Causa Operária TV

Reunião de Pauta revoluciona humor em entrevista exclusiva com Confuso Sobrinho

Programa foi ao ar na manhã desta terça-feira (28), contando com a maior bancada da história do programa

Em uma guinada histórica em sua programação diária, o programa Reunião de Pauta, exibido pela Causa Operária TV (COTV), estreou o seu novo quadro: Comédia em Pauta. Com quase uma década de trajetória dedicada ao noticiário político, às análises de conjuntura internacional e aos debates sobre os rumos do País em meio a crises, eleições e reviravoltas sociais, o programa assumiu uma nova missão editorial.

A transição foi formalizada logo na abertura da transmissão por meio de narração feita pelo apresentador Victor Assis. Diante do cerco à liberdade de expressão, a atração declarou guerra aberta contra o que definiu como “a censura da patrulha e do identitarismo”.

O manifesto que inaugurou o quadro resumiu a nova filosofia do estúdio:

“Diante da censura da patrulha, do identitarismo e da obrigação cada vez mais insuportável de explicar toda e qualquer piada, o Reunião de Pauta assume agora uma nova missão histórica. Este programa se transforma em uma trincheira em defesa do humor, um lugar onde as coisas óbvias ainda podem ser ditas sem nenhum tipo de medo: homem é homem, mulher é mulher, piada é piada. E ninguém é obrigado a ser inteligente o tempo todo.”

A partir desta terça-feira, o formato tradicional de debate político se transformará em um espaço dedicado ao humor que “não quer agradar a todo mundo, que não pede licença, que não se submete às regras da elegância e que se recusa a preencher qualquer formulário antes de fazer uma piada”.

Para inaugurar esta nova fase, a produção escalou uma figura do humor televisivo brasileiro: Confuso Sobrinho, estrela do programa Roda Solta, do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT).

A entrada do comediante no estúdio estabeleceu imediatamente o tom caótico e despretensioso da atração. Em seus primeiros segundos no ar, fiel à sua persona artística, Confuso disparou:

“Quero tomar um mé. Quero tomar um mé aqui.”

O pedido foi prontamente atendido pela produção, que forneceu uma garrafa de Guaraná Cruzeiro para simular a bebida favorita de seu maior ídolo na comédia, o eterno Mussum, dos Trapalhões.

A presença de Confuso representou, segundo a própria apresentação do programa, um resgate do humor ingênuo, humilde, focado na confusão, no absurdo e na capacidade de arrancar risos sem a pretensão de erguer conferências acadêmicas.

Sob a ancoragem de Pedro Burlamaqui, o programa apresentou a encorpada bancada montada para a estreia especial. Estiveram presentes os rostos fixos da casa: Francisco Weiss Muniz e Thiago Assad, além do próprio Victor Assis. A mesa contou ainda com participações extraordinárias de Daoud Zaparoli, Gabriel Alberti e do fundador do programa — que também celebrava seu aniversário naquele dia —, João Jorge Caproni Pimenta.

Dando um toque inusitado à transmissão, Flávio Pascarelli participou à distância, operando a partir de Manaus. Posicionado em um telão situado logo atrás dos participantes, Pascarelli foi apelidado jocosamente pela bancada de “oráculo”, intervindo ocasionalmente ao longo do programa com tiradas peculiares sobre a realidade nortenha e a fauna brasileira.

Após as apresentações e a fixação do tom descontraído da bancada, o programa avançou para o seu primeiro grande bloco de entretenimento: uma gincana de improviso para destacar a imprevisibilidade de Confuso Sobrinho.

O primeiro jogo da tarde colocou Confuso frente a frente com o apresentador Thiago Assad em uma competição de trava-línguas. Questionado pelo mediador Pedro Burlamaqui se sabia o que era um trava-língua, o convidado respondeu com naturalidade que não tinha a menor ideia.

O que se seguiu transformou-se em um momento ímpar da televisão. Ao tentar repetir a frase “num prato de prata, um prato de trigo…”, Confuso distorceu completamente o enunciado, passou a falar sobre o tamanho de sua própria língua e simulou trejeitos animais — chegando a esticar o órgão para fora da boca imitando um lagarto ou tamanduá e interagindo com um copo que estava sobre a bancada. Enquanto Thiago Assad tropeçou nas palavras e acabou derrotado em todas as rodadas, Confuso declarou-se vitorioso, celebrando com mais goles de seu “mé” e relembrando as imitações de Mussum.

