A Causa Operária TV, único canal online de imprensa revolucionária e operária, exibe todos os sábados no YouTube a partir das 11h30 da manhã a Análise Política da Semana com apresentação do presidente do PCO Rui Costa Pimenta, expondo os acontecimentos políticos da semana de uma forma esclarecedora e direta traçando a melhor orientação política a ser aplicada pela esquerda e toda a classe trabalhadora tendo como palavras de ordem: Fora Bolsonaro, Liberdade para Lula, Eleições gerais com Lula candidato.
Abaixo, trecho da Análise Política da Semana de 08 de junho de 2019:
“Na palestra que fiz na USP essa semana uma pessoa questionou a palavra de ordem que nós levantamos de eleições gerais. Segundo ele tem muita gente que não acredita no poder das eleições e que isso não seria solução e nem que o Lula seria uma solução. Então eu procurei explicar na palestra uma coisa que é importante reproduzir aqui: a nossa preocupação é apresentar uma linha de desenvolvimento do movimento que esta crescendo. Não ha soluções absolutas para nada. Você derruba o Bolsonaro, não quer dizer que todos os problemas estão resolvidos. Não existe essa palavra de ordem que resolva todos os problemas de uma vez. Isso é uma fantasia. Mas se você derruba o Bolsonaro, você avança no sentido da realização das suas reivindicações. Muita gente falou: ” você derruba o Bolsonaro mas aí vem o Mourão”. O Mourão pode vir de qualquer maneira mesmo que o povo não derrube o Bolsonaro. Amanhã a burguesia se junta e tira o Bolsonaro e põe Mourão. Não cabe a nós evitar que o Mourão suba o governo. Mas uma coisa é o Mourão chegar ao governo por uma artimanha da burguesia como tentaram fazer com o Temer e outra coisa é o cidadão (Bolsonaro) ser derrubado pela mobilização popular. O Mourão que a burguesia colocou no governo sem a mobilização é um – vamos supor que aconteça de o Mourão assumir – e o Mourão que assume um governo em que o povo derrubou o titular – é totalmente diferente. São duas situações políticas diferentes , são duas relações de força completamente diferentes. Mas de qualquer maneira nós apresentamos solução democrática: eleições. Eleição vai resolver o problema? Vai eleger o Lula? Não sei! Tudo é um problema da luta política. Em se tratando de política ninguém pode oferecer um resultado, garantir o resultado da luta que está acontecendo. É uma luta – é como qualquer tipo de enfrentamento – um enfrentamento esportivo – você tem dois grupos se digladiando para ganhar uma competição esportiva – por melhor que seja a sua equipe, vc vai ganhar? Não, ninguém pode garantir – vai depender do desempenho, de uma série de coisa. Então não dá pra dizer que se você derrubar o Bolsonaro e entrar o Mourão o Brasil vai ficar maravilhoso mas o que dá pra dizer com absoluta segurança é que nesse caminho o povo vai avançando contra seus opressores e exploradores. Isso dá pra garantir em termos absolutos.
Se alguém falasse assim : “se você lutar e derrubar o Bolsonaro, e o povo se organizar e se tornar mais consciente, isso vai ser um desastre pra todos nós” – é uma discussão racional, mas não é um desastre. É um avanço, é uma maneira de avançar. Nós temos que apontar qual é o caminho pelo qual é possível avançar – não garantir o resultado de antemão porque isso não é possível. Não da pra dizer “põe o Lula lá que o Brasil vai ser o país mais maravilhoso do mundo” – não existe isso. Simplesmente á a melhor maneira de avançar. Muita gente acha estranho que a gente defenda a candidatura do Lula porque o Lula governou e tem todo tipo de criticas ao governo dele e etc. Nós temos que considerar que o problema da situação política não depende da nossa opinião. Seja qual for a opinião que as pessoas tenham sobre o Lula, ele deveria ter sido candidato na última eleição. E se ele fosse candidato ele teria uma possibilidade muito grande de ser eleito. Isso é um problema da vontade popular – é isso que o povo manifestou que quer. Depois do tsunami Bolsonaro, cinco meses destruindo o país como se tivesse passado dentro de um moedor de carne – mais ainda o pessoal quer o Lula. Se o povo já queria antes, imagine agora. Se não houver uma objeção muito forte para você apoiar a pessoa, você querer que a pessoa que o povo prefere como candidato seja eleito é uma via de avançar a luta popular também. Lógico que você pode fazer critica, pode falar que o governo Lula teve muitas insuficiências, pode falar tudo mas o fato de satisfazer essa vontade popular, essa tendência geral da população, isso é processo que progride. Certos setores da esquerda são doutrinários, eles acham que tem que fazer – em toda pessoa que você for apoiar em todos os momentos – um teste de pureza. Se a pessoa não tiver pureza acima de 90% não deve ter apoio de jeito nenhum. Você tem que ser puro e puro aqui significa de um ponto de vista moral – na política não existe esse negocio de puro. É muito difícil de você determinar. A política é muito intrincada, tem muitas variações, muitas combinações, muita complexidade. Então não da pra você chegar e falar assim “fulano é puro”. vou dar um exemplo aqui do que eu to querendo explicar: na revolução russa Lênin propôs – logo que os Bolcheviques tomaram o poder que os russos entregassem para os alemães mais de 1/3 do território russo.
