Agora Lula se torna favorito de vez, esse é o título o artigo de Emir Sader publicado no Brasil 247 nesta quinta-feira (14). Nele, o autor de sustenta que Lula “presidente e pré-candidato amplia favoritismo no primeiro turno após escândalo envolvendo candidato bolsonarista e expõe fragilidade da direita brasileira”.
No primeiro parágrafo, porém, o otimismo vai além da ampliação do favoritismo para o primeiro turno das eleições do em outubro deste ano. Sader diz que “sempre [afirmou] que Lula vai ganhar no primeiro turno. Várias pessoas estranhavam [sua]] afirmação. Afinal, as pesquisas costumam apontar uma situação equilibrada entre os dois candidatos”.
Pode ser que Lula vença no primeiro turno, tudo é possível, a única coisa que atrapalha é o fato de as eleições serem apenas em outubro, o que existe até agora são pré-candidaturas, e muita coisa vai acontecer até o final do ano. Além disso, política não é jogo de adivinhações, e faltam elementos para que se possa dizer com certeza o resultado de eleições.
A empolgação do articulista se apoia no áudio vazado onde se pode ouvir Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro para custear um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.
Sader “afirmava que, quando começasse a campanha, os debates entre Lula e o filho de Bolsonaro seriam um massacre”, mas o debates ainda não começaram. Para ele, “enquanto Lula tem um discurso político muito articulado, ao mesmo tempo que pode apresentar resultados extremamente positivos nos planos econômico e social que herança o filho de Bolsonaro pode apresentar do seu governo, que foi um desastre social?”
Não é verdade que Lula tenha resultados muito positivos para apresentar, uma das medidas recentes do governo foi revogar sua impopular “taxa das blusinhas” que penalizava pessoas que faziam compras da China pela internet e muitas utilizavam esse recurso para complementar a renda revendendo produtos.
O governo foi obrigado a fazer um novo “Desenrola” para liberar um pouco as famílias do endividamento, o que prova que o bolso do povo anda no negativo.
Emir Sader se pergunta: “o que a direita brasileira propõe para o país? Só se ouve o “Fora Lula”, sem dizer o que pretenderiam colocar no seu lugar”. Por outro lado, o que o PT tem a oferecer de verdade? Lula já está em seu terceiro mandato e a realidade do brasileiro não melhorou, será que vai ter como vender um “plano para futuro”?
O escândalo
Segundo Sader, “com a revelação dos diálogos entre Vorcaro e o filho escolhido por Bolsonaro para ser seu candidato, fica escancarado o caráter do candidato bolsonarista”. A corrupção, como se vê continua sendo o principal eixo de disputa tanto da direita quanto da esquerda.
O áudio foi recebido com grande alvoroço pela imprensa alternativa, pois Flávio Bolsonaro vinha representando um perigo real.
“Esse escândalo será, obrigatoriamente, tema da campanha, diante do qual o filho de Bolsonaro estará sempre na defensiva”, afirma Emir Sader, que ainda não se perguntou se a única alternativa da direita seja Flávio Bolsonaro.
O escândalo pode beneficiar um candidato de terceira via. Romeu Zema, por exemplo, já tentou capitalizar criticando o pré-candidato de ter pedido dinheiro para Vorcaro, afirmando que “não adianta criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa”.
Como já foi dito por este Diário, a burguesia não desejava a candidatura de Jair Bolsonaro, pois se trata de um candidato forte. Pretendia com sua prisão conseguir um acordo, a liberdade em troca do apoio à candidatura de um Tarcísio de Freitas, ou algo similar: um neoliberal privatista.
Uma eventual queda de Flávio Bolsonaro nas pesquisas não será automaticamente um aumento de votos para Lula, que também pode ser atingido indiretamente por um escândalo, o do INSS que, embora não se tenha nada de concreto, pode envolver seu filho.
O grande capital dá a entender que ainda continua com seu plano: nem Lula, nem Bolsonaro. Então, não será novidade se for aberta uma CPI do INSS e que isso respingue sobre o petista.
A corrupção é um tema que sempre fica em primeiro plano em ano eleitoral, e isso é muito bem explorado pela grande imprensa, que finge estar do lado da caça aos corruptos. A esquerda, em vez de denunciar essa prática, acaba tentando surfar na mesma onda.
Terceira via
Para o articulista, “fica definitivamente claro como a direita brasileira é bolsonarista e não consegue se livrar dessa pecha. As tentativas de candidatos de uma suposta terceira via, candidatos de centro, revelam-se, rapidamente, variantes do próprio bolsonarismo”. Mas o grande capital não pensa assim.
Todo candidato que tenha uma base social, que tenha votos, é um problema para ser controlado pela burguesia. Jair Bolsonaro, por exemplo, nas últimas presidenciais, fez uma série de concessões para conseguir votos de seu eleitorado, como subsídio ao diesel, etc.
Lula, por sua vez, é um candidato que não tem condições de aplicar medidas muito direitistas, como a privatização total da Petrobrás, ou do Banco do Brasil, pois tais medidas provocariam uma enorme crise em sua base eleitoral.
A crise crescente do capitalismo exige a espoliação dos países atrasados. Necessita de governos como os de Javier Milei, na Argentina, que está entregando as riquezas para os países ricos.
No Brasil, apenas um candidato “sem votos”, de terceira via, pode tentar impor uma política neoliberal incisiva que atenta às necessidades do imperialismo.
Enquanto a esquerda sonha que Flávio Bolsonaro está morto e enterrado, isso ainda não é uma garantia, e a burguesia está articulando, pois tem várias cartas na manga.





