Sirenes de ataque aéreo foram acionadas em Tiberíades e em áreas próximas, no norte da Palestina ocupada, pouco depois da meia-noite desta segunda-feira (1º), após disparos de foguetes a partir do Líbano. A informação foi divulgada por veículos israelenses, em meio à ampliação das operações do Hesbolá contra posições militares e assentamentos ilegais de “Israel”.
O Canal 12 de “Israel” informou que foguetes foram detectados cruzando o território libanês em direção ao norte da Palestina ocupada em duas rajadas separadas. O Canal 14 afirmou que autoridades receberam relatos de impacto de um projétil no assentamento de Kfar Hittim, na Baixa Galileia. As forças de ocupação israelenses confirmaram, depois, que foguetes haviam sido lançados do Líbano.
As ações ocorrem após a Resistência Islâmica no Líbano ampliar, desde sábado (30), o alcance e o ritmo de suas operações no norte da Palestina ocupada. Nos últimos dias, foram atingidas áreas como Safad, Nahariya, Karmiel, Kiryat Shmona e a base de vigilância aérea Meron, utilizada pelo Exército israelense.
O Hesbolá afirmou que as operações são resposta à expansão da agressão israelense contra o Líbano, que vem atingindo civis, hospitais, vilas e infraestrutura no sul do país. O cessar-fogo firmado em 17 de abril não interrompeu os ataques de “Israel”, que continuou bombardeando localidades libanesas e também os subúrbios ao sul de Beirute.
No domingo (31), veículos israelenses relataram sirenes de forma contínua em assentamentos ilegais no norte da Palestina ocupada. Alertas foram acionados em Kfar Giladi e Metula e depois se espalharam para Akka e outras áreas. A Rádio do Exército israelense informou que cinco foguetes foram lançados do sul do Líbano em direção a Nahariya.
Também foram registradas sirenes em Rosh Hanikra, Bassa Beach, Shlomi, Limann, Hanita, Ya’ara e Adamit, após suspeita de infiltração de VANTs a partir do Líbano. O correspondente da Al Mayadeen no sul do Líbano informou que quatro rajadas de foguetes foram disparadas contra assentamentos ilegais no norte da Palestina em um intervalo de 30 minutos. Duas salvas mais intensas foram lançadas em direção a Akka e à baía de Haifa.
Segundo veículos israelenses, seis soldados ficaram feridos, três deles em estado grave, em Beit Hillel, após um ataque com VANT contra uma instalação militar na região de Marj Ibn Amer. As informações indicam que uma instalação militar no norte da Palestina ocupada foi atingida diretamente.
Os relatos israelenses também registraram uma sequência de alertas desde as primeiras horas do dia. “Houve nada menos que 14 ondas de alertas hoje em mais de 30 cidades e localidades, incluindo Acre, onde as sirenes foram ativadas pela primeira vez em três semanas”, informou a imprensa israelense.
O Hesbolá anunciou uma série de operações contra posições, veículos e concentrações de tropas do Exército israelense no sul do Líbano e além da fronteira. No sábado (30), combatentes da Resistência atingiram um tanque Merkava em al-Bayyada, às 23h20, com um míssil guiado de precisão. Cerca de 30 minutos depois, uma força israelense formada por soldados e veículos foi atacada na mesma área com uma rajada de foguetes.
No domingo (31), as operações começaram às 4 horas, quando o Hesbolá atingiu uma concentração de soldados e veículos israelenses em al-Bayyada. Às 8h40, combatentes da Resistência atacaram com um VANT FPV um grupo de soldados israelenses reunidos em um heliponto no assentamento ilegal de Shlomi.
Às 11h45, a Resistência atingiu infraestrutura militar israelense em Nahariya com uma rajada de foguetes. Às 12h30, outra infraestrutura militar israelense foi atacada na região de Krayot, ao norte de Haifa. Às 12h50, uma força israelense nos arredores orientais de Yohmor al-Shaqif, no sul do Líbano, foi atingida por um VANT Ababil FPV.
Outras ações foram divulgadas pela Resistência ao longo do domingo. Às 11 horas, um veículo militar Nimra do Exército israelense foi atingido na cidade de Debel com um VANT Ababil. Ao meio-dia, outro veículo Nimra foi atacado na mesma localidade. Às 15h45, uma nova posição de artilharia israelense na cidade de Odaisseh foi atacada com foguetes. Às 16h45, combatentes lançaram uma salva de foguetes contra uma concentração de tropas israelenses em al-Qawzah, no sul do Líbano.
Às 18 horas, a Resistência atingiu uma unidade israelense instalada dentro de uma casa nas proximidades da fortaleza de Shaqif, no sul do Líbano, com um VANT Ababil FPV. O Hesbolá também atacou um sistema israelense de radar usado para bloquear VANTs na região da fortaleza, obtendo impacto direto.
A ampliação das operações ocorre enquanto “Israel” prossegue com ataques contra diversas localidades libanesas. No domingo, o Exército israelense bombardeou vilas nos distritos de Nabatieh, Tiro e Saida. Foram atingidas Nabatieh, Habboush, Kfaroumman, os altos de Ali al-Taher, Choukine, Nabatieh al-Fawqa, Yohmor al-Shaqif, Froun, Ansar, Maifadoun e Yater.
No distrito de Tiro, aviões israelenses atacaram Deir Qanoun al-Nahr e Majdal Zoun. Também houve bombardeios contra Burj Qalaway, al-Ghandouriyeh e o cruzamento de Maarakeh. No distrito de Saida, foram atingidas al-Marwaniyeh, al-Zrariyeh, al-Ghassaniyeh e Qaaqaiyat al-Sanawbar. As forças israelenses também realizaram uma demolição em massa na cidade de Bint Jbeil.
Um ataque aéreo israelense nas proximidades do Hospital Hiram, em Tiro, provocou grandes danos e feriu 13 trabalhadores da saúde, segundo o Ministério da Saúde do Líbano. A Organização Mundial da Saúde informou que 27 ataques israelenses atingiram unidades de saúde no país, assassinando 25 pessoas e ferindo 42. A entidade também registrou danos em 16 hospitais e 13 centros de atendimento primário.
A ONU informou, dois dias antes, que 15 crianças foram assassinadas e outras 62 ficaram feridas no Líbano ao longo de uma semana de ataques israelenses. Em 30 de maio, o Unicef afirmou que “Israel” assassinou ou feriu, em média, 11 crianças por dia no Líbano durante a semana anterior, totalizando 77 crianças assassinadas ou feridas no período.
O Ministério da Saúde do Líbano atualizou os números da agressão israelense iniciada em 2 de março. Segundo o órgão, 3.371 pessoas foram assassinadas e 10.129 ficaram feridas desde o começo da ofensiva.
O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, afirmou no domingo que pode garantir o compromisso total e imediato da Resistência com um cessar-fogo, mas questionou quem obrigará “Israel” a interromper seus ataques.
“Eu garanto um compromisso total e imediato da Resistência com um cessar-fogo, mas quem obrigará Israel a parar sua agressão por terra, mar e ar, e sua destruição de vilas?”, perguntou Berri.
Em declaração anterior ao jornal Asharq Al-Awsat, Berri já havia questionado: “onde está a trégua, e Israel parou de demolir casas e derramar o sangue de civis e paramédicos?”.
“O chamado cessar-fogo permitiu que Israel intensificasse sua agressão de maneira sem precedentes sem intervenção de Washington, que o patrocinou […] Qual é o sentido de negociações sob fogo israelense, e o que diremos às famílias daqueles mortos pela traição israelense?”





