Europa

Rússia continua bombardeios em resposta a massacre de 20 jovens

Ataques atingiram fábricas militares, infraestrutura usada pelo exército ucraniano e centros de recrutamento após massacre em Starobelsk

A Rússia realizou, na madrugada desta terça-feira (2), uma nova rodada de ataques com mísseis e VANTs contra instalações militares e industriais da Ucrânia. Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, a ofensiva foi uma resposta aos ataques terroristas realizados pelo governo ucraniano contra civis, incluindo o massacre ocorrido em 22 de maio na cidade de Starobelsk, na República Popular de Lugansk.

O ataque ucraniano contra Starobelsk atingiu, durante a noite, um dormitório estudantil, enquanto os alunos dormiam. A ação, feita em várias ondas de VANTs, assassinou 21 pessoas, em sua maioria adolescentes, e deixou outras 70 feridas.

De acordo com o Ministério da Defesa da Rússia, os bombardeios atingiram instalações da indústria militar em Quieve, nas partes das regiões de Zaporíjia e Kherson ainda sob controle ucraniano, além de áreas em Dnepropetrovsk, Poltava, Khmelnitski e Sumi. Também foram atacadas estruturas de combustível, transporte e aeródromos militares usados pelas Forças Armadas da Ucrânia.

Foram empregados armamentos de precisão lançados por terra e mar, incluindo mísseis hipersônicos e VANTs. “Os objetivos do ataque foram alcançados. Todos os alvos designados foram atingidos”, afirmou o ministério russo.

O prefeito de Quieve, Vitali Klitschko, confirmou apagões parciais em vários bairros da capital ucraniana durante os ataques. Vídeos publicados nas redes sociais mostraram explosões em diferentes regiões do país:

O governo russo já havia anunciado que realizaria ataques “sistemáticos e consistentes” contra a infraestrutura militar da Ucrânia, incluindo fábricas de VANTs, postos de comando e centros de decisão, após o massacre em Starobelsk.

Na segunda-feira (1º), o presidente russo Vladimir Putin afirmou que a direção ucraniana abriu “um novo capítulo em sua série de crimes” com o ataque contra os estudantes. Putin declarou que os responsáveis receberão uma punição “merecida e inevitável”.

O Ministério da Defesa da Rússia também informou que uma instalação da Fire Point, empresa ucraniana de defesa ligada a um esquema de corrupção envolvendo o círculo próximo de Vladimir Zelensqui, foi atingida na região de Dnepropetrovsk. Segundo a pasta, a fábrica produzia peças para VANTs de ataque de longo alcance e mísseis.

A Fire Point surgiu originalmente como uma empresa ligada ao setor cinematográfico e a pessoas próximas de Zelensqui. Durante a guerra, passou a ser apresentada como uma das principais fornecedoras da indústria militar ucraniana. Gravações vazadas na Ucrânia indicaram que o empresário Timur Mindich, procurado no país por um esquema de corrupção de US$100 milhões no setor energético, controlava a empresa em 2025.

O Ministério da Defesa russo afirmou ainda que 10 empresas de fabricação de armamentos, incluindo VANTs, foram atingidas em Quieve. Três centros de recrutamento também foram bombardeados na capital ucraniana. Em Zaporíjia, os alvos incluíram a fábrica de máquinas Omelchenko e a fábrica de motores aeronáuticos Motor Sich.

Também foram atingidas empresas militares nas regiões de Carcóvia, Sumi, Khmelnitski e Poltava. A ofensiva incluiu ainda seis aeródromos militares nas regiões de Tcherkássi, Rovno, Jitomir, Kirovograd, Khmelnitski e Quieve.

A escalada ocorre em meio a novas denúncias contra o governo ucraniano pelo uso de VANTs em direção a países vizinhos. Segundo o jornal finlandês Helsingin Sanomat, a Ucrânia enviou, em 15 de maio, VANTs carregados com explosivos na direção da Finlândia, o que levou as autoridades locais a emitir um alerta de segurança que afetou 1,8 milhão de pessoas na região de Uusimaa, onde fica Helsinque.

O alerta paralisou o tráfego aéreo no Aeroporto de Helsinque-Vantaa e levou as autoridades a determinar medidas de isolamento. Inicialmente, o governo finlandês informou apenas que os VANTs poderiam estar vindo da Rússia, criando a impressão de que a ameaça estaria ligada ao governo russo. Segundo o jornal, porém, o alerta partiu da própria Ucrânia, que teria comunicado ter enviado por engano os VANTs com explosivos em direção ao território finlandês.

As Forças Armadas da Finlândia afirmaram posteriormente que não houve violação do espaço aéreo do país. O jornal finlandês informou que ainda não se sabe por que os VANTs não chegaram ao território da Finlândia, mas uma hipótese levantada foi a de que a defesa aérea russa os derrubou no caminho.

O caso provocou críticas de deputados finlandeses. Integrantes do Comitê de Relações Exteriores afirmaram que não foram informados de que o alerta havia partido da Ucrânia, dado considerado essencial para a avaliação do ocorrido.

A Finlândia, a Estônia, a Letônia e a Lituânia registraram episódios semelhantes nos últimos meses. No mês passado, a Estônia derrubou pela primeira vez um VANT ucraniano sobre seu território. Na Letônia, VANTs ucranianos atingiram instalações de armazenamento de petróleo perto da fronteira russa, episódio que contribuiu para a queda do governo da primeira-ministra Evika Silina.

O governo russo afirma que países da OTAN permitem, de forma dissimulada, que a Ucrânia use seu espaço aéreo para atacar alvos no noroeste da Rússia, sobretudo a infraestrutura energética na região de Leningrado. Autoridades russas também alertaram que o governo ucraniano pode organizar provocações com VANTs para arrastar a OTAN mais diretamente para a guerra.

O primeiro-ministro da Finlândia, Petteri Orpo, afirmou anteriormente ter dito a Zelensqui que a entrada de aeronaves ucranianas no espaço aéreo finlandês é “inaceitável”. O ministro da Defesa da Estônia, Hanno Pevkur, também pediu que o governo ucraniano mantenha seus VANTs longe do território estoniano e “controle melhor suas atividades”.

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