Há setores na esquerda que não podem ver gente na rua que já pensam que estamos diante de uma revolução. Como mostra a coluna No Kings – Milhões ocupam as ruas nos EUA. E depois?, de José Carlos Miranda, publicado no sítio Esquerda Online neste domingo (30). A primeira frase que abre seu texto fala sobre “Ventos alvissareiros vindos do Norte!”
Quais seriam os tais ventos? Segundo o colunista, no sábado (28), acompanhou as manifestações e assistiu “a todos os discursos no Capitólio em St Paul Minnesota”.
Segundo Miranda, o evento No Kings March III, “foi reconhecido até pela mídia corporativa como o maior protesto em número de manifestantes nas ruas contra um presidente na história dos EUA”. E, conforme os organizadores, teriam sido “mais de 8 milhões em mais de 3.100 localidades em todos os 50 estados e mais em 16 países. No exterior houve massivas manifestações em Londres, Roma, Bruxelas, Valência e Madri na Espanha, Copenhagen, Tóquio entre outras cidades”.
A primeira coisa que deveria chamar a atenção é o número de pessoas e tantas localidades. No Brasil, o último evento de “esquerda” que reuniu bastante gente foi promovido pela Rede Globo, recheado de artistas e celebridades, além de ampla cobertura. Essa empresa, como já é sabido, está longe de ser democrática, pois não pode ver um golpe que vai lá e apoia.
Os protestos de setembro de 2025 tinham como intuito pressionar o Congresso e ganhar mais espaço para o Supremo Tribunal Federal (STF), que vem há tempos servindo como principal ferramenta da burguesia para controlar o sistema político no País. Portanto, apesar de pessoas nas ruas, as reivindicações tinham cunho reacionário.
ONGs
Por trás dessas manifestações está a Together Alliance que, como já escrevemos, é uma coalização sediada no Reino Unido, que organiza grandes manifestações contra a extrema-direita, o racismo e a xenofobia.
Essa coalizão não possui um único financiador, sendo mantida por uma rede diversificada de organizações e doações diretas. A organização Indivisible, peça-chave do No Kings, recebeu doações milionárias da Open Society de George Soros. E há grupos ligados ao empresário Neville Roy Singham, conhecido por financiar causas da “esquerda” pelo mundo. Que interesses organizações multimilionárias, e até bilionárias, teriam em financiar a esquerda, sendo que seu propósito é justamente lutar contra o grande capital?
Miranda comemora, diz que “a novidade desta vez foi o desenvolvimento do movimento ‘No Kings’, além do crescimento do número de manifestações e participantes, é a adição de palavras de ordem mais objetivas somadas ao slogan contra o autoritarismo do governo Trump, ‘NO ICE e NO WAR’”. Não deveria espantar, visto que há uma bela injeção de dinheiro para que isso acontece; o mesmo que vimos no Brasil com a intervenção da Rede Globo.
Revolução colorida
Essas manifestações têm todos os aspectos das revoluções coloridas. Para o imperialismo interessa pressionar Donald Trump e, pelo menos até agora, colocar um freio na extrema direita.
George Soros esteve por trás do Junho de 2013 no Brasil; financiou os nazistas do Euromaidan na Ucrânia (2014); na Revolução das Rosas na Geórgia em 2003; na Venezuela onde investe pesado em ONGs de “direitos humanos” e “imprensa independente”… são inúmeras ingerências. Além disso, Soros é um dos maiores doadores do Partido Democrata nos EUA.
Assim como no ato da Rede Globo, Miranda diz que falaram “grandes lideranças políticas, sindicais, de organizações sociais e artistas como Joan Baez, Bruce Springten, Jane Fonda”. Classificou todos os discursos como “emocionantes”.
Segundo o colunista, “as espetaculares manifestações e protestos No Kings III já são um fato histórico e para além disso impulsiona a Frente Única para construção de uma Greve Geral no 1º de Maio, a única força política capaz de derrotar Trump e seu projeto neofascista é o poderoso proletariado dos EUA.”. Um proletariado financiado pelo capital? Um pouco difícil de acreditar. Além disso, é mais do que sabido que a esquerda americana está completamente infiltrada pela CIA e pelo FBI.
Indo para o final, Miranda que “como declarou a coordenadora nacional e co-fundadora do Indivisible (uma das organizações fundadoras do No Kings) Ezra Levin em Minesotta: “…no 1º de maio nós diremos, Sem Trabalho, Sem Compras, Sem Aulas” e seguiu ‘…nós estamos construindo a coragem e o sacrifício demonstrados pelo povo de Minesotta…’”.
Ilusões
“Como disse um velho comunista na minha juventude”, escreve Miranda, “não há nada fora da luta de classes”. De fato, a burguesia tem sabido como infiltrar e controlar determinados movimentos supostamente de esquerda.
Para o colunista, “seguir acompanhando a dinâmica da luta de classes nos EUA que tem demonstrado o crescimento da força política que pode derrotar a extrema direita, a partir da resistência ao projeto de Trump e abrir caminho para uma mudança na atual correlação de forças, fiquemos muito atentos”.
É bom ficar atento, pois está muito claro que essas manifestações cumprem planos do grande capital.
Não é segredo que o imperialismo nunca desejou Donald Trump no poder. Trump é tratado como fascista, mas, curiosamente, todos os países “democráticos” ficaram a seu lado na guerra de agressão contra o Irã. Podem estar refugando agora, que a coisa parece não anda muito bem. No entanto, a guerra serviu para tirar a maquiagem da democracia burguesa e se revelou sua verdadeira face: a do fascismo.
Fascismo e democracia burguesa são apenas face de uma mesma moeda: a burguesia.
O dever da esquerda é denunciar movimentos como o “No Kings”, pois apoiar esse tipo de manifestação é colocar a classe trabalhadora no colo do imperialismo.





