete claramente seu compromisso com patrocinadores e emissoras e não com o bem estar dos jogadores.
Bastos fala, à Fox Sports, que devemos “nos unir” e “entendermos os problemas dos vizinhos”. Ele não está falando da situação dos jogadores e clubes menores, mas para CBF e Conmebol, para que ajudem as Federações. Ele já prevê que a Federação perderá patrocínios caso os campeonatos nacionais e sulamericanos retornem antes do final do Campeonato Paulista.
Ao invés de se preocupar com calendário, o presidente da FPF deveria buscar soluções imediatas para os clubes menores e seus jogadores e funcionários. Todavia, esse não parece o interesse prioritário da Federação.
Os profissionais do futebol não podem ficar calados e aceitar essa situação, mas se organizarem para pressionarem clubes, federações, emissoras e patrocinadores contra esse tipo de atitude. Não há futebol sem os trabalhadores!





