Análise Política da Semana

Rui Pimenta comenta ‘fracasso histórico do imperialismo’ no Irã

No programa deste sábado, dirigente do PCO tratou da perseguição a defensores da Palestina, denunciou o projeto de Tabata Amaral e afirmou que Irã impôs uma derrota ao imperialismo

No programa Análise Política da Semana, exibido neste sábado (11) pela Causa Operária TV (COTV), o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, dedicou a parte principal de sua exposição ao problema da liberdade de expressão, à perseguição contra defensores da Palestina no Brasil e ao resultado do confronto entre o Irã e os Estados Unidos. Ao longo da transmissão, Pimenta também comentou o projeto de lei de Tabata Amaral sobre o chamado “antissemitismo”, a posição do governo Lula diante da Palestina, o editorial de O Estado de S. Paulo sobre o caso Monark, a situação na Hungria, a entrada de Jones Manoel no PSOL e uma proposta apresentada pela deputada Ana Pimentel.

Ao abrir o programa, Rui Costa Pimenta tomou como ponto de partida a multa aplicada pela Prefeitura do Rio de Janeiro ao bar Partisan, após o estabelecimento afixar um cartaz informando que cidadãos norte-americanos e israelenses não eram bem-vindos. Para Pimenta, a medida mostrou a rapidez com que o aparato estatal se move quando se trata de reprimir manifestações contra a guerra e em defesa da Palestina e do Irã.

“Se você vai fazer esse protesto político, você pode contar que será perseguido. Pode ser uma prefeitura, pode ser um governo estadual, pode ser a procuradoria pública, pode ser qualquer instituição. Elas todas estão armadas para perseguir as pessoas que denunciam os crimes do sionismo. Há um conjunto de instituições no Brasil que se transformou numa malha de defesa do genocídio de Gaza e da agressão imperialista contra o Irã”, afirmou.

Na sequência, ele relacionou o episódio do bar à audiência pública realizada em Brasília, convocada a pedido do Instituto Brasil-Palestina (Ibraspal), para discutir a entrada de palestinos no Brasil e a atuação da Polícia Federal. Segundo Pimenta, a audiência expôs novamente a política de perseguição aos palestinos, uma vez que, de acordo com ele, o Ministério da Justiça e a própria Polícia Federal não compareceram, enquanto o Itamaraty não esclareceu por que palestinos seriam barrados, ao passo que soldados israelenses acusados de crimes de guerra circulam pelo País sem obstáculos.

Pimenta disse que essa política revela a subordinação da Polícia Federal a organismos internacionais ligados ao imperialismo. Segundo ele, isso explica por que palestinos são tratados como suspeitos, ao mesmo tempo em que elementos ligados ao sionismo e à extrema direita têm livre trânsito no Brasil. Ao comentar o contraste entre o discurso oficial do governo federal e a prática do Estado brasileiro, o dirigente afirmou que as declarações de Lula sobre o genocídio em Gaza não se converteram em medidas efetivas.

“O governo deu várias declarações. O próprio Lula deu várias declarações assinalando que o que acontecia na Palestina era um crime, que era genocídio. Agora, isso fica apenas na retórica, porque na prática não se faz nada. O governo não só não rompeu relações com o governo israelense, que ele acusou de genocídio, como sequer toma providências no caso dos palestinos que são proibidos de entrar no Brasil”, declarou.

Ao desenvolver esse ponto, Pimenta afirmou que o episódio do bar Partisan também serve para demonstrar os limites da política eleitoral defendida pelo PT. Ele citou nominalmente o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, candidato apoiado pelo PT para o governo do estado, e disse que o partido está chamando a população a votar em figuras favoráveis ao sionismo em nome da eleição presidencial.

Ainda no tema da censura, Pimenta dedicou um longo trecho do programa ao projeto de lei apresentado por Tabata Amaral. Segundo ele, a parlamentar tentou justificar a proposta afirmando que se trataria de uma medida “educacional”, mas o texto tem como objetivo real proibir críticas ao Estado de “Israel” e transformar em crime de opinião a defesa da Palestina.

“É um projeto que procura limitar as críticas ao Estado de Israel. É um projeto que repete uma coisa que os sionistas vêm falando e fazendo em escala internacional: proibir as críticas ao Estado de ‘Israel’. O Estado de ‘Israel’ seria o Estado judeu. Se você critica o Estado de ‘Israel’, você está criticando a coletividade judaica e, portanto, isso seria racismo e crime. Você pode pegar 12 anos de cadeia se fizer essas críticas”, disse.