Um dos pontos altos da entrevista ocorreu quando João Pimenta — aniversariante do dia — lançou mão de uma pergunta propositalmente rebuscada, técnica e hermética sobre direito tributário e municipal:

“Como a inconstitucionalidade superveniente da substituição tributária progressiva do ICMS associada à extraterritorialidade fiscal intermunicipal e a tributação decorrente da sobreposição entre ISS e ICMS pode afetar uma empresa sediada na cidade de São Paulo?”

Com absoluta confiança, Confuso Sobrinho respondeu de forma completamente desconexa da tese jurídica, enveredando por temas como o resgate de moradores de rua, o combate ao vício em drogas e a necessidade de melhorar a vida urbana. A resposta gerou um dos momentos mais espirituosos da bancada quando o próprio João Jorge admitiu: “eu não entendi a pergunta, mas eu entendi a resposta”.

A sabatina conduzida pela bancada permitiu ao público resgatar a trajetória artística de Confuso Sobrinho. O comediante relembrou como foi descoberto por volta dos anos 2000 no centro de São Paulo (na Avenida Paulista) pela equipe do programa Pânico, quando o humorista Carioca, vestido como Jô Soares, identificou seu talento nato para o improviso.

Confuso relatou sua passagem por programas de grande audiência, participações em quadros clássicos como o Afogando o Ganso e sua migração posterior para o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), onde hoje integra o elenco do programa Roda Solta. Entre recordações de infância — onde era apelidado na escola de “Mussum” por seus amigos em alusão ao seu ídolo supremo dos Trapalhões —, o convidado demonstrou conforto no estúdio da COTV, afirmando sentir-se integrado a uma verdadeira família e sinalizando o desejo de retornar em edições futuras da atração.

Conforme a transmissão avançava, o ritmo dinâmico do Comédia em Pauta misturava quadros estruturados, participações remotas e a torrente inesgotável de mensagens enviadas pela audiência da Causa Operária TV (COTV).

A interação com o público — canalizada por meio de Super Chats e Live Pix — tornou-se um espetáculo à parte. Os telespectadores aproveitaram para testar a paciência e a lucidez do convidado com perguntas inusitadas.

A bancada também foi alvo de brincadeiras do chat: Gabriel Alberti foi comparado jocosamente a outro apresentador do canal, o veterano Henrique Áreas, enquanto o próprio Confuso revisitou o passado ao comentar sua “leitura” nostálgica de revistas Playboy clássicas e sua amizade com figuras da imprensa, como Fernanda Lacerda (a Mendigata).

Em mais uma gincana promovida pela produção, Confuso Sobrinho foi submetido a um teste de lógica: responder a perguntas básicas do cotidiano obrigatoriamente de maneira errada.

Apesar do esforço para errar, o comediante por vezes falhava ao tropeçar na realidade. Enquanto obteve sucesso em distorcer conceitos simples como a capital do Brasil ou os dias da semana, Confuso acabou “escorregando” e dando respostas corretas ao explicar a função de uma geladeira para preservar alimentos ou o miado associado aos gatos, arrancando risos da bancada por sua sinceridade.

O esporte também ocupou espaço central nas digressões do convidado. Instigado pelos apresentadores, Confuso analisou o desempenho da Seleção Brasileira e da Argentina, criticando o excesso de cautela — ou o uso de “preservativos”, em um ato falho — da comissão técnica ao poupar o atacante Neymar na Copa do Mundo.

O debate futebolístico rapidamente se transformou em uma viagem cultural quando o comediante comparou lendas dos gramados como Romário, Zico e Sócrates com astros internacionais e personagens de ficção. Entre discussões sobre quem era melhor (Romário ou Messi), Confuso demonstrou amplo conhecimento sobre o basquete de Space Jam, citando Michael Jordan e ponderando sobre o papel esportivo do Pernalonga.

A conexão remota com Flávio Pascarelli, posicionado no telão de Manaus, gerou um dos blocos mais surreais da tarde. Confuso enveredou por uma explanação detalhada — e geograficamente peculiar — sobre a cadeia alimentar da floresta amazônica, citando onças-pintadas, jacarés, capivaras e até cruzamentos imaginários com leões e crocodilos.

Quando Pascarelli brincou que Manaus não era apenas “um monte de índio e onça”, o clima de comédia seguiu fluido, culminando em convites abertos para o comediante visitar a capital amazonense.

