Ricardo Machado

É dirigente do Sindicato dos Bancários de Brasília e ex-dirigente da CUT-DF. Integra a Coordenação dos Comitês de Luta do DF e Membro do Partido da Causa Operária (PCO)

Coluna

Uma verdadeira campanha salarial se faz com pautas concretas 

Campanha salarial se faz com a luta por reivindicações concretas, com pautas em que o trabalhador se sinta com vontade de sair para a luta

Depois de dois anos sem campanha salarial, devido à política de colaboração da burocracia sindical com os banqueiros, através dos famigerados acordos bianuais, em que a categoria teve que amargar, em 2025, devido ao acordo bianual assinado em 2024, o fajuto índice do INPC e o também fajuto “ganho real” de 0,6%, será realizada, na cidade de São Paulo, a 28ª Conferência Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, entre os dias 19 e 21 de junho, cujo objetivo é debater e aprovar as reivindicações que serão levadas para a mesa de negociação junto aos banqueiros.

A primeira questão que chama a atenção, mas não nos espanta, já que tal política já faz parte da campanha de desmobilização organizada, ao longo dos últimos anos, pela burocracia sindical que dirige o movimento dos trabalhadores bancários, ou seja, a corrente do PT, Articulação (nos bancários, Artban), da Contraf/CUT e dos principais sindicatos nacionais, é o tema genérico da campanha que, logicamente, não irá despertar interesse por parte da categoria bancária.

“Pelos bancários e pelo Brasil: mais salários, empregos e direitos, mais futuro para todos” e, segundo a burocracia, a 28ª Conferência “irá consolidar a pauta de reivindicações para a renovação da CCT (Convenção Coletiva de Trabalho, grifo nosso)”. (Site Contraf/CUT, 15/06/2026)

Para ludibriar a categoria, a burocracia utiliza temas genéricos para induzir os trabalhadores à aceitação de uma pauta rebaixada, do famigerado acordo bianual etc., sem nenhuma conquista real. Campanha salarial se faz com a luta por reivindicações concretas, com reivindicações em que o trabalhador se sinta com vontade de sair para lutar, por reivindicações reais, já que as suas condições de vida estão extremamente depauperadas.

Luta contra a ofensiva dos banqueiros; reposição das perdas salariais de 27%; não às demissões; não à terceirização; chega de metas: esse, sim, deveria ser o tema para levantar a mobilização da categoria.

A categoria bancária, ao longo dos últimos anos, devido à política de paralisia das suas direções, passa por uma situação extremamente grave. Arrocho salarial, demissão em massa, terceirização, adoecimento por conta da pressão para o atingimento de metas; encontra-se numa situação de total endividamento no cheque especial, no cartão de crédito, com agiotas etc. e, para isso, é necessária a organização de uma verdadeira campanha salarial no sentido de, pelo menos, amenizar tamanho ataque.

Nos últimos anos, não foi deflagrado um único movimento que se digne chamar de campanha salarial. O que vemos é essa mesma burocracia sindical correndo atrás dos banqueiros, com o pires na mão, a implorar pelas tais “negociações sérias”, o que tem levado a categoria a uma situação de quase indigência. Não podemos ter dúvida de que, com esse tema da atual campanha salarial dos bancários, teremos mais do mesmo.

Além disso, o tema da burocracia sindical para a campanha salarial dos bancários de 2026 traz a defesa “Pelos bancários e pelo Brasil”, em que defende que mesmo os melhores acordos de nada adiantarão se “perdermos as eleições presidenciais e legislativas” (idem). Ou seja, diante das necessidades mais vitais e prementes — a luta contra a ofensiva dos banqueiros e seus governos, o desemprego em massa, o fechamento de centenas de agências, o arrocho salarial, as terceirizações, a inflação etc. —, tudo que o conjunto da esquerda, capitaneada pela Articulação/PT, tem a oferecer é subordinar todas elas à expectativa de vitória eleitoral em 2026. Todas as necessidades ficarão em suspenso, sob a promessa de que, após as eleições, seria liberado o grito do jingle da campanha de 2022: “Sem medo de ser feliz”.

Essa política fracassou nas eleições de 2022 e a conclusão que tiramos é que “não valeu não ter medo de ser feliz”. Para os bancários, a estratégia democratizante de subordinar as necessidades ao regime político burguês e às eleições nada mais é que um caminho de derrotas.

É preciso organizar um verdadeiro movimento nacional em oposição a toda essa política de fracassos que vem se aprofundando na política nacional e no interior dos sindicatos.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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