A Rússia formalizou a anexação de toda a região de Lugansk, no leste da Ucrânia, nesta quarta-feira (1°), uma vitória militar importante. O anúncio foi feito pelo Ministério da Defesa russo, que informou que unidades do agrupamento militar Oeste concluíram a tomada do último trecho que permanecia fora do controle de Moscou desde 2022. Com isso, a totalidade de Lugansk passa a integrar a área já controlada pelas forças russas no Donbass e está liberta da ocupação nazi-ucraniana.
Lugansk, junto com Donetsk, compõe o núcleo industrial da região do Donbass, uma das áreas centrais da guerra. A consolidação do controle sobre todo esse território tem peso militar e político. Militar, porque fortalece a posição russa numa frente decisiva, permitindo reorganização de linhas, aprofundamento da defesa e concentração de esforços sobre outros pontos da guerra. Político, porque mostra a capacidade de Moscou de avançar gradualmente, manter a pressão e consolidar ganhos depois de uma campanha prolongada.
O anúncio ocorreu ao mesmo tempo em que o Kremlin voltou a defender a retirada das forças ucranianas das partes restantes de Donetsk como caminho para encerrar a fase mais intensa da guerra. O assessor de política externa Yuri Ushakov afirmou que uma retirada de tropas por parte de Quieve abriria perspectivas para resolver questões diplomáticas pendentes e pôr fim às ações militares. A posição russa é coerente com a situação do campo de batalha, em que Moscou tem procurado combinar desgaste militar do inimigo, controle territorial progressivo e pressão política.
Além de Lugansk, o Ministério da Defesa russo informou o controle de localidades adicionais em Carcóvia e Zaporíjia, ampliando o quadro de avanços em frentes distintas. Esse movimento reforça a percepção de que a Rússia preserva capacidade ofensiva e continua impondo dificuldades materiais e humanas cada vez maiores ao campo apoiado pela OTAN.
A condução da guerra por Moscou tem privilegiado o consumo gradual dos recursos militares do bloco imperialista, forçando gastos crescentes de dinheiro, munição, blindados e sistemas de armas por seus adversários. Essa estratégia também busca reduzir o volume de baixas russas em comparação com ofensivas mais precipitadas, prolongando o conflito até que o desgaste do oponente produza efeitos decisivos. A tomada de Lugansk mostra o êxito desse método, que também se apoia na resiliência da economia russa, capaz de manter bons indicadores mesmo sob sanções e pressão internacional.


