Análise da 3ª

Rui Pimenta critica PSOL, STF e política externa de Lula

Presidente nacional do PCO tratou de censura, jornada de trabalho, crise do PT, ofensiva dos EUA contra o Brasil e situação no Oriente Médio

O presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República, Rui Costa Pimenta, criticou, na terça-feira (2), durante a Análise Política da Terça, da Rádio Causa Operária, a política da esquerda pequeno-burguesa diante da censura, da repressão contra os trabalhadores, da jornada de trabalho e da política externa do governo Lula.

Logo no início, Pimenta comentou o projeto de lei apresentado pela deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), que pretende proibir devedores de pensão alimentícia de frequentar estádios e eventos esportivos. Para o dirigente do PCO, a proposta tem caráter repressivo e atinge principalmente a população pobre.

“A esquerda brasileira está contribuindo — não vou dizer que ela está criando porque não seria correto, isso é obra da direita, mas a esquerda serve como cobertura — para criar uma sociedade de vigilância total, punição total. É tudo em nome do bem. Proteger a mulher, fazer o cidadão pagar a pensão alimentícia, tudo isso seria uma coisa para fazer o bem. Só que isso daí é a versão romântica da coisa. Na realidade, o que acontece é que a população, principalmente a população mais pobre, com menos recursos, vai sendo completamente esmagada pela engrenagem estatal”, afirmou.

Pimenta questionou a escolha do futebol como alvo da punição. “É uma perseguição ao trabalhador”, disse. “Porque ela podia fazer um projeto proibindo a pessoa de frequentar a universidade. Por que o futebol? É uma perseguição da população pobre, como a maioria dessas leis”.

O dirigente também criticou a política do PSOL em relação às terras raras. O partido entrou com uma ação para impedir a venda de uma concessão da Serra Verde para exploração desses minerais, alegando, entre outros pontos, a participação de capitais dos Estados Unidos. Para Pimenta, a posição correta seria defender a exploração pelo Estado brasileiro, e não a proibição da atividade.

“Uma coisa seria você fazer uma proposta para que as terras raras sejam exploradas pelo Brasil, pelo Estado brasileiro. Outra coisa é a tentativa de proibição da exploração. Se a gente for depender dessas pessoas que falam em preservação ambiental, o Brasil volta à Idade da Pedra. Você não pode fazer nada”, declarou.

Jornada de trabalho

Ao tratar da discussão sobre o fim da escala 6×1, Pimenta afirmou que a formulação correta não é apenas escolher entre modelos como 6×1, 5×2 ou 4×3. Segundo ele, o PCO defende a jornada de 35 horas semanais, com cinco dias de sete horas e fim de semana livre.

“A proposta de 5×2, que é a proposta do governo Lula, não esclarece uma coisa que seria fundamental nessa questão, que é que o trabalhador tem que ter o fim de semana livre. Ele tem que trabalhar durante a semana e tem que ter o fim de semana livre. Isso não está esclarecido também na proposta do governo. Quer dizer, abre uma porta aí para a jornada de trabalho flexível. Nós defendemos a proposta que o movimento sindical brasileiro inclusive adotou num determinado momento, que são as 35 horas de trabalho por semana, cinco dias de sete horas e o fim de semana livre. Essa é uma proposta concreta. As outras propostas deixam isso em aberto”, disse.

Pimenta também ironizou a comemoração de setores da esquerda diante da aprovação quase unânime da proposta na Câmara dos Deputados. Para ele, o fato de a direita e o centrão terem votado em massa a favor da medida deve servir de alerta.

“O que mais me surpreende nessa campanha é gente da esquerda falar que é uma conquista histórica dos trabalhadores, quando o Congresso Nacional votou tudo por unanimidade. Por que ele votou? Não dá para acreditar que o Congresso queira realmente diminuir a jornada de trabalho. […] Eu vi uma pessoa na rede social falando que na votação Lula derrotou os patrões. Ninguém derrotou ninguém, foi votado quase por unanimidade, teve 22 votos contra. Se os patrões só têm 22 votos no Congresso Nacional, nós estamos no socialismo já. E eu não tinha percebido que estava no socialismo”, afirmou.

