Apesar de não ser dona, no papel, do futebol brasileiro, a Globo age como se assim fosse. Mais uma vez, não poupa esforços em utilizar seu poder de monopólio para pressionar a CBF e os clubes a atenderem seus interesses.
A emissora mais golpista do Brasil propõe o início da Série A do Campeonato Brasileiro mesmo durante o período de isolamento social. A estapafúrdia proposta define início dos jogos em maio. Todas as partidas serão disputadas em estádio de São Paulo sem presença de público.
Em uma situação grave como a da pandemia, é completamente “fora da casinha” a disputa de competições esportivas, mesmo sob rígidos protocolos. Contra essa proposta é que basta uma pessoa infectada entrar em contato com um ou mais jogadores e o campeonato automaticamente deverá ser parado e quase totalidade de pessoas envolvidas testada. Isso representa um forte risco à saúde dos jogadores e demais profissionais envolvidos. Como noticiado no Jornal Causa Operária nº1101, no Brasil, até na rede particular de saúde é difícil encontrar testes para COVID-19.
No pior cenário, um jogador morrerá e logo teremos uma série de matérias da Globo, com suas lágrimas de crocodilo, homenageando o jogador e, ao mesmo tempo, tentando jogar a culpa toda na CBF e nos clubes. Outra possibilidade é que trate tudo como uma “fatalidade”, jogando a culpa no acaso.
Também deve-se levar em conta que jogos sem torcida são um total disparate. O público faz parte do jogo e tem papel imprescindível no esporte. Entretanto, a Globo não tem interesse algum em estádios lotados. Pelo contrário, quanto mais vazio, para ela, melhor. Cada torcedor que não está no estádio representa um telespectador a mais.
No fim das contas, é uma jogada com risco zero e lucros exorbitantes para a emissora.
Outro ponto a ser considerado é que jogadores, técnicos e funcionários dos clubes não são sequer consultados. As decisões são tomadas todas por engravatados, que brincam com a saúde dos outros, sem pudor algum.
Segundo Flávio Ricco, em sua coluna no UOL, a grande maioria dos clubes é a favor da proposta. O que mostra claramente que estão na mão da Globo e dos patrocinadores. Apesar de que alguns dirigentes digam que estão contra a proposta, é possível inferir que, na verdade, estão apenas dificultando as negociações para tentar tirar algum recurso a mais e não porque consideram o momento inoportuno para a prática do futebol. Portanto, parece ser questão de tempo e detalhes até que a Globo e seus patrocinadores consigam o que querem.
Então, a única maneira de frear essa tentativa da Globo é através da organização de jogadores e demais profissionais do futebol. Sem isso, os “donos do futebol brasileiro” farão o que quiserem com o esporte, mandando e desmandando, de acordo com seu lucro.




