Os bancários aprovaram uma paralisação nacional de 24 horas para esta quinta-feira (20), após sete rodadas de negociação nas quais os banqueiros se recusaram a apresentar um índice de reajuste salarial e ainda procuraram retirar direitos da categoria. A decisão das assembleias é uma primeira resposta concreta à política patronal e confirma o que vem sendo defendido por este Diário Causa Operária: diante dos bancos, não há saída sem mobilização e greve.
A proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) foi rejeitada de maneira esmagadora. Em São Paulo, 97,66% votaram contra a proposta e 89,34% aprovaram a paralisação. No Rio de Janeiro, 1.760 dos 1.808 participantes rejeitaram o que foi apresentado pelos bancos, enquanto 1.709 votaram pela paralisação. Na Paraíba, 96,48% rejeitaram a proposta e 95,02% apoiaram a suspensão do trabalho por 24 horas.
Os números revelam uma disposição de luta muito superior à política que vinha sendo aplicada nas mesas de negociação. A Fenaban teve semanas para responder às reivindicações e, em vez disso, chegou à sétima rodada sem oferecer reajuste. Os bancos propuseram congelar o piso salarial de ingresso dos novos funcionários e estabelecer reajustes diferentes de acordo com faixas salariais. Chegaram também a defender a redução dos vales-refeição e alimentação em cidades do interior, recuando deste último ataque durante a própria reunião.
Nada disso surgiu de repente. No início de agosto, quando os banqueiros ameaçaram acabar com a mesa única de negociação e separar os funcionários dos bancos públicos dos trabalhadores dos bancos privados, o objetivo da manobra já era nítido. A unidade nacional é uma das principais conquistas dos bancários. A Convenção Coletiva de Trabalho estabelece direitos para a categoria em todo o País e impede que os patrões negociem separadamente para impor condições piores aos setores mais frágeis. Dividir os bancários é, para os bancos, uma maneira de enfraquecê-los antes de avançar sobre salários, empregos e direitos.
Poucos dias depois, a situação ficou ainda mais evidente. A Fenaban continuava convocando reuniões sem colocar sobre a mesa uma proposta econômica efetiva. Em vez de negociar aumento salarial, os banqueiros procuravam justificar sua posição com argumentos sobre concorrência e custos. Prolongar indefinidamente as reuniões apenas dava aos patrões mais tempo, enquanto a categoria permanecia sem uma mobilização à altura da campanha.
Na negociação específica do Banco do Brasil, a direção da empresa procurou apresentar um reajuste de 5% acima do INPC como uma ameaça às contas do banco. O argumento destoava dos próprios resultados da instituição: somente as receitas de tarifas do Banco do Brasil haviam chegado a R$34,813 bilhões, diante de R$22,527 bilhões gastos com pessoal, encargos, benefícios e Participação nos Lucros e Resultados.
É diante dessa situação que precisa haver um movimento nacional unificado e a preparação de uma greve capaz de paralisar o sistema financeiro. A importância da decisão tomada agora pelos bancários está precisamente aí. A paralisação de quinta-feira começa a tirar a campanha salarial do terreno exclusivo das reuniões com a Fenaban e colocá-la onde pode produzir resultados: nos locais de trabalho.
Essa é também a política tradicional defendida pelo Partido da Causa Operária para a categoria. As reivindicações dos trabalhadores não devem ser estabelecidas de acordo com aquilo que os banqueiros afirmam poder pagar. Devem partir das necessidades dos próprios bancários e ser sustentadas por uma mobilização capaz de obrigar os patrões a ceder.
Há meses, este diário vem chamando a atenção para as perdas salariais acumuladas pela categoria, superiores a 27%. Ao mesmo tempo, é muito rebaixada a política das direções de reivindicar aumentos muito pequenos justamente diante do setor capitalista que mais lucra e assalta os trabalhadores. Em campanhas anteriores, enquanto a reivindicação de aumento real ficou em 5%, o resultado chegou a apenas 0,5%. A tradição do movimento operário é a de apresentar reivindicações elevadas (que são justas) e organizar a luta para conquistá-las. É daí que advém a reivindicação histórica de 20% de aumento real.
A mesma orientação apareceu durante a preparação da Conferência Nacional dos Bancários: recomposição dos 27% perdidos nos salários, luta contra as demissões, contra as terceirizações e contra as metas abusivas. Em vez de uma campanha reduzida a palavras genéricas e reuniões com os patrões, a política defendida pelo coletivo Bancários em Luta, membro da Corrente Sindical Nacional Causa Operária, é apresentar reivindicações que correspondam aos problemas concretos dos trabalhadores e organizar a base para lutar por elas.
A ofensiva dos bancos mostra por que essa política é necessária. O setor bancário acumulou patrimônio líquido de R$1,2 trilhão em 2025. Os bancos tiveram mais de R$124 bilhões de lucro naquele ano. Ao mesmo tempo, entre 2015 e 2025, foram eliminados 88 mil postos de trabalho e fechadas 9,5 mil agências, enquanto os cinco maiores bancos aumentaram em 49% a contratação de empresas terceirizadas. O vale-alimentação perdeu 13% de seu valor real entre 2019 e 2025.
Os banqueiros, portanto, não estão procurando economizar para evitar prejuízos. Estão usando o fechamento de agências, as demissões, a terceirização, o arrocho salarial e a redução das despesas com os funcionários para aumentar uma lucratividade que já é gigantesca.
O congelamento do piso para os novos empregados é particularmente grave. Além de reduzir o salário de quem entrar na categoria, criaria trabalhadores realizando funções semelhantes sob condições salariais distintas. O mesmo vale para a tentativa de criar faixas diferenciadas de reajuste. Depois de ameaçar separar bancos públicos e privados, a Fenaban procura agora introduzir divisões dentro da própria estrutura salarial.
A resposta dos bancários precisa ser exatamente o contrário: unidade e mobilização nacional.
Por isso, a paralisação de 24 horas não deve ser encarada como o ponto final da campanha, nem como uma simples advertência destinada a pressionar por mais uma rodada de reuniões. O fato de os bancos terem chegado à sétima rodada sem apresentar reajuste suficiente mostra os limites dessa política. Na noite de terça-feira (18), a Fenaban volta a se reunir com os representantes dos trabalhadores pela oitava vez. Em Brasília, a adesão à paralisação foi condicionada ao resultado das negociações de terça e quarta-feira. Até o fechamento desta matéria, a reunião ainda não havia sido concluída.
É preciso utilizar a decisão das assembleias para colocar a categoria em movimento: percorrer agências e departamentos, realizar reuniões nos locais de trabalho, organizar piquetes e preparar a ampliação da greve caso os banqueiros insistam nos ataques.
Uma campanha salarial digna desse nome deve colocar na ordem do dia a recuperação das perdas salariais, um aumento real significativo, um piso que corresponda às necessidades dos trabalhadores, a defesa dos empregos, o fim das terceirizações e a luta contra as metas abusivas. Não há razão alguma para uma categoria submetida a um dos setores mais lucrativos do País aceitar congelamento salarial, demissões e perda de direitos.
Na quinta-feira, as agências e departamentos devem parar. A força dos bancários não está na disposição da Fenaban para negociar, mas na possibilidade de interromper o funcionamento do sistema financeiro e obrigar os banqueiros a recuar.





