No programa Análise Internacional, transmitido nesta quinta-feira (16) pelo canal do Diário Causa Operária no YouTube, Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), afirmou que o imperialismo enfrenta dificuldades crescentes no confronto com o Irã e tratou ainda da campanha contra a inteligência artificial, da situação na Hungria, do andamento da guerra na Ucrânia e da ofensiva sionista contra os defensores da Palestina no Brasil.
Ao comentar uma reportagem da revista inglesa The Economist sobre os riscos do avanço da inteligência artificial, Pimenta afirmou que a nova tecnologia tende a reduzir a distância entre os países imperialistas e os países oprimidos, o que explicaria a campanha dos monopólios contra sua difusão mais ampla.
“Esse é um exemplo marcante. A inteligência artificial pode eliminar a defasagem que existe entre os países imperialistas, que investem muito em tecnologia, com o dinheiro que eles roubam dos países, como Brasil, por exemplo. Pode acabar com a defasagem entre os países imperialistas e os outros países, países como a Rússia, como a China, como o Irã. Pode nivelar completamente a situação. Eu acho que o que nós estamos vendo aqui é um efeito revolucionário das novas tecnologias.”
Segundo Pimenta, o imperialismo não combate a tecnologia por princípio, mas procura monopolizar seu uso. Nessa mesma avaliação, ele afirmou que a Internet já demonstrou ser um instrumento de grande importância política, sobretudo por ter contribuído para desmontar a propaganda sionista sobre a Palestina.
“O imperialismo tem uma vasta campanha contra a tecnologia. Mas eles, logicamente, não vão deixar de utilizar a tecnologia. A campanha é para evitar que os outros usem a tecnologia. Essa que é a intenção deles. Eu acho que nós temos que ter uma posição absolutamente clara. O progresso tecnológico é progresso, ponto final.”
Ainda sobre esse ponto, ele declarou que a circulação de informações pela Internet teve papel decisivo para expor os crimes do Estado de “Israel” em Gaza. Para Pimenta, a crise da propaganda sionista nos últimos meses está diretamente ligada a esse desenvolvimento.
Na sequência, o dirigente do PCO tratou da derrota de Viktor Orbán na Hungria. Para ele, o resultado eleitoral não deve ser apresentado como uma vitória da “democracia”, mas sim como um triunfo da União Europeia e do imperialismo europeu sobre um governo nacionalista de direita que vinha impondo obstáculos à política do bloco, em especial contra a Rússia.
“Primeiro nós temos que esclarecer o significado político do que aconteceu. É uma vitória da União Europeia, é uma vitória do imperialismo europeu. Foi uma vitória financiada pela União Europeia, pelas ONGs. Então, é inequívoco que isso se trata de uma vitória da União Europeia, do imperialismo. Eu digo isso porque eu vi matérias aí na esquerda brasileira falando que a vitória do Magyar sobre o Orbán é a vitória da democracia. Sob a cobertura da democracia, eles se colocam a favor do candidato do imperialismo.”
Pimenta ponderou, no entanto, que a derrota de Orbán não significa necessariamente o esmagamento definitivo do chamado orbanismo. Ele lembrou que o ex-primeiro-ministro preserva forte presença na sociedade húngara, mantém influência sobre a imprensa e ainda obteve cerca de 40% dos votos. Por isso, avaliou que o novo governo encontrará uma situação instável e longe de estar plenamente consolidada.
Outro ponto importante do programa foi a guerra na Ucrânia. Pimenta afirmou que a Rússia mantém uma política gradual no terreno militar desde que percebeu que o apoio do imperialismo a Quieve seria maior do que o inicialmente previsto. Segundo ele, os ataques ucranianos a alvos russos procuram forçar uma mudança de orientação por parte de Moscou, mas os russos seguem apostando no desgaste prolongado do inimigo.
“Os russos adotaram uma política muito mais gradualista no campo de combate. Eles foram para uma política de ir ocupando as posições gradualmente. Eu acho que eles continuam com a mesma política. Esses ataques contra o petroleiro, ou alguns ataques contra a Rússia diretamente, parece que são uma tentativa de forçar a mão dos russos para uma mudança de política. Agora, não acho que isso aí vai funcionar assim. Os russos têm avançado no terreno militar, vagarosamente, gradualmente, tomando conta de todo o Donbass.”
Nessa discussão, ele também afirmou que as medidas adotadas pela Europa e pelo governo ucraniano, como a perseguição a homens que fogem do serviço militar, mostram um quadro de crescente desagregação. Para Pimenta, esse tipo de iniciativa é sinal de desespero e ajuda a explicar por que a situação ucraniana pode caminhar para um colapso.
Sobre o Oriente Médio, Pimenta comentou o anúncio de Donald Trump sobre um suposto cessar-fogo entre o Líbano e o Estado de “Israel”. Ele declarou que as palavras do presidente norte-americano não podem ser tomadas ao pé da letra e destacou que o Hesbolá, dado por liquidado por amplos setores da imprensa, reapareceu com força no campo de batalha.
“O Trump é um governo meio imprevisível. Você nunca sabe se ele está falando a verdade, se ele está mentindo, se ele está exagerando. O que eu acho é que a situação de ‘Israel’ no Líbano é dramática. O Hesbolá, que toda a imprensa deu como liquidado, reapareceu com uma força enorme, atacou os israelenses de uma maneira bastante dura, infligindo perdas importantes.”
O presidente do PCO também comentou o encerramento, sem acordo, das negociações entre Irã e Estados Unidos em Islamabade. Segundo ele, a própria passagem de Trump da ameaça aberta de guerra para a busca de negociação demonstra que o imperialismo norte-americano entrou em dificuldade no confronto.
“A situação se definiu quando o Trump, depois daquele anúncio de que ele ia varrer do mapa a civilização iraniana, partiu para o acordo. Mostrou que o imperialismo, na realidade, está com a corda no pescoço nesse conflito. Agora eu acho que o Trump está buscando, através das negociações, uma saída honrosa.”
Pimenta acrescentou que a pressão norte-americana para bloquear o Estreito de Ormuz e conter o programa nuclear iraniano revela a falta de uma saída militar efetiva. Na sua avaliação, a própria agressão contra o Irã acelerou um processo de radicalização que se volta contra o imperialismo.
Ao responder às perguntas do público, o dirigente do PCO afirmou ainda que as denúncias trabalhistas contra a BYD podem até envolver irregularidades, mas estão sendo utilizadas como instrumento de pressão contra a China. Disse também que a Turquia mantém uma política de equilíbrio entre o imperialismo, a Rússia e o Irã, e que, diante de uma pressão maior, tende a se aproximar dos russos e iranianos.
Em relação a Cuba, Pimenta declarou que o país pode impor nova derrota ao imperialismo, desde que conte com apoio internacional. Na sua avaliação, Trump deve agir com mais cautela do que agiu contra o Irã, embora continue a exercer forte pressão sobre a América Latina.
Já ao tratar da reunião promovida pelo Itamaraty com representantes sionistas, Pimenta fez uma crítica dura ao governo Lula. Para ele, a iniciativa serve à ofensiva pela censura e pela perseguição aos brasileiros que defendem a Palestina.
“É uma vergonha que o governo Lula esteja aí patrocinando um evento como esse, no momento em que Israel, o sionismo, ataca os palestinos, os sírios, os libaneses, o Irã. É uma vergonha. É quase que um apoio à guerra, um apoio ao genocídio, um apoio aos crimes sionistas. O objetivo desses sionistas, todo mundo sabe qual é. Eles querem amordaçar e perseguir os brasileiros que são a favor da Palestina.”




