São Paulo

USP oferece auxílio como concessão parcial aos alunos grevistas

Medida permite que alunos que não conseguiram se inscrever no Papfe ou que não foram contemplados e tiveram mudança socioeconômica peçam apoio financeiro e gratuidade nos RUs

A Universidade de São Paulo (USP) abriu, na segunda-feira (25), a possibilidade de solicitação de auxílio emergencial para estudantes de graduação e pós-graduação. A medida permite que alunos que não conseguiram se inscrever no Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (Papfe), ou que não foram contemplados e tiveram mudança na situação socioeconômica, peçam apoio financeiro e gratuidade nos restaurantes universitários.

O anúncio foi feito pela Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (Prip). O auxílio tem valor equivalente ao auxílio permanência integral e deve ser solicitado por meio do Serviço Social do campus. A medida também inclui gratuidade nos restaurantes universitários, com complementação automática de crédito no cartão RUCard para café da manhã, almoço e jantar.

Os auxílios serão concedidos por prazo determinado, até a concessão do Papfe 2027. O resultado da avaliação deve sair até o dia 10 do mês seguinte à solicitação oficial.

A decisão foi tomada em meio à greve estudantil nas universidades estaduais paulistas. A paralisação começou na USP em abril e atingiu setores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Em 20 de maio, estudantes das três instituições fizeram um ato em São Paulo, saindo do Largo da Batata em direção ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual.

A organização estimou cerca de 10 mil participantes. Os estudantes cobraram mais recursos para permanência, contratação de professores, moradia e alimentação.

Na USP, uma das principais reivindicações é a situação do Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (Crusp). Moradores apontam infiltrações, mofo, rachaduras, goteiras, elevadores parados, cozinhas inutilizadas, falta de equipamentos contra incêndio e escadas de emergência danificadas.

Os estudantes também reivindicam aumento no valor dos auxílios. Uma das propostas é que o benefício passe a equivaler a um salário mínimo paulista, de R$1.804, além da ampliação do programa. A USP propôs reajuste pelo IPC-Fipe, elevando o auxílio integral a R$912,00 e o parcial com moradia a R$340,00.

A pressão contra a greve também aumentou. O Instituto de Física da USP informou que estudantes precisariam retornar às aulas imediatamente para evitar prejuízo ao semestre letivo. A situação foi apresentada como mais grave para calouros, que poderiam ter matrícula cancelada e perder vínculo com a universidade caso o calendário não fosse retomado.

Com a abertura do auxílio emergencial, a USP reconhece que há estudantes sem atendimento adequado pelo programa regular. A medida, no entanto, tem prazo determinado e não atende às principais reivindicações apresentadas pela greve, como a ampliação dos auxílios, a reforma do Crusp e a garantia de alimentação e moradia.

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