Análise Internacional

Rui Costa Pimenta: Trump tenta salvar aparências na guerra

O presidente do PCO afirmou, na Análise Internacional desta quinta-feira (2), que os EUA não atingiram seus objetivos no Irã e que a guerra aprofundou a crise do imperialismo

No programa Análise Internacional, transmitido nesta quinta-feira (2) pelo canal do Diário Causa Operária no YouTube, o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, afirmou que a guerra promovida pelos Estados Unidos e por “Israel” contra o Irã entrou em uma etapa em que a propaganda passou a ter mais peso do que qualquer resultado político ou militar concreto. Segundo ele, o pronunciamento de Donald Trump confirmou que o imperialismo norte-americano não conseguiu alcançar os objetivos que havia colocado para a operação.

De acordo com Pimenta, o governo norte-americano procura apresentar como vitória uma situação que, do ponto de vista militar e político, é um fracasso. Para ele, a capacidade militar iraniana segue de pé, o problema do programa nuclear não foi resolvido e o fechamento do Estreito de Ormuz continua sem solução para os EUA.

“Nós ingressamos já na etapa em que a propaganda está mais importante do que conseguir verdadeiros resultados políticos e militares. As declarações do Trump são ufanistas. Segundo ele, teria vencido a guerra contra o Irã. Agora, a realidade é que nenhum dos objetivos militares e políticos foi atingido. A capacidade militar do Irã não foi neutralizada. O problema da bomba atômica não foi nem sequer tocado. O Irã fechou o Estreito de Ormuz e ele não tem solução para isso. É um fracasso total. Essa é a realidade”, declarou.

Ainda sobre a fala de Trump, Pimenta avaliou que o presidente norte-americano tenta ganhar tempo para sair do conflito sem os resultados anunciados, mas proclamando vitória. Ele chamou atenção para o fato de que, antes do pronunciamento, a própria imprensa capitalista especulava sobre uma possível escalada, inclusive com invasão terrestre, algo que não apareceu de maneira concreta na fala do presidente dos EUA.

Ao mesmo tempo, o dirigente do PCO denunciou que a guerra foi marcada por ataques contra alvos civis e pela destruição de infraestrutura do Irã. Segundo ele, a ofensiva imperialista já soma um mês de crimes de guerra, fato que vem sendo ocultado pela grande imprensa.

“Nós temos um mês de conflito, um mês de crimes de guerra espantosos. A grande imprensa capitalista oculta esse fato de que a guerra é levada adiante através de crimes de guerra, atentados e ataques a alvos civis, à infraestrutura econômica do país, a sítios culturais do Irã. É uma barbaridade, uma típica guerra imperialista, criminosa. Mas, aparentemente, não está com cara de que vai passar do que já aconteceu”, afirmou.

Em outro momento do programa, Pimenta tratou da situação no Estreito de Ormuz e disse que, segundo a posição anunciada pelo governo iraniano, o controle do estreito será mantido. Na avaliação dele, isso indica que o Irã não está disposto a aceitar concessões decisivas em troca de promessas vagas do imperialismo.

Pimenta também afirmou que a crise não deve ser analisada apenas a partir do que os EUA podem fazer diretamente contra o Irã. Segundo ele, o quadro geral do Oriente Próximo mostra a possibilidade de ampliação do teatro de operações, com destaque para o papel do Iêmen, da resistência iraquiana e da própria instabilidade nos países do Golfo.

“A gente precisa ver o quadro geral que se criou ali. O Iêmen tem condições de fechar o Estreito de Babelmândebe. Você ter dois pontos de estrangulamento econômico, como Ormuz e Babelmândebe, poderia levar a economia mundial a uma crise muito profunda. O Iêmen só deu a entender o seguinte: estamos aqui, estamos prontos a entrar no conflito e o trunfo maior é fechar esse estreito. Isso seria um desastre muito grande para o Trump”, declarou.

