A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), organização que reúne 36 dos principais países do mundo, trouxe dados já esperados sobre as economias capitalistas diante da crise. Segundo a organização, Brasil, Reino Unido, Estados Unidos e Japão tiveram em março a maior queda de suas histórias em potencial de crescimento, devido a crise do Covid-19 e também a crise capitalista que já estava acontecendo, principalmente no mercado financeiro. Em comparação ao mesmo período do ano passado, o indicador caiu 1,26% para o Brasil, 2,25% para a Alemanha, 0,39% para os Estados Unidos, 0,93% para as sete maiores economias do mundo. Os dados fazem parte do CLI, indicador que mostra pontos de virada nos negócios dos países.
Ainda sobre as estimativas, a OCDE afirmou que nos próximos meses não se pode confiar plenamente nestes dados pois a crise ainda é incerta e não tem dimensões concretas. Os dados apresentados agora representam uma situação pior do que a crise de 2008, o que representa que a crise capitalista chegou a um estágio que não é visto há décadas. A incerteza de quanto tempo a economias ficarão paradas pelas quarentenas, junto com a situação econômica em que os países já se encontram só nos fazem projetar que estes números tendem a piorar ainda mais.
As grandes economias capitalistas estão passando por uma desaceleração há muito tempo, o capitalismo nesses países não consegue se sustentar e a base do seu crescimento artificial sempre esteve ligado a exploração econômica de países periféricos. Porém, quando a crise chega, ela atinge todos os países, e os explorados sofrem ainda mais com as políticas adotadas por pura pressão dos países imperialistas, o neoliberalismo na América Latina é um grande exemplo, onde países como Chile, Argentina e Brasil foram verdadeiros laboratórios daquilo que seria um fracasso na Inglaterra e que gerou fome e revolta do povo inglês. Após a financeirização do mercado capitalista, onde os bancos e grandes corporações são o centro da economia, o crescimento econômico ficou ainda mais artificial, pois os números refletem em sua maioria as transações de dinheiro que não vemos e que não estão agregando em nada na vida dos trabalhadores, o verdadeiro dinheiro comprando dinheiro e enquanto isso vimos a qualidade de vida dos trabalhadores cair e os lucros bancários explodirem. Não há um verdadeiro crescimento econômico num país que a qualidade de vida dos trabalhadores não evolui, e não há crescimento econômico mundial se não são todas as economias que passam por esse processo. Se apenas grandes potências crescem só estamos diante das contradições que o capitalismo carrega e da falta de justiça social crônica.
Os números não são animadores não apenas pela amplificação da crise capitalista, mas isso acontece porque o capitalismo já vem em sua decadência há anos, onde o real crescimento não aconteceu e as políticas neoliberais apenas prejudicaram os trabalhadores e os colocaram em mais pobreza e desigualdade. Estas mesmas políticas se mostram ineficazes para resolver o problema agora numa fase tão crítica.
Enquanto a Economia não tiver como objetivo os interesses dos trabalhadores, os números não voltarão a crescer. Enquanto os países imperialistas não deixarem de sugar os países periféricos a economia mundial passará por longas e longas crises, e não haverá crescimento homogêneo no mundo. É preciso abandonar as políticas econômicas que vimos fracassar nos últimos séculos e organizarmos para que a economia seja algo feito pelos trabalhadores e para os trabalhadores. O mundo só voltará a crescer com o fim do capitalismo decadente e com o crescimento do socialismo.



