Os servidores municipais de Florianópolis entraram em greve por tempo indeterminado às 7 horas desta quinta-feira (23). A paralisação foi aprovada após a Prefeitura não atender à pauta de reivindicações da data-base. A proposta apresentada pelo Executivo foi rejeitada por não contemplar pontos centrais das reivindicações e por manter medidas que aprofundam a deterioração dos serviços públicos. Os trabalhadores relatam sobrecarga e piora das condições de trabalho nas unidades públicas da capital catarinense.
As reclamações principais incluem diversos pontos: não há proposta para o cumprimento da legislação federal que reconhece as auxiliares de sala no magistério, nem para a revogação de portarias que atacam a Educação. Não há recomposição salarial para os técnicos de enfermagem, nem definição sobre o piso dos Agentes Comunitários de Saúde e dos Agentes de Combate às Endemias. Também não há medidas para realização de concurso público, chamamento de aprovados, redução das terceirizações, defesa da previdência pública ou redução da jornada sem corte salarial.
A realidade nas unidades públicas é de sobrecarga e deterioração das condições de trabalho. Na Saúde, o déficit de pessoal pressiona os atendimentos e expõe trabalhadores e usuários a situações de agressão. Na Educação, faltam condições básicas de funcionamento, com problemas estruturais e insuficiência de materiais. Trabalhadores sobrecarregados são agredidos por conta da falta de pessoal para atender. Professores chegam a comprar materiais didáticos do próprio bolso, e há unidades sem sequer banheiro funcionando.
A greve gera impactos nas unidades de saúde e em creches da Capital. Na manhã de quinta-feira, apenas duas salas do Centro de Educação Infantil Almirante Lucas Alexandre Boiteux, no Centro, estavam recebendo os alunos. No Centro de Saúde do Monte Serrat, também na região central, moradores relataram que não estavam conseguindo se vacinar. A Prefeitura não detalhou os serviços que estão fora de operação, limitando-se a informar que está trabalhando para que os serviços essenciais não sejam afetados.
O Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis afirmou que a categoria se reúne em assembleia às 13 horas na Praça Tancredo Neves para avaliar o primeiro dia de greve. A Administração Municipal lamentou a decisão e destacou que mantém diálogo com as categorias e mentiu dizendo que cumpre integralmente todos os acordos firmados.


