O governo Donald Trump anunciou nesta sexta-feira (13) que enviará “muito em breve” um segundo porta-aviões norte-americano ao Oriente Médio, elevando o nível da chantagem militar contra o Irã enquanto diz manter negociações “diplomáticas” com Teerã. A movimentação ocorre após novas ameaças públicas do presidente dos EUA, que falou em consequências “traumatizantes” caso não haja acordo.
Segundo as informações divulgadas pela imprensa, o navio em deslocamento é o USS Gerald R. Ford, maior porta-aviões do mundo e principal plataforma de projeção de força da Marinha dos EUA. A embarcação estava há meses no Caribe e agora deve se juntar ao USS Abraham Lincoln, que permanece na região do Golfo desde janeiro, ampliando as opções para uma intervenção militar.
O USS Gerald R. Ford é um porta-aviões de propulsão nuclear, com cerca de 333 metros de comprimento, capaz de transportar por volta de cinco mil militares e operar dezenas de aeronaves, como caças e helicópteros. Na prática, trata-se de uma base militar flutuante, usada historicamente pelos Estados Unidos para impor sua política pela força em regiões estratégicas.
Ao mesmo tempo em que desloca armamento pesado, Trump afirma pressionar por um acordo — especialmente sobre o programa nuclear iraniano. As conversas teriam sido retomadas em 6 de fevereiro, em Omã, mas a continuidade é incerta. O próprio Trump condicionou as negociações a uma escalada de ameaças: “é preciso chegar a um acordo, caso contrário será muito traumatizante”, disse na quinta-feira (12).
A pressão militar se soma ao discurso do governo israelense. O primeiro-ministro Benjamin Netaniahu, que esteve em Washington nesta semana, declarou ceticismo quanto a qualquer acordo com o Irã e defendeu a inclusão de exigências sobre mísseis balísticos e o apoio iraniano a grupos na região — pauta que, na prática, funciona como pretexto permanente para manter a tensão e justificar agressões.
Em paralelo, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou que um entendimento sobre inspeções “é possível”, mas “terrivelmente difícil”, citando recusas do Irã em permitir inspeções em locais bombardeados no ano passado.
No terreno interno, o noticiário registra nova convocação de protestos por Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, exilado nos Estados Unidos. Ele chamou atos no exterior e instou iranianos a se manifestarem “de suas casas”.