Ainda segundo ele, o Eixo da Resistência tem condições de ampliar de maneira importante a frente de combate contra o imperialismo norte-americano, o que ajuda a explicar o recuo dos governos europeus. Pimenta observou que, embora todos esses governos sejam hostis ao Irã, eles se afastaram da operação porque enxergam nela uma aventura desastrosa, que isolou Trump e agravou a crise internacional.

Ao responder sobre a posição do imperialismo diante da guerra, Pimenta afirmou que há uma movimentação no sentido de abandonar a ofensiva militar e encontrar uma saída diplomática que permita aos EUA e a seus aliados preservar as aparências. Ele citou, nesse sentido, as iniciativas organizadas por governos europeus para tentar reabrir o Estreito de Ormuz sem recorrer diretamente à ação militar.

Para o dirigente do PCO, isso não significa que o imperialismo esteja diante de um colapso imediato, mas mostra uma debilidade importante. Ele avaliou que Trump cometeu um erro grave ao iniciar uma operação sem condições de impor um domínio efetivo sobre a situação, expondo diante do mundo a fragilidade do imperialismo.

“É um sinal de fraqueza extremamente grande no imperialismo, não tem dúvida nenhuma. Se você vai enfrentar um país que deveria ser dominado por você, tem que ter segurança de que vai controlar a situação, porque senão vai dar uma demonstração de fraqueza, o que só vai piorar as coisas. O Trump calculou mal e deu uma senhora demonstração de fraqueza. Agora, isso não significa que o imperialismo acabou. É um poder extraordinariamente grande. Isso aqui é uma batalha numa luta mundial para destruir o imperialismo. Não é a batalha final. Mas que é um enfraquecimento do imperialismo e que revela a sua fraqueza, não há dúvida nenhuma”, declarou.

Pimenta ressaltou ainda que a perda do controle da navegação no Golfo Pérsico é um golpe de grande importância estratégica para o imperialismo. Segundo ele, a incapacidade de assegurar o domínio de uma das principais rotas marítimas do planeta repercute entre os próprios países clientes dos EUA, que passam a questionar até que ponto podem contar com a proteção norte-americana em choques mais amplos com Rússia, China e Coreia do Norte.

Ao comentar os possíveis efeitos econômicos e sociais da guerra nos países imperialistas, Pimenta afirmou que a Europa atravessa uma situação particularmente delicada. Segundo ele, os regimes políticos europeus estão enfraquecidos e enfrentam uma crise econômica que pode se agravar ainda mais caso a situação energética saia de controle.

“Os países europeus estão numa situação de grande fragilidade econômica. E eles estão ameaçados pelas tendências à mobilização política da sua própria população. Todos os regimes políticos europeus estão em frangalhos. Então eles têm que tomar muito cuidado. Eles não estão em condições de enfrentar essas crises. Se você tiver um descontrole econômico muito profundo, ninguém sabe o que vai acontecer na Inglaterra, na Alemanha, na França”, afirmou.

O presidente do PCO também comentou a aprovação, por “Israel”, de uma lei que permite a pena de morte por enforcamento para palestinos. Segundo ele, a medida é um sinal de desespero do sionismo, que vem perdendo terreno internacionalmente e responde à crise com medidas cada vez mais violentas e com tentativas de censura em vários países.

“Eles estão recorrendo a medidas cada vez mais desesperadas para fazer frente à situação. Estão tentando aprovar essa mesma lei em todos os países do mundo, uma lei na qual você não pode criticar o Estado de Israel. Ou pode criticar, mas uma parcela das críticas você não vai poder fazer. Se existe uma política que não vai dar certo, é essa. O tiro vai sair pela culatra, tanto a política do enforcamento como essa política de censura”, disse.

Sobre a Venezuela, Pimenta rejeitou a hipótese de que o governo Trump tenha conseguido dominar a cúpula chavista. Para ele, uma operação dessa natureza implicaria um golpe de Estado, o que exigiria algum tipo de choque aberto dentro do regime político venezuelano, algo que, segundo afirmou, não se verificou. Na sua avaliação, o interesse central de Trump no país continua sendo o petróleo venezuelano, em meio à crise energética aberta pela guerra no Oriente Próximo.

 

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.