Donald Trump reconheceu que a morte de dirigentes iranianos em ataques norte-americanos dificultou as negociações que Washington afirma buscar com o Irã. Durante um comício realizado na segunda-feira (12) em Youngstown, Ohio, disse que os Estados Unidos talvez tenham ido “longe demais” ao atingir a direção do país.
“Talvez tenhamos ido longe demais com os dirigentes, porque não sabemos mais com quem diabos estamos lidando”, afirmou. Trump não lamentou a violação da soberania iraniana nem anunciou o fim dos ataques. Falou da dificuldade criada para os planos de seu próprio governo: depois de matar autoridades, Washington já não sabe a quem dirigir suas exigências.
O presidente acrescentou que ninguém desejaria assumir a presidência do Irã. Na mesma fala, repetiu que o país não poderá desenvolver armas nucleares. A combinação de ameaça militar e cobrança diplomática resume o método norte-americano: os Estados Unidos querem definir a direção política e os meios de defesa de outro país e, ao mesmo tempo, exigir que seus representantes compareçam à mesa de negociação.
A ausência de interlocutores não resulta de uma recusa inexplicável de Teerã. É consequência da agressão admitida pelo próprio Trump. O Irã já apresentou em propostas anteriores exigências para encerrar a guerra, suspender sanções e obter reparações pelos danos sofridos. Washington mantém sua pressão militar sem aceitar essas condições.



