Política internacional

Trump chega à China para reunião com Xi Jinping

Encontro ocorre em meio à trégua comercial estabelecida entre os países em outubro de 2025

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou nesta quarta-feira (13) a Pequim, na China, para uma visita de Estado e uma reunião com o presidente chinês, Xi Jinping. O encontro ocorre em meio à guerra no Irã, à disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo e às tensões em torno de Taiuã, terras raras, semicondutores e inteligência artificial.

Trump foi recebido pelo vice-presidente da China, Han Zheng. A recepção incluiu tapete vermelho, guarda de honra, banda militar e jovens chineses com bandeiras dos dois países. Segundo o governo norte-americano, também participaram da recepção o embaixador dos EUA, David Perdue, e o embaixador chinês, Xie Feng. A visita prevê dois dias de reuniões com Xi Jinping, incluindo uma recepção oficial no Grande Salão do Povo, em Pequim.

Antes de embarcar para a China, Trump disse que pretendia ter uma “longa conversa” com Xi Jinping sobre a guerra no Oriente Próximo, embora tenha minimizado a necessidade de ajuda chinesa para resolver a crise. Segundo ele, os Estados Unidos não precisariam da mediação em relação ao Irã.

“Não acho que precisamos de ajuda com o Irã. Vamos resolver isso de um jeito ou de outro, pacificamente ou não”, declarou Trump a jornalistas.

A China é uma das principais compradoras de petróleo iraniano e mantém relações próximas com o país persa. O conflito também afetou o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do petróleo mundial antes da guerra. A reabertura plena da rota interessa diretamente à China, que depende da estabilidade no fornecimento de energia para sustentar sua economia.

Além da guerra, a reunião deve tratar da disputa comercial entre os dois países. Desde o início de seu segundo mandato, Trump voltou a usar tarifas contra produtos chineses, tentando conter a ascensão econômica e tecnológica da China. O país asiático respondeu com medidas próprias, entre elas restrições envolvendo terras raras, minerais fundamentais para a indústria de tecnologia, defesa e transição energética.

As terras raras devem ocupar lugar central na conversa. A China lidera a produção e o processamento desses minerais, enquanto os Estados Unidos dependem de parte desses insumos para sua indústria militar e tecnológica. Entre os materiais mais sensíveis estão o samário e o neodímio, usados na fabricação de ímãs empregados em equipamentos militares, semicondutores e produtos de alta tecnologia.

Outro tema previsto é Taiuã. Trump afirmou que deve discutir com Xi Jinping a venda de armas norte-americanas para a ilha. A China considera Taiuã parte de seu território e se opõe ao fornecimento de armamentos pelos Estados Unidos. A China defende a política de “uma só China” e rejeita qualquer reconhecimento de independência política da ilha.

Também estão na pauta a inteligência artificial e os semicondutores. Assessores do governo Trump demonstram preocupação com o avanço de modelos chineses de IA e com a capacidade da China de competir em setores estratégicos. Os Estados Unidos vêm restringindo o acesso chinês a chipes avançados, enquanto a China busca reduzir sua dependência tecnológica.

A viagem de Trump também tem uma dimensão econômica direta. O presidente norte-americano foi acompanhado por uma comitiva de empresários, entre eles executivos de grandes companhias dos Estados Unidos. O objetivo declarado é pressionar por maior abertura do mercado chinês a empresas norte-americanas.

O encontro ocorre depois de um período de trégua comercial entre os dois países. Em outubro de 2025, Trump e Xi haviam se reunido e concordado em pausar a guerra tarifária.

China e Estados Unidos estão entre os principais parceiros comerciais do Brasil. Além disso, a disputa por minerais críticos coloca o Brasil em posição importante, já que o território brasileiro possui grandes reservas desses insumos.

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