Empregados da Caixa Econômica Federal e dos Correios mantêm greves nacionais contra propostas que aumentam despesas com os planos de saúde e retiram direitos. As duas estatais reagiram às paralisações ameaçando ou recorrendo ao Tribunal Superior do Trabalho (TST).
Na Caixa, a greve começou na quinta-feira (10), depois da rejeição do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Mais de 90% das bases sindicais recusaram a primeira versão apresentada pelo banco.
Uma nova oferta foi submetida às assembleias na sexta-feira (11). Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, 68% dos participantes votaram contra o texto e pela continuidade da paralisação.
A principal divergência está no Saúde Caixa. O banco propõe elevar de 6,5% para 8% o teto de sua participação no custeio do plano, ao mesmo tempo que amplia as cobranças dos empregados. O desconto sobre o salário-base passaria a variar entre 2,30% e 4,10%, de acordo com a idade. Cada dependente custaria de R$480,00 a R$660,00.
O teto anual de coparticipação por família subiria de R$3.600,00 para R$4.800,00. A proposta também estabelece limite de 9% para o grupo familiar e cobrança de 13 mensalidades.
Para cobrir o déficit do plano, a Caixa pretende antecipar sua parte da 13ª mensalidade referente aos anos de 2028, 2029 e 2030. Também prevê pagamentos ligados ao Programa de Assistência Médica Supletiva (PAMS) a partir de 2027.
A empresa ofereceu ainda prêmio de R$3.000,00 por empregado e pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) no dia 18. Em contrapartida, a consulta em pronto-socorro passaria de R$75,00 para R$150,00 e ficaria fora do teto de coparticipação.
O novo modelo começaria a valer em janeiro de 2027. Quem atualmente está fora do Saúde Caixa teria 90 dias para aderir. Depois de uma eventual saída, porém, não poderia retornar ao plano.
Antes das assembleias, a Caixa já havia advertido que poderia retirar a oferta e pedir dissídio coletivo caso os trabalhadores não a aprovassem dentro do prazo. Após a rejeição, classificou o texto como definitivo e voltou a ameaçar recorrer à Justiça do Trabalho.
Agências amanheceram fechadas em São Paulo, Paraná e outras regiões. Os caixas eletrônicos permaneceram em funcionamento, e a empresa orientou os clientes a utilizar seus serviços eletrônicos.
A greve ocorre depois da assinatura, em 9 de setembro, da convenção coletiva geral dos bancários com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). O acordo estabelece reposição do INPC acumulado entre setembro de 2025 e agosto de 2026, acrescida de 0,6% de aumento real sobre salários, vale-alimentação, vale-refeição, auxílio-creche e PLR.
O reajuste geral, portanto, não é o principal motivo da greve na Caixa. Nas assembleias realizadas em São Paulo no início do mês, os trabalhadores dos bancos privados aprovaram a convenção com 66,10% dos votos, enquanto 90% dos empregados da Caixa recusaram o acordo específico da estatal. No Banco do Brasil, o ACT foi aprovado por 51,65%, e há paralisação parcial.
Nos Correios, a greve por tempo indeterminado começou às 22 horas de quinta-feira, após sucessivas rodadas de negociação sem acordo e tentativas de mediação do TST.
Segundo a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect), todas as 35 assembleias contabilizadas aprovaram a paralisação. O movimento atingiu São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Maranhão e Mato Grosso do Sul, entre outros estados. Sindicatos ligados à Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) também aderiram.
Uma das principais divergências é a Postal Saúde. A direção dos Correios pretende alterar a condição da estatal como mantenedora do benefício, abrindo caminho para que o sistema atual seja substituído por uma operadora contratada. A Findect afirma que a mudança ameaça o financiamento do plano e a assistência oferecida aos empregados, aposentados e dependentes.
Em 12 de agosto, os Correios apresentaram proposta com reajuste de apenas 0,87% nos benefícios, fim da gratificação de férias de 70% e mudança no modelo de assistência à saúde.
Posteriormente, a empresa passou a oferecer reajuste salarial de 4,35% a partir de agosto e correção dos salários e benefícios pelo INPC. A direção afirma que o texto preservava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo anterior. As assembleias recusaram a oferta.
Na noite de sexta-feira, os Correios acionaram o TST, pedindo abertura de dissídio coletivo e a declaração de abusividade da greve. A empresa também quer uma decisão urgente que obrigue a manutenção dos serviços. A Findect mantém a orientação de paralisação e convocou a ampliação da mobilização a partir de segunda-feira (14).
Os Correios afirmam que as agências permanecem abertas por meio do remanejamento de equipes, deslocamento de empregados administrativos para funções operacionais, reforço da frota e realização de mutirões.
Ao mesmo tempo em que procura reduzir despesas com direitos dos empregados, a estatal enfrenta uma grave crise financeira. No segundo trimestre de 2026, registrou prejuízo de R$2,4 bilhões.
A direção solicitou garantia do Tesouro Nacional para contratar um empréstimo de R$7 bilhões junto a Citibank, J.P. Morgan, Deutsche Bank e Banrisul. A previsão é que os recursos sejam recebidos até 15 de setembro.