Censura e redes sociais

Outro tema central do programa foi a declaração de Alexandre de Moraes no Fórum de Lisboa, em defesa de limites à liberdade de expressão nas redes sociais. Para Pimenta, a fala do ministro do STF expõe a política de censura defendida por setores da burguesia e apoiada pela esquerda pequeno-burguesa.

“Essa declaração é digna do intelecto do Alexandre de Moraes. Porque é uma bobagem evidente. Na verdade, o que ele está dizendo é o seguinte: para ter democracia, é preciso usar a medida antidemocrática da censura. Como é uma política contraditória essa. Você precisa de uma pessoa que seja capaz de falar as coisas sem se dar conta da contradição que ela está expressando. Agora, isso mostra que o Alexandre Moraes é um cruzado da política de censura”, afirmou.

Pimenta disse que crimes reais são usados como pretexto para ampliar o controle político sobre a Internet. “Esse negócio aí dos pedófilos, traficantes de drogas, pessoas que induzem outras pessoas ao suicídio, isso é um espantalho que eles criaram para censurar a internet o mais amplamente possível”, declarou.

Para o presidente do PCO, o problema das redes sociais não deve ser tratado como censura aos usuários, mas como controle dos grandes monopólios privados dominados pelo imperialismo.

“Nós, por exemplo, somos contra a censura na Internet e nas redes sociais, mas nós não somos favoráveis às redes sociais tais como elas são, empresas privadas dominadas pelo imperialismo. Esse, na verdade, deveria ser o debate. O que fazer com essas empresas? Regulamentar as empresas, não os usuários. Ou substituir monopólios imperialistas por empresas que não sejam monopólios imperialistas”, afirmou.

Trump e a ofensiva contra o Brasil

Pimenta também comentou a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de declarar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo ele, a medida é uma ingerência dos Estados Unidos em assuntos internos do Brasil.

“Primeiro a gente deve dizer que o Trump não tem o direito. Não tem nada a ver com declarar que organizações brasileiras são ou não são terroristas. Isso daí é um abuso que os Estados Unidos usam para ações ilegais. Então eles declaram aí que o Hesbolá é uma organização terrorista e aí atuam de maneira ilegal contra o Hesbolá. Então, nós temos que denunciar já a própria metodologia do imperialismo”, disse.

Para Pimenta, a medida tem relação com o controle do sistema financeiro. Ele afirmou que a principal preocupação dos Estados Unidos é impedir movimentações de dinheiro que escapem ao controle imperialista, inclusive o financiamento de organizações de resistência como o Hesbolá e o Hamas. O dirigente também citou o Pix como possível alvo da ofensiva norte-americana.

Política externa de Lula

Na parte final do programa, Pimenta tratou da situação internacional e criticou a política externa do governo Lula. Segundo ele, o cenário mundial tende a dificultar a situação do PT, especialmente pela postura adotada diante da Bolívia, de “Israel” e dos Estados Unidos.

“Eu tenho a impressão de que o cenário internacional complica as coisas para o PT. E o Lula tem adotado uma política bastante pró-imperialista. A última foi oferecer ao presidente da Bolívia ajuda humanitária contra grevistas. É uma coisa totalmente absurda. O que é o caso da Bolívia? É um enfrentamento. É um acirramento de tensões. Então, o acirramento acaba expondo todo mundo. Você tem que tomar a posição”, afirmou.

Pimenta também criticou a postura do governo diante do massacre na Faixa de Gaza. “A posição do Brasil em relação ao sionismo é um fracasso total. O Lula falou que era um genocídio naquela época e ficou nisso. O negócio não foi além disso. O Netaniahu continua com a loucura e o Brasil não toma nenhuma atitude em relação ao problema do sionismo”, disse.

Ao comentar o segundo turno das eleições na Colômbia, entre o candidato apoiado por Gustavo Petro, Iván Cepeda, e um candidato da extrema direita trumpista, Pimenta afirmou que a situação expressa um avanço da direita na América Latina.

“A maioria dos países estão sendo dominados por governos de direita e até de extrema direita. Essa é a política do imperialismo, o imperialismo está impulsionando essa direitização. E no Brasil não há esse debate”, declarou.

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