O Brasil vive uma verdadeira guerra que se manifesta nos alarmantes números de homicídios registrados anualmente. Em 2024, o país registrou oficialmente 42.590 homicídios, segundo o Atlas da Violência 2026, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Este número coloca o Brasil na liderança mundial em números absolutos de homicídios, superando países com populações significativamente maiores, como Índia e China, e até mesmo nações em guerra, como a Rússia.
Embora o relatório destaque uma redução na taxa de homicídios de 7,4% em relação a 2023, com uma queda de 6,9% em números absolutos, os dados devem ser interpretados com cautela. A categoria de mortes violentas por causa indeterminada cresceu, sugerindo que os homicídios podem estar subnotificados. Estimativas indicam que o total real poderia chegar a 49.673 homicídios em 2024, o que reduziria a queda para apenas 0,4% em relação ao ano anterior.
Esta discrepância aponta para um cenário ainda mais grave, onde o Brasil, junto com Nigéria, Índia, México e África do Sul, concentra cerca de 40% das mortes violentas intencionais do globo. Tal dado é alarmante, considerando que estes países apresentam grandes totais de vítimas, mas não necessariamente as taxas proporcionais mais elevadas.
Outro aspecto preocupante revelado pelos dados é a participação das forças policiais no total de homicídios. Estima-se que entre 12 e 15% dos homicídios foram cometidos por agentes do Estado, totalizando mais de 6 mil mortes por ano. Este dado revela que a repressão estatal é um fator crucial no aumento da violência, afetando majoritariamente a população pobre e negra.
Este cenário reflete uma política de segurança na qual a repressão é usada como ferramenta para conter a revolta popular. Tanto a direita quanto parte da esquerda têm apoiado medidas que intensificam essa repressão, como penas mais severas e aumento dos gastos em segurança, o que serve apenas para manter o regime atual que beneficia uma minoria abastada.
Para mudar este quadro, é necessária uma reforma profunda da política de segurança pública. O que inclui a dissolução da Polícia Militar e de todo o aparato repressivo, substituindo-os por polícias municipais sob controle popular, com eleição e destituição democrática dos postos de comando. Além disso, é crucial reduzir penas e o encarceramento da população pobre, investindo pesadamente em educação, saúde e geração de empregos.
Essas mudanças demandam uma mobilização popular significativa para desafiar o regime atual, uma ditadura a serviço dos interesses financeiros.





