Uma denúncia publicada em 1º de abril pelo jornal The Cradle afirmou que um grupo alinhado a “Israel” dentro da Casa Branca vinha fornecendo informações manipuladas ao presidente norte-americano Donald Trump sobre o alcance dos ataques do Eixo da Resistência contra forças dos EUA e contra “Israel”. De acordo com fontes ouvidas pelo jornal, esse setor seria chefiado por Jared Kushner e teria atuado para reduzir, diante de Trump, tanto a frequência dos ataques com mísseis do Irã quanto o número de baixas provocadas por ações da resistência iraquiana e libanesa.
Ainda de acordo com a denúncia, informações vazadas do Conselho de Segurança Nacional dos EUA mostraram que, nas últimas 72 horas, altos funcionários do governo, entre eles o secretário da Guerra, Pete Hegseth, e o secretário de Estado, Marco Rubio, conduziam Trump na direção de um plano de escalada mais amplo, às vésperas de seu pronunciamento de 1º de abril. A operação de desinformação incluiria também números manipulados de baixas apresentados pelo ministro da Segurança Nacional de “Israel”, Itamar Ben-Gvir, além de declarações recentes de Benjamin Netaniahu à imprensa em hebraico.
As fontes citadas por The Cradle afirmaram ainda que, à medida que essa escalada avançava, autoridades norte-americanas contrárias à guerra, além de governos europeus e de governos da região, demonstravam temor diante da possibilidade de o Irã responder com uma ampliação de grandes proporções do confronto. Segundo essas fontes, isso poderia incluir a destruição da infraestrutura petroleira da Arábia Saudita e da infraestrutura elétrica de “Israel”, seguida da desestabilização e do fechamento do estreito de Babelmândebe e, por fim, da retirada iraniana do Tratado de Não Proliferação.
A denúncia surgiu no mesmo momento em que outros órgãos de imprensa norte-americanos relataram tentativas de ocultar os efeitos reais da guerra. Na quarta-feira à noite, The Intercept informou que o Pentágono se recusava a reconhecer que ao menos 750 soldados norte-americanos haviam sido feridos ou mortos na Ásia Ocidental desde outubro de 2023, acusando o Comando Central dos EUA de encobrir as baixas.
Ao mesmo tempo, pessoas com conhecimento do assunto disseram ao Politico que Trump preparava um pronunciamento para as 21 horas de quarta-feira, no qual pretendia “declarar vitória” em sua guerra de agressão contra o Irã. Segundo essas informações, o presidente norte-americano também procuraria responsabilizar duramente os aliados da OTAN pelo principal problema ainda não resolvido do conflito: as restrições impostas pelo Irã ao tráfego marítimo no estreito de Ormuz.
Nos últimos dias, Trump também ameaçou retirar os EUA da OTAN e passou a defender que os países dependentes do combustível vindo do Golfo Pérsico assumissem diretamente o confronto no estreito. Em outra frente de pressão, o inglês Financial Times informou, na quarta-feira, que Trump ameaçou suspender o envio de armas à Ucrânia caso a Europa não aderisse a uma coalizão destinada a arrancar do Irã o controle do estreito de Ormuz. A mesma reportagem acrescentou que o Irã teria criado um sistema formal para permitir a passagem segura de embarcações de países amigos por essa rota estratégica.
Desde o início da guerra dos EUA e de “Israel” contra o Irã, ao menos 10 países adotaram medidas oficiais de emergência ou de crise em razão das interrupções no abastecimento de combustíveis decorrentes do conflito. Ao mesmo tempo, países produtores de petróleo da Ásia Ocidental, entre eles Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Cuaite e Iraque, passaram a enfrentar paralisações de produção, problemas de armazenamento e declarações de força maior em meio aos ataques de represália da República Islâmica.
O pronunciamento de Trump ocorreu no mesmo dia em que a Operação Promessa Cumprida 4 chegou à sua 89ª onda. Segundo a denúncia reproduzida por The Cradle, essa nova etapa da operação foi realizada de forma combinada pela Força Aeroespacial do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, pelas Forças Armadas do Iêmen e pelo Hesbolá, tendo como alvo “Israel”.




