Dia do Trabalhador

‘Vamos fazer bonito no 1º de Maio’, convoca Rui Costa Pimenta

Ato em frente ao Theatro Municipal, nesta sexta-feira (1º) às 11h, levanta a defesa da República Islâmica do Irã e as reivindicações mais candentes da classe trabalhadora

A esquerda pequeno-burguesa capitulou no 1º de Maio e entregou as ruas à extrema direita. É isso que afirmou Rui Costa Pimenta, presidente do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República. Para Pimenta, a situação “é um fracasso muito grande, muito grande mesmo”. “Isso em pleno 1º de Maio, que seria o Dia do Trabalhador, dia de luta do trabalhador. E a esquerda toda diz que representa a luta do trabalhador, da classe trabalhadora”.

“A situação do 1º de Maio mostra a situação da esquerda no que diz respeito à mobilização popular”, explicou Pimenta no programa Análise da 3ª, na Rádio Causa Operária, realizado nesta terça-feira (28). “No começo do governo Lula, o PT chamou um ato de 1º de Maio que foi um fracasso. O 1º de Maio de 2024 foi um fracasso. Em 2025, eles não chamaram nenhum ato em São Paulo, que é onde a tradição manda a convocação do ato. Sempre o ato foi em São Paulo”.

Pela primeira vez fora do período da pandemia, as centrais sindicais não realizarão manifestação de rua no 1º de Maio na capital paulista. A CUT, ligada ao PT, tirou o time de campo. A Força Sindical recolheu-se a um evento de portas fechadas na sede dos sindicatos metalúrgicos. A Avenida Paulista, palco tradicional das manifestações, foi entregue pela Polícia Militar do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) a três grupos bolsonaristas de pequena expressão pública — entre eles os Patriotas do QG —, sob a justificativa de “questões de segurança” em ano eleitoral. CSP-Conlutas, Central Intersindical e o ato pelo fim da escala 6×1, articulado pela deputada Erika Hilton (PSOL), foram empurrados para a Praça da República e a Praça Roosevelt.

A capitulação ocorre em pleno ano eleitoral, num momento em que o governo Lula enfrenta forte desgaste, o STF aprofunda a ditadura no País e a oposição bolsonarista mantém capacidade de ocupar as ruas.

Esquerda pequeno-burguesa entrega os pontos

Restaram os infames “showmícios” das centrais sindicais pelegas na Zona Norte, com sua distribuição de carros e brindes. Neste ano, nem isso. “Esse ano todo mundo tirou o time de campo. Quer dizer, impressionante”, afirmou Pimenta. “E quem vai levar gente à rua? A extrema direita. Se a gente não considerar essa realidade, é viver fora da realidade. A extrema direita se organiza, ocupa as ruas, chama o público, e a esquerda, nada”.

Para o presidente do PCO, a situação expõe o estado periclitante da esquerda pequeno-burguesa, que deveria ter maior capacidade de mobilização. Lula pode até vencer a eleição, mas a força da esquerda está muito reduzida — e isso, em ano eleitoral, não tem o menor apelo popular.

Para Rui Costa Pimenta, os atos que o PT e a CUT convocam fracassam normalmente porque a política do PT não tem apelo popular. Não é à toa que a única bandeira recente que diz respeito à situação do trabalhador é o fim da escala 6×1. Ainda assim, segundo Pimenta, “o projeto que o governo enviou para o Congresso Nacional não estabelece claramente que os dois dias de folga seriam no fim de semana, que é um erro muito grave do projeto. Mas é a única proposta que apela diretamente ao trabalhador”.

A completa falta de política se explica pela incapacidade do governo de ir além das pequenas medidas. “O PT não se anima a fazer uma mobilização, a chamar a mobilização por propostas que ele não vai colocar em prática. Que o governo não vai colocar em prática”, disse o pré-candidato à Presidência. Em mensagem ao Congresso Nacional do PT, Lula recomendou aos militantes serem “moderados” e “realistas”. “A mensagem é clara: não vai acontecer muita coisa”, traduziu Pimenta. Ao mesmo tempo, o presidente do PT, Edinho Silva, discursou afirmando que o Partido “não é do sistema”, mas as medidas que apresentou são todas pequenas reformas dentro do próprio sistema.

PCO convoca ato classista e internacionalista

Diante deste quadro, o PCO e os Comitês de Luta convocam para esta sexta-feira, 1º de maio, um ato classista, independente, internacionalista e anti-imperialista em frente ao Theatro Municipal de São Paulo, às 11 horas. “Embora pequeno, não podemos deixar. Seria uma capitulação muito grande não fazer nada no 1º de Maio. É meio absurdo, é entregar os pontos”, justificou Pimenta. “Vamos aproveitar o 1º de Maio para denunciar o imperialismo, levantar as reivindicações operárias. É uma questão fundamental, não deixar passar em brancas nuvens o 1º de Maio”.

A convocação tem como destaque a defesa da República Islâmica do Irã frente à ofensiva imperialista conduzida pelos Estados Unidos e pelo regime sionista, além das reivindicações mais candentes da classe trabalhadora brasileira e internacional.

“É o dia da classe operária. Nós somos um Partido operário, nós somos um Partido comunista”, concluiu o presidente do PCO. “Queria chamar todo mundo que está acompanhando o PCO a participar”.

Após o ato, os militantes vindos de norte a sul do País se confraternizarão no churrasco do 1º de Maio, no Centro Cultural Benjamin Péret (CCBP), na Rua Conselheiro Crispiniano, 73, a partir das 14 horas.

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