Documentos internos analisados pelo Drop Site News revelaram uma extensa relação militar entre o governo de Uganda e a fabricante israelense de armamentos Elbit Systems.
Os arquivos mostram contratos para a aquisição de drones, sistemas de vigilância, equipamentos de inteligência e infraestrutura militar ao longo de vários anos.
As revelações assumem particular importância porque o Parlamento de Uganda autorizou recentemente o envio de tropas para a Faixa de Gaza como parte de uma chamada força internacional de “estabilização”, proposta dentro do plano do governo Donald Trump.
O governo ugandês não esclareceu qual seria exatamente a missão de seus soldados.
Durante o debate parlamentar, o ministro da Defesa, Kiryowa Kiwanuka, afirmou que o presidente Yoweri Museveni estava disposto a realizar o envio. Parlamentares da oposição questionaram inclusive de que lado as tropas combateriam.
Os documentos indicam que, em março de 2024, Uganda assinou um contrato de US$52,1 milhões com a Elbit para quatro drones Hermes 900, além de sistemas de vigilância SkEye e equipamentos terrestres.
Outro registro mostra que US$14,2 milhões já haviam sido transferidos à empresa israelense em 2021 e seriam descontados do acordo posterior.
A cooperação não se restringiu aos aparelhos.
A Elbit teria participado da criação de bases para drones, sistemas de comunicação, manutenção e equipamentos destinados ao processamento das informações recolhidas pelas aeronaves.
Também aparecem nos documentos munições de ataque e sistemas eletrônicos de inteligência.
Os usuários indicados nos contratos incluem a Inteligência Militar de Uganda e o Comando de Forças Especiais, unidade ligada diretamente à proteção de Museveni e de sua família.
A relação entre Kampala e “Israel” ganhou força nos últimos anos. Os dois governos assinaram um acordo formal de cooperação militar em 2022.
Muhoozi Kainerugaba, filho do presidente e atual chefe das forças armadas, tornou-se um defensor aberto de “Israel”. Pouco antes da autorização para o envio de tropas a Gaza, participou da inauguração de um monumento em homenagem a Yonatan Netanyahu, irmão de Benjamin Netanyahu morto na operação israelense em Entebbe, em 1976.
Os documentos vazados não demonstram que todos os equipamentos previstos foram entregues ou como foram utilizados. A Elbit contestou a caracterização feita a partir dos arquivos, mas não comentou individualmente os negócios citados.
O que os documentos mostram é uma relação militar muito mais profunda do que uma cooperação diplomática comum.
Uganda compra armas e tecnologia de uma das principais empresas do complexo militar israelense e, simultaneamente, prepara tropas para atuar em Gaza.
Uma suposta força de “estabilização” formada por governos armados e treinados por “Israel” e patrocinada pelos Estados Unidos não pode ser apresentada como uma força neutra.
Seu papel deve ser analisado a partir da tentativa do imperialismo de impor aos palestinos, por outros meios, aquilo que não conseguiu impor apenas com os bombardeios israelenses.





