Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), obteve o melhor resultado entre os candidatos da esquerda fora do PT no levantamento de potencial de voto da Meio/Ideia. Segundo a pesquisa, 14% dos entrevistados disseram que poderiam votar no candidato do PCO. Samara Martins, da Unidade Popular (UP), aparece com 11%, Hertz Dias, do PSTU, com 7,7%, e Edmilson Costa, do PCB, com 6%.
Pimenta também é o mais conhecido dos quatro. A parcela dos entrevistados que declarou não conhecê-lo foi de 44%, contra 45% para Samara Martins, 48,7% para Hertz Dias e 51% para Edmilson Costa. Portanto, pelos próprios números da pesquisa, o candidato do PCO reúne ao mesmo tempo o maior potencial de voto e o maior grau de conhecimento entre os candidatos dos partidos que se apresentam à esquerda do PT.
O levantamento ouviu 1.500 eleitores de 23 a 27 de maio, tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02918/2026.
44% não conhecem?
Há, porém, uma ressalva importante em relação à pesquisa. O índice segundo o qual 44% dos entrevistados não conhecem Rui Costa Pimenta é difícil de aceitar sem questionamento.
Pimenta disputou quatro eleições presidenciais desde 2002. Há quase duas décadas realiza semanalmente a Análise Política da Semana e, além disso, participa regularmente de outros programas e entrevistas na Internet. Ao longo dos anos, foi entrevistado inúmeras vezes por canais de grande audiência e também por alguns dos maiores veículos de comunicação do País, como SBT e Jovem Pan, inclusive fora de períodos eleitorais. Somadas, suas entrevistas, programas e intervenções políticas foram vistas por dezenas de milhões de pessoas.
Sua atividade nas redes sociais também não começou com a campanha de 2026. O presidente do PCO mantém há muitos anos uma exposição pública permanente, tratando diariamente dos principais acontecimentos políticos nacionais e internacionais.
Isso aparece inclusive fora dos meios de comunicação do Partido. Em entrevista recente ao jornalista Leandro Fortes, Pimenta afirmou que, entre os partidos de esquerda que não estão no Congresso Nacional, é “de longe” o candidato mais conhecido. Em comentário recente para a Rádio Bandeirantes, o jornalista e analista político Claudio Zaidan também afirmou que Pimenta é o mais conhecido entre os candidatos da esquerda, com exceção de Lula.
Na mesma entrevista, Rui contou que é reconhecido nas ruas por pessoas que acompanham seus programas, inclusive por eleitores que dizem concordar com suas posições, mas acabam optando por outro candidato em razão da polarização eleitoral.
O problema do chamado voto útil ajuda, inclusive, a explicar a diferença entre ser conhecido e transformar esse conhecimento em votos. Uma parcela dos trabalhadores pode conhecer Rui, acompanhar seus programas e até concordar com suas posições, mas terminar votando em Lula diante da ameaça de vitória da direita.
Escondido pela grande imprensa
O resultado da Meio/Ideia chama ainda mais atenção porque Rui Costa Pimenta alcança esses números apesar do bloqueio permanente imposto ao PCO pela imprensa capitalista e pelas instituições da burguesia.
Os grandes meios de comunicação praticamente não abrem espaço para o PCO. Pimenta não recebe a exposição concedida diariamente aos candidatos dos partidos burgueses e é sistematicamente deixado de fora dos grandes debates. O bloqueio chega também aos institutos de pesquisa. Em entrevista a Leonardo Attuch, o presidente do PCO chamou atenção justamente para esse fato: “tem várias pesquisas, simplesmente não colocam meu nome na pesquisa”.
Um dos exemplos mais escandalosos ocorreu em levantamento da Quaest sobre as intenções de voto. Os pesquisadores apresentaram aos entrevistados uma lista com os candidatos. O único partido deixado de fora foi o PCO – enquanto os candidatos de PCB, PSTU e UP, incluindo os concorrentes presidenciais de Rui, apareceram.
O método contribui diretamente para esconder o Partido. O PCO é excluído da pergunta e, depois, outras pesquisas podem apresentar seu suposto baixo grau de conhecimento como se ele resultasse naturalmente do desinteresse da população. Não se trata de um partido recém-criado: o PCO participa há décadas das eleições nacionais, lançou candidato à Presidência repetidas vezes e mantém uma intensa atividade política e de imprensa.
O mesmo bloqueio ocorre nos debates. Em participação recente de Pimenta em um programa da TV 247, um espectador chegou a defender sua inclusão nos debates justamente por considerá-lo o candidato de esquerda mais conhecido entre os que estão fora do PT.
Mesmo submetido a essa tentativa de apagamento, o PCO supera os demais partidos da esquerda não petista no levantamento da Meio/Ideia. Os 14% de potencial de voto de Pimenta representam quase o dobro do resultado de Hertz Dias e mais que o dobro do obtido por Edmilson Costa.
Os números também desmentem a ideia, muito difundida pela própria esquerda pequeno-burguesa, de que seria necessário abandonar posições revolucionárias para conquistar apoio popular. Entre os candidatos da esquerda fora do PT, o que desperta maior disposição de voto é justamente o dirigente de um partido que se apresenta abertamente como revolucionário e comunista, defende a luta dos trabalhadores, a reestatização das empresas privatizadas, a independência política diante da burguesia e a luta contra o imperialismo e pelas liberdades democráticas.
A pesquisa mostra que existe interesse entre os trabalhadores por uma alternativa comunista verdadeira. E mostra isso apesar de todo o esforço da imprensa capitalista e das apodrecidas instituições burguesas para impedir que o povo conheça o PCO e sua política.




