O secretário-geral do Hesbolá, xeique Naim Qassem, discursou no aniversário do Dia da Resistência e da Libertação, data que marca a retirada das tropas de “Israel” do sul do Líbano em 2000. Em sua fala, Qassem afirmou que a libertação foi resultado do sacrifício coletivo do povo libanês, da resistência e de seus dirigentes.
“Todos os que contribuíram para a resistência foram parceiros tanto da resistência quanto da libertação que foi alcançada”, afirmou.
Qassem atribuiu a trajetória da resistência à direção do antigo secretário-geral do Hesbolá, Hassan Nasseralá, assassinado por “Israel”, e recordou os papéis de xeique Ragheb Harb, Saiid Abbas al-Moussawi e do comandante Imad Mughniyeh, além dos combatentes e militantes da organização.
Segundo o dirigente do Hesbolá, a libertação de 2000 nasceu da unidade entre “o exército, o povo e a resistência”. Para ele, a coordenação entre o Estado libanês e a resistência foi um fator decisivo para obrigar “Israel” a se retirar do sul do Líbano. Qassem também citou o ex-presidente libanês Emile Lahoud e o presidente do Parlamento, Nabih Berri, como defensores da libertação.
O secretário-geral classificou o Dia da Resistência e da Libertação como “a festa dos povos livres em todo o mundo e a festa da Palestina”. Ele afirmou que a ocupação israelense tentou, ao longo de 15 anos, consolidar seus interesses no Líbano por meio do chamado “Exército do Sul do Líbano”, milícia colaboracionista organizada sob patrocínio de “Israel”.
“Foram os golpes da resistência que obrigaram o inimigo a se retirar da região fronteiriça em 2000”, disse Qassem, ao parabenizar o povo libanês pela libertação e pela recuperação da dignidade nacional.
Qassem também lembrou a queda do acordo de 17 de maio, assinado em 1983 entre o Líbano e “Israel” sob pressão dos Estados Unidos. Para ele, a derrubada do acordo em 1984 foi um passo inicial na luta que culminou na libertação de 2000.
Ao tratar da situação atual, o dirigente do Hesbolá mencionou o acordo indireto alcançado pelo Estado libanês em 24 de novembro de 2024. Segundo Qassem, o acordo deveria pôr fim à ocupação e interromper os ataques israelenses. No entanto, nos 15 meses seguintes, “Israel” manteve as violações, enquanto o Estado libanês permaneceu incapaz de impor o cumprimento do acordo.
O secretário-geral afirmou reconhecer a fraqueza do Estado libanês, mas disse que os dirigentes do país deveriam dizer abertamente aos Estados Unidos que não têm condições de impor as exigências feitas contra a resistência. Qassem acusou ainda as autoridades libanesas de fazer concessões sucessivas ao imperialismo, processo que, segundo ele, culminou em 2 de março de 2026 com a perseguição à resistência.
“Não pedimos ao Estado libanês que enfrente o projeto norte-americano-israelense”, afirmou Qassem. “Mas ele não deve se colocar contra seu próprio povo”.
O dirigente do Hesbolá afirmou que o projeto israelense consiste em eliminar a resistência e ocupar gradualmente o Líbano. Por isso, segundo ele, as campanhas para restringir as armas exclusivamente ao Estado, na fase atual, correspondem aos interesses de “Israel” e devem ser revertidas.
Dirigindo-se ao governo libanês, Qassem pediu a revogação das decisões sobre o controle das armas pelo Estado. Para ele, o desarmamento da resistência deixaria o Líbano sem capacidade de defesa e abriria caminho para a ofensiva israelense.
“A autoridade libanesa nos diz: ajudem-nos a tirar suas armas para que ‘Israel’ possa depois entrar, matar vocês e deslocar seu povo”, declarou.
Qassem questionou se o Estado libanês está preparado para cumprir suas responsabilidades constitucionais no que diz respeito à soberania e à proteção do país. Em seguida, acrescentou que, se o governo não consegue proteger a soberania nacional, “então deve ir embora”.
Segundo o secretário-geral, o Líbano hoje não tem soberania política real e permanece sob tutela norte-americana. Para Qassem, a manutenção das armas da resistência é uma necessidade diante da presença militar israelense e da pressão dos Estados Unidos.
As armas da resistência, afirmou ele, “permanecerão em nossas mãos até que o Estado libanês seja capaz de cumprir seus deveres”. O dirigente disse ainda que o Hesbolá continuará defendendo “a terra, o povo e a honra”.
“Quem nos enfrentar ao lado de ‘Israel’, nós enfrentaremos”, declarou.
Qassem afirmou que os VANTs do Hesbolá continuarão atacando soldados da ocupação israelense. Segundo ele, as forças de “Israel” sofrem perdas importantes no sul do Líbano e respondem atacando civis e casas.
O secretário-geral rejeitou qualquer negociação direta com “Israel”. Para ele, conversações diretas representam “um ganho puro para ‘Israel’”. Qassem pediu aos dirigentes libaneses que abandonem esse caminho e voltem ao entendimento nacional, afirmando que os Estados Unidos não darão nada ao Líbano em troca.
“Enfrentamos uma ameaça existencial”, disse. Segundo Qassem, os sacrifícios da resistência buscam garantir o futuro do país, pois “queremos ser livres, não escravos”.
“Todo esse assassinato e essa destruição têm como objetivo nos colocar de joelhos”, afirmou. “Mas não nos ajoelharemos. Permaneceremos no campo de batalha e sairemos desta guerra de cabeça erguida”.
O dirigente do Hesbolá prometeu que as casas destruídas serão reconstruídas, que os deslocados retornarão e que o inimigo sairá derrotado. Segundo ele, a “terceira libertação” será anunciada em breve.
Qassem também defendeu a Al-Qard Al-Hasan, instituição social ligada ao Hesbolá, afirmando que atacá-la é atacar os pobres. Ele afirmou ainda que o povo libanês tem o direito de ir às ruas e derrubar o governo diante do projeto norte-americano-israelense contra as instituições do país.
“Nossa resistência é a maior resistência, que humilhou o inimigo israelense. Portanto, tirem proveito dela”, disse Qassem aos apoiadores e combatentes. “Vocês estão quebrando o mito do inimigo israelense e são vitoriosos”.
Ao reafirmar a posição regional do Hesbolá, Qassem disse que a Palestina “permanecerá a bússola”. O dirigente prometeu manter o apoio à causa palestina e afirmou que as ações de “Israel” não permanecerão.
O secretário-geral também elogiou o Irã. Segundo ele, a República Islâmica, sob a direção de Saied Mojtaba Khamenei, conseguiu humilhar os Estados Unidos ao lado de “Israel”. Qassem afirmou que o Irã sairá da guerra “de cabeça erguida”, como uma potência de posição internacional e “um refúgio para os povos livres do mundo”.
Ao fim do pronunciamento, Qassem pediu a libertação de 41 estudiosos e intelectuais presos pelo regime do Barém. Segundo ele, a injustiça não permanece indefinidamente.