Pimenta afirmou ainda que Tabata Amaral deixou explícito o alvo político da proposta ao dizer, em vídeo publicado pela Folha de S.Paulo, que existiria um “antissemitismo arraigado na esquerda”. Segundo ele, essa formulação não aponta para um combate à extrema direita, mas para uma tentativa de perseguir a esquerda brasileira e todos os que se colocam contra o sionismo.

“Ela não falou dos nazistas. Ela não falou da extrema direita. Ela não falou do fascismo. Ela falou da esquerda. Quer dizer, é um projeto dirigido contra a esquerda nacional. Isso da própria boca da pessoa que colocou o nome no projeto. É um projeto contra a esquerda, é um projeto contra aquelas pessoas que defendem os palestinos”, afirmou.

Nesse ponto, o dirigente do PCO retomou a defesa da liberdade de expressão irrestrita e declarou que a esquerda brasileira apoiou, nos últimos anos, uma série de medidas de censura que agora se voltariam contra ela própria. Para ele, o projeto de Tabata Amaral seria a culminação dessa política.

“A censura, mais cedo ou mais tarde, vai se voltar contra os trabalhadores. E aqui nós temos o projeto Tabata Amaral. Não pode criticar o Estado de ‘Israel’. É uma censura contra a esquerda, contra os trabalhadores, contra o povo. A política de censura já deu a volta total”, declarou.

Pimenta também comentou o caso Monark e o editorial de O Estado de S. Paulo que defendeu o arquivamento da ação contra o apresentador. Segundo ele, embora a burguesia tenha participado da campanha de linchamento político contra Monark, o próprio editorial reconhece, ainda que tardiamente, que houve criminalização de opiniões e abuso das instituições. Para o dirigente, isso confirmaria as advertências feitas pelo PCO ao longo dos últimos anos sobre o uso do aparato judicial e policial para impor censura.

Depois de tratar longamente da situação brasileira, Pimenta passou ao tema principal do programa: a guerra contra o Irã e o cessar-fogo. Segundo ele, é necessário rejeitar a versão apresentada por Donald Trump e pela imprensa imperialista e partir do resultado concreto do confronto. Para o presidente do PCO, o Irã saiu vitorioso porque os Estados Unidos e “Israel” não alcançaram seus objetivos centrais.

“No confronto entre o imperialismo e o Irã, o Irã saiu vitorioso. Essa é a realidade. Eles foram obrigados a interromper os ataques contra o Irã, pediram cessar-fogo. Quem pediu cessar-fogo foram os Estados Unidos, não foi o Irã. Estão negociando com o Irã agora. O Irã manteve o Estreito de Ormuz fechado. Não conseguiram reabrir pela força o Estreito de Ormuz. Não conseguiram derrubar o regime político iraniano. Vitória iraniana”, afirmou.

Na avaliação de Pimenta, trata-se de um acontecimento histórico, comparável às grandes derrotas militares do imperialismo no Vietnã, no Iraque e no Afeganistão, mas com uma característica própria: no caso iraniano, o imperialismo não chegou sequer a ocupar o país. Segundo ele, ainda que o Irã tenha sofrido um ataque de enormes proporções, os agressores não conseguiram dobrar o regime nem impor seus objetivos militares e políticos.

“O governo iraniano estimou que 125 mil lugares foram bombardeados no Irã, dos quais mais de 100 mil eram alvos civis. É um ataque gigantesco, monstruoso. Com todo esse poderio, não conseguiram dobrar o Irã. Isso é uma vitória do Irã, uma vitória muito grande”, declarou.

Pimenta disse ainda que essa derrota do imperialismo tende a ter efeitos políticos em todo o Oriente Médio, fortalecendo o Eixo da Resistência e estimulando novos movimentos contra os regimes pró-imperialistas da região. Ao mesmo tempo, criticou a esquerda brasileira por não ter compreendido a importância da resistência iraniana. Segundo ele, muitos grupos repetiram a posição de que eram contrários ao governo iraniano e, com isso, acabaram se colocando objetivamente ao lado da política de Trump.

“Se o governo que fechou o Estreito de Ormuz, colocou o imperialismo a nocaute, atacou bases norte-americanas no Oriente Médio com mísseis e resistiu à investida norte-americana de uma maneira integral não é anti-imperialista, então não existe ninguém anti-imperialista no planeta. Nós temos que tirar o chapéu diante do que o Irã fez. É a coisa mais anti-imperialista que a gente já viu”, afirmou.

Ao encerrar o programa, Pimenta afirmou que a tarefa colocada diante dos que se opõem ao imperialismo é esclarecer o significado da vitória iraniana, combater a censura e impulsionar a luta contra o sionismo e contra a adaptação da esquerda às instituições do regime político brasileiro.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.