Os bancários da Caixa Econômica Federal, em assembleia virtual realizada nessa segunda-feira (21), rejeitaram, pela terceira vez, as propostas dos patrões, diante dos violentos ataques às suas condições de vida, principalmente na questão do Plano de Saúde da categoria, em que os banqueiros da Caixa se recusam a arcar com o que é legitimamente devido por eles.
Segundo o informativo da Contraf/CUT, no último levantamento feito pela entidade, “102 bases sindicais haviam comunicado a rejeição da proposta, entre elas São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre. A proposta havia sido aprovada em 30 bases sindicais” (site da Contraf/CUT, 21/09/2026).
Ou seja, os bancários da Caixa Econômica, que se encontram em greve há 12 dias, não aceitaram a proposta do banco, que, em comparação às primeiras negociações, não se diferencia em praticamente nada. Os banqueiros, como diz a gíria popular, tentam passar um melzinho na chupeta, oferecendo um “abono” de R$ 3 mil.
Logicamente, a decisão dos trabalhadores da Caixa de manter a greve leva em consideração o acordo que a burocracia sindical fez com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) em relação à CCT (Convenção Coletiva de Trabalho) — acordo esse que diz respeito a todos os bancos — de reajustar os salários em míseros 0,6% de “ganho real”, o que não afeta em praticamente nada o bolso do trabalhador. No caso da Caixa, esse “reajuste” será superado, e muito, pela proposta da direção do banco de aumentar os descontos relacionados ao Saúde Caixa.
A proposta inicial do banco previa a elevação da participação da Caixa de 6,5% para 8% da folha de pagamento; mudança do modelo para cobrar taxas de 2,30% a 4,10% sobre o salário-base do titular, de acordo com a faixa etária; cobrança variando de R$ 480 a R$ 660 por dependente, também dependendo da idade; instituição de uma 13ª mensalidade por ano; reajuste do teto anual por grupo familiar de R$ 3.600 para R$ 4.000; e aumento de R$ 75 para R$ 150 por consulta em pronto atendimento, cobrado fora do teto de coparticipação.
A proposta inicial do banco quebraria o pacto intergeracional, cujo modelo é de solidariedade, em que todos pagam taxas iguais, independentemente da idade. Além disso, a proposta pesava, e muito, no bolso daqueles que têm dependentes.
Com a não aceitação dessa proposta, os trabalhadores mantiveram a greve e, em consequência, o banco apresentou uma nova proposta, que aumenta o custeio por parte da Caixa para 9% da folha de pagamento; mantém a forma de cobrança solidária, acabando com a diferenciação por faixa etária; reduz a taxa por dependente para R$ 450, independentemente da idade; fixa o teto de coparticipação em R$ 4.000; estabelece o valor de R$ 90 por consulta em pronto-socorro; e garante a manutenção no plano, após a aposentadoria, aos trabalhadores admitidos por concurso a partir de 2018.
A rejeição da “nova” proposta do banco não deixa dúvida de que os trabalhadores não aceitam mais o tamanho dos ataques às suas condições de vida que a direção do banco tenta impor: um gigantesco arrocho em seus já miseráveis salários para os próximos dois anos, já que a burocracia sindical adotou o famigerado acordo bianual.
Ao longo dos últimos anos, os ataques dos banqueiros e de seus governos às empresas estatais só têm aumentado, com demissões em massa, arrocho salarial, fechamento de agências e dependências bancárias, terceirização, privatização das subsidiárias etc. A categoria só vem sofrendo sucessivas derrotas porque os patrões contam com a colaboração da burocracia sindical.
Nos demais bancos, defenderam e aprovaram um acordo ultrarrebaixado, de reajuste dos salários em apenas INPC + 0,6% nos próximos dois anos. Na Caixa, defenderam, desde a primeira proposta, sua aceitação, com a justificativa esfarrapada de que o banco ameaçava entrar no TST com o dissídio etc. e tal. Ao contrário disso, depois que a categoria passou por cima de suas direções e partiu para a greve, mostrou sua força, fazendo com que a direção da Caixa voltasse atrás e propusesse uma nova negociação.
Agora, com essa “nova” proposta do banco, mesmo contando com a defesa da burocracia sindical, os trabalhadores rejeitaram novamente uma proposta que não atende aos seus interesses.
A greve dos trabalhadores da Caixa mostra que os patrões não dão nada a não ser que haja uma verdadeira mobilização da categoria, com milhares de bancários nas ruas, parando as agências, dependências e setores tecnológicos. Somente dessa forma os banqueiros irão atender às suas reivindicações.
Diferentemente das posições da burocracia sindical, que defende mesas de negociações “respeitosas” com os banqueiros, não há respeito algum por parte desses parasitas da economia nacional. Eles não estão nem aí para os trabalhadores. Eles só são “sensíveis” às reivindicações dos trabalhadores diante das grandes mobilizações da categoria, como vêm demonstrando os bancários da Caixa.
Quando fechávamos esta edição, o Ministério Público do Trabalho havia recorrido ao TST para tentar buscar uma solução para o impasse na renovação do Acordo Coletivo de Trabalho.