Aproveitando o clima festivo, a bancada abriu espaço para cantar os parabéns e celebrar ao vivo o aniversário de dois integrantes da casa: o fundador do programa, João Pimenta, e o próprio Flávio Pascarelli, marcados por mensagens especiais e super stickers da audiência.

Na reta final da transmissão especial, o programa Comédia em Pauta elevou o nível do absurdo e da descontração, combinando testes visuais inusitados, interações com a audiência e momentos de profunda emoção nostálgica com o universo do humor clássico brasileiro.

Um dos momentos mais divertidos do bloco final foi a gincana em que Confuso Sobrinho precisava olhar para a tela do estúdio e identificar se as pessoas retratadas nas fotos exibidas pela produção possuíam ou não o gogó (a saliência laríngea característica do sexo masculino).

Ao disparar que “mulher não tem gogó”, Confuso considerou que nenhuma das imagens das travestis exibidas na tela tinha gogó. A última foto da série — que exibia uma mulher de fato — foi classificada por ele de maneira definitiva: “essa daí é uma vampira. Pode ter gogó”.

Questionado sobre como lidar com o nervosismo diário pelo público do programa, Confuso Sobrinho ofereceu uma consultoria terapêutica de inegável originalidade:

“Sabe o que você tem que fazer? Toma sempre assim, toma um chá-mate com gelo e tudo mais. Assim você relaxa, acaba assistindo um pouco de TV para não ficar muito nervoso. Tomar um pouco de água com açúcar, você se acalma.”

A interação também rendeu debates sobre calvície, a camada de ozônio, teorias sobre ninjas e até provocações bem-humoradas sobre figuras da política e da Internet, sempre mediadas pela resposta impassível e cômica do convidado.

O comediante reiterou sua integração definitiva com a equipe da Causa Operária TV (COTV), brincando que o estúdio do Reunião de Pauta parecia uma verdadeira extensão de sua casa e lançando um desafio bem-humorado para o futuro: trazer para o programa outras estrelas do Sistema Brasileiro de Televisão, como o apresentador Carlos Massa (Ratinho).

O encerramento do programa fluiu para um tom de reverência à história do humor nacional. Confuso Sobrinho relembrou sua paixão por Mussum, compartilhando com a bancada e o público sua recente visita ao cemitério de Congonhas — onde prestou homenagens no túmulo do ídolo, falecido em 1994, ao lado de outras figuras históricas da cultura brasileira.

Nos minutos finais da sabatina, instigado pelas perguntas cruzadas da bancada e do “oráculo” remotamente posicionado em Manaus, Confuso abriu espaço para falar sobre sua família. Ao ser questionado sobre seus filhos, o comediante disparou:

“Meu preferido, minha preferida é minha bebezinha, Azeitona. Minha bebezinha de dois anos, Azeitona. O nome dela em homenagem é o quê? Ah, homenagem a um alimento mais que eu gosto de comer com pizza, azeitona.”

A árvore genealógica seguiu com a menção a “Reco Reco” — uma referência ao ritmo e à obra do grupo Os Originais do Samba e de seu ídolo supremo, Mussum. Questionado se pensou em batizar um filho com o nome de sua bebida favorita, Confuso ponderou com seriedade sobre a possibilidade de adotar termos como “Mé” ou o clássico “Cacildis”, arrancando gargalhadas gerais da equipe no estúdio da COTV.

O apresentador Pedro Burlamaqui tentou encerrar formalmente os trabalhos, mas foi interrompido pelas insistentes e bem-humoradas cobranças de Confuso para que a produção agendasse logo a visita de novas lendas da televisão brasileira, reiterando os convites para o apresentador Ratinho (Carlos Massa) e o Charles Henrique, também do Roda Solta.

A bancada, por sua vez, celebrou o clima de aconchego gerado no estúdio. O próprio Confuso resumiu a experiência afirmando sentir-se em uma verdadeira reunião familiar, coroando o sucesso de uma aposta editorial que transformou o noticiário diário em um espaço de pura liberdade cômica.

Para fechar com chave de ouro sua participação histórica, Confuso Sobrinho foi convidado a deixar suas palavras finais para os telespectadores da Causa Operária TV (COTV). Fiel ao seu estilo de cruzar referências de diferentes épocas da televisão aberta brasileira, o comediante encerrou com uma homenagem emocionante e totalmente embaralhada:

“Eu sei que vocês sentem falta do nosso amigo do Madruguinha, mas não fiquem tristes não. Estará no coração de todos vocês. Que Deus tenha o Madruguinha descansando em paz com Deus e amém.”

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