A população iraniana foi às ruas nesta terça-feira (7) para comemorar a vitória do país na guerra contra os Estados Unidos e “Israel”. As manifestações ocorreram no mesmo dia em que o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã anunciou um acordo de cessar-fogo de duas semanas, mediado pelo Paquistão, e informou que as negociações para um acordo permanente deverão ocorrer em Islamabade.
O comunicado foi divulgado pela agência Mehr News Agency e aprovado pelo novo Líder da Revolução Islâmica, o aiatolá Mojtaba Khamenei. No texto, o Conselho afirmou que o entendimento representa uma vitória do Irã e decorre de um plano de 10 pontos aceito, em princípio, pelos Estados Unidos.
Entre os compromissos mencionados estão a garantia de não agressão, o reconhecimento do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, a aceitação do enriquecimento de urânio, o levantamento de sanções primárias e secundárias e o encerramento de resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O comunicado também menciona compensações ao Irã pelos danos sofridos, a retirada de forças militares norte-americanas da região e a interrupção das hostilidades em várias frentes, inclusive no Líbano.
Ao anunciar o acordo, o Conselho Supremo de Segurança Nacional declarou:
“O inimigo, na sua guerra injusta, ilegal e criminosa contra a nação iraniana, sofreu uma derrota inegável, histórica e esmagadora.”
O órgão atribuiu esse resultado à resistência militar do país, à mobilização popular e à direção do aiatolá Mojtaba Khamenei. O texto também fez referência ao “sacrifício do líder mártir da Revolução Islâmica, o Grande Aiatolá Imam Khamenei”.
Ainda de acordo com o comunicado, os 40 dias anteriores foram marcados por ações coordenadas do Irã e de seus aliados no Líbano, no Iraque, no Iêmen e nos territórios palestinos. O Conselho afirmou que essas operações atingiram a estrutura militar, econômica e política dos adversários e os obrigaram a aceitar as negociações.
O órgão declarou também que, no início da guerra, os inimigos do Irã buscavam impor uma derrota rápida ao país, neutralizar suas capacidades militares e provocar instabilidade interna. Esse plano, afirmou o Conselho, fracassou completamente diante da resposta militar iraniana, da ação regional de seus aliados e da manutenção da unidade interna.
Embora tenha anunciado a trégua, o Conselho ressaltou que a consolidação do acordo ainda dependerá da continuidade das negociações. “A finalização dos seus detalhes ainda requer perseverança, liderança prudente e unidade”, afirmou o texto.
As comemorações populares ocorreram em várias partes do país. Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram manifestações festivas em diferentes cidades iranianas, inclusive em áreas próximas à usina nuclear de Bushehr. As imagens circularam ao longo do dia, num momento em que o governo iraniano anunciava o cessar-fogo como resultado direto da derrota imposta aos EUA e a “Israel”.
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