Valéria Guerra

Jornalista (UMESP), historiadora, atriz com DRT-RJ, escritora, colunista do 247, PCO, e do meu site (https://guerraluz.prosaeverso.net/); mestre em Intervenção Psicológica no Desenvolvimento e na Educação; professora do Estado do RJ na cadeira de biologia, poetisa e ativista contra a desigualdade no Brasil e no mundo.

Coluna

Tire a capa do escrutínio do armário!

Como jornalista empenhada na defesa dos direitos humanos e da utilidade pública, fatos como esse causam perplexidade e vergonha alheia

“Quando eu falo em figura pública ou funcionário público, refiro-me àqueles que estão sob a observação e a fiscalização da origem do poder: o povo. Quando pagamos impostos, estamos financiando a folha de pagamento de toda essa gente e, por isso, merecemos respeito. Essas autoridades precisam permanecer sob o escrutínio popular. É por essa razão que acompanhamos ministros do Supremo, presidentes da Câmara, senadores e casos envolvendo suspeitas de venda de emendas e recebimento indevido de dinheiro.

O senador Renan Calheiros fez uma denúncia impressionante: Hugo Motta, presidente da Câmara, teria incluído um ‘jabuti’ em um projeto de lei para permitir que fundos de previdência — atualmente mergulhados em imensos déficits — pudessem aportar recursos no Banco Master. Calheiros também afirmou que a cunhada de Motta teria recebido um empréstimo de R$ 140 milhões do banco, valor que jamais teria sido cobrado. Trata-se de um cenário que remete à corrupção e à concussão — crime cometido quando um agente público, em razão do cargo, exige ou solicita vantagem para si ou para terceiros, direta ou indiretamente, conduta cuja pena pode chegar a 12 anos de prisão.”

Gazeta do Povo, 18/05/2026.

Como jornalista empenhada na defesa dos direitos humanos e da utilidade pública, fatos como esse causam perplexidade e vergonha alheia diante de condutas denunciadas por representantes do próprio meio político.

Percebo que o funcionamento da nossa República parece cada vez mais infecundo, especialmente no que se refere à responsabilidade fiscal, social e humanitária.

Os trabalhadores brasileiros estão cada vez mais adoecidos, tanto no setor público quanto no privado. O salário mínimo tornou-se uma piada antiga, que já deveria ter sido varrida dos anais da História brasileira.

E a enxurrada de notícias que retrata o desmerecimento da classe trabalhadora — especialmente dos professores — continua desmantelando famílias sob o rolo compressor da falta de equidade.

Sem dúvida, reformar e reestruturar não pode continuar a ser o mote. É preciso revolucionar instituições, regras e leis: refundando o estado de direito.

“Nesta segunda-feira, 18/05, o ministro Alexandre de Moraes apresentou seu voto no julgamento do Tema 1218 no Supremo Tribunal Federal, posicionando-se favoravelmente à adoção do piso nacional estipulado pela Lei Federal nº 11.738/2008 como base para o vencimento inicial da carreira do Magistério da Educação Básica estadual, com reflexos nos demais níveis, faixas e classes da carreira escalonada.

Com isso, a votação passou a contar com dois votos favoráveis à categoria e um contrário, do relator, ministro Cristiano Zanin, que apresentou tese extensa e sujeita a diferentes interpretações.

O julgamento foi retomado no dia 15 de maio e está previsto para encerrar-se em 22 de maio, às 23h59. Ainda restam oito votos.”

Por essas e tantas outras razões, é urgente que o povo tire a capa do escrutínio do armário, antes que todos nós sejamos arrastados pelo temporal da desigualdade e da corrupção.

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião deste Diário

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