A poucos dias da eleição parlamentar de 12 de abril, o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, desembarcou em Budapeste, capital da Hungria, para dar apoio aberto a Viktor Orbán. Ao lado do primeiro-ministro húngaro, Vance elogiou o dirigente do Fidesz como um dos poucos “estadistas” da Europa e afirmou que sua presença tinha o objetivo de enviar um recado a União Europeia, acusada por ele de tentar sufocar o povo húngaro. A visita foi tratada como um gesto político de peso do governo Trump numa disputa que já ultrapassou há muito os limites internos da Hungria.
O pano de fundo é a crise cada vez mais profunda entre a Hungria e a União Europeia. Orbán tem se colocado contra a entrada da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e no próprio bloco europeu, insiste na manutenção dos laços energéticos com a Rússia e vem bloqueando medidas centrais de apoio europeu ao regime de Vladimir Zelensqui, entre elas um pacote de 90 bilhões de euros. Ao mesmo tempo, a eleição deste domingo se tornou a mais difícil para o governo húngaro em 16 anos: pesquisas publicadas nesta semana mostram vantagem do Tisza, partido de Péter Magyar, sobre o Fidesz, indicando uma movimentação golpista para o pleito.
Foi nesse cenário que Vance desembarcou em Budapeste. Em solo húngaro, declarou que a União Europeia promove “um dos piores exemplos” de interferência estrangeira em eleições e afirmou que setores dos serviços de inteligência ucranianos tentam influenciar tanto o processo político húngaro quanto o norte-americano. A fala se soma à reação do governo Orbán, que nas últimas semanas abriu investigação sobre suposta espionagem ligada à Ucrânia e elevou o tom depois da descoberta de explosivos perto do gasoduto que leva gás russo à Hungria via Sérvia.