Não é a proposta de um homem puro. O homem puro iria falar “não entrego nem um grão de areia”. Mas ele não era um homem puro, era um homem político – ele explicou que o exercito russo não estava em condições de lutar. “Se mandar eles lutarem, os mesmos vão voltar pra trás, vão largar a frente de combate, os alemães vão entrar no país e vão derrubar o governo aqui. Então para preservar o governo, para poder lutar no dia de amanhã, nós temos que entregar para os alemães o que eles estão pedindo, preservar a revolução e depois mais pra frente a gente recupera aquele terreno”. Isso é política. A pureza seria a pessoa não abrir mão de nenhum tipo de desejo ou de coisa que ele defende. O que não é possível. Então por exemplo você não pode apoiar o Lula senão o pessoal vai vir com esse teste de pureza e vai mostrar um monte de coisas que o Lula fez que não é puro mas nós não estamos preocupados com isso. E nem estamos também dizendo pro pessoal pra apoiar o Lula porque ele é um santo de calendário – não se trata disso, é uma proposta política. A grande pergunta é: com essa proposta nós avançamos no sentido da realização dos anseios das reivindicações populares sim ou não? Esse caminho vai nos levar pra frente ou para trás?
Levando isso em consideração eu diria que a proposta de eleição é uma proposta que abre caminho para uma evolução geral do movimento. Todo mundo sabe o PCO não é a favor de governo reformista como objetivo estratégico, nós somos um partido revolucionário comunista mas temos que apontar para o pessoal não aquilo que queremos que fosse mas aquilo que é necessário fazer nesse momento porque senão você vai virar uma igreja pequenininha, vai sentar lá e fazer um ritual de esperança pro socialismo. Nós temos que fazer política. Então é isso que justifica o problema das eleições gerais. Aí o companheiro levantou a questão que achei interessante que é a seguinte: mas se o movimento colocar objetivos mais abrangentes, mais audaciosos do que as eleições gerais? Aí eu falei pra ele o seguinte: que eu acho que é o raciocínio correto – nós temos que estar preparado para avançar se o movimento avançar. Vamos supor que no meio do movimento “FORA BOLSONARO” a classe operária brasileira – não vejo isso acontecendo de maneira imediata – criasse conselho operário por todo o país e levantasse a reivindicação de um governo operário, ou seja, se você ficar na sua palavra de ordem anterior diante do desenvolvimento dessa natureza – você não é um elemento que impulsiona a luta que está acontecendo, você é um entrave, porque você fica parado em um determinado terreno e não consegue avançar. Uma coisa que é uma lição da experiência da revolução russa é que é o seguinte: a cada dia que passa você tem que tomar o pulso do movimento – e você também tem que saber o seguinte: a tendência de todo partido que busca ser realista é ser relativamente conservador por mais que você se esforce para estar a frente dos acontecimentos que é difícil prever o que esta acontecendo, no meio de uma gigantesca massa de milhões de pessoas você normalmente descobre quando esse sentimento vai se formando ele aparece na superfície dos acontecimentos. Ai você olha e a coisa tava mais inflamada do que eu imaginei quando eu fiz tal proposta. Você tomando pulso dos acontecimentos você procura se colocar a altura dos acontecimentos – o partido pode ser mais consciente do que a população mas o fator revolucionário no mundo é o povo – são os trabalhadores – esses são os fatores. Realmente o partido pode falar em revolução, apresentar palavra de ordem etc e tal mas ele não faz revolução.
Quem faz revolução é o povo. Só os trabalhadores. Por isso o partido tende a ficar um tanto quanto defasado dos acontecimentos – por mais que ele esteja em cima dos acontecimentos. Mas é assim. Também não adianta você se insurgir contra as condições reais em que você atua. Então eu acho que nesse momento nós temos que levantar a palavra de eleição, nós temos que levantar a questão de Lula, a eleição foi fraudada para que ele não fosse candidato, nós temos que levantar aquilo que corresponde a evolução geral da situação.”


