Pré-candidato a presidente

Rui Costa Pimenta: ‘eu daria anistia a Bolsonaro’

Líder do PCO afirma que o julgamento do 8 de janeiro foi uma farsa, defende anistia aos presos e sustenta que o bolsonarismo só pode ser derrotado por meio da luta política

Na última semana, o presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO) e pré-candidato à Presidência da República, Rui Costa Pimenta, defendeu a concessão de anistia a Jair Bolsonaro e aos presos do 8 de janeiro. As declarações, que tiveram grande destaque nas redes sociais, foram feitas em entrevista a Leandro Fortes, do canal Galo Preto, e na última edição da Análise Política da Semana, da Causa Operária TV.

Segundo Pimenta, o problema central não é ter ou não divergência com Bolsonaro. Para ele, a questão decisiva é que todo o julgamento foi montado sobre bases falsas, com o objetivo de transformar uma manifestação desorganizada, marcada por vandalismo, em pretexto para uma grande operação judicial contra direitos democráticos. Na entrevista, ele foi direto: “tudo é um julgamento farsa. É um julgamento falso. Então, por que que nós temos que ser coniventes com isso?”.

A posição do dirigente não parte de qualquer apoio ao bolsonarismo. Ao contrário, ele afirmou que Bolsonaro deve ser combatido, mas por meio de uma luta política real, aberta e feita diante da população. O que ele rejeita é a substituição da luta política pela ação de juízes, ministros e tribunais.

“Tudo bem, seja homem. Hoje está meio fora de moda falar isso. Enfrente o Bolsonaro através de uma luta política de verdade. Não fique escondido atrás da toga do Alexandre de Moraes. Não seja covarde, porque isso é covardia política”, declarou.

Essa é a ideia central da sua fala. Para Pimenta, a esquerda errou profundamente ao entregar ao STF a tarefa de liquidar Bolsonaro. Em vez de desmoralizar o bolsonarismo perante o povo, essa política fortaleceu o próprio regime judicial e permitiu que Bolsonaro aparecesse como perseguido. Na avaliação do presidente do PCO, isso ajuda a explicar por que, depois de anos de perseguição, o bolsonarismo continua com força eleitoral.

“Eu não quero ajuda do Alexandre Moraes e de mais a mais eu não acho que colocar o Bolsonaro na cadeia dá certo. O pessoal achava que isso daria muito certo. Mas e agora? (…) E depois de 4 anos de perseguição ao bolsonarismo, o cara aparece em primeiro lugar na pesquisa. O pessoal precisa acordar. Vamos acordar, gente. Não é por aí.”

Ao desenvolver esse raciocínio, Pimenta procurou deslocar a discussão do terreno moral para o terreno político.

“Eu não considero que o bolsonarismo é o pior problema que nós temos. Na minha opinião, o bolsonarismo é um apêndice da burguesia. A burguesia tem que ser derrotada pela mobilização do povo, pela consciência, pela organização do povo. Qualquer outra coisa não vai dar certo.”

Esse ponto é importante porque mostra que a defesa da anistia, neste caso, não aparece como conciliação com Bolsonaro, mas como ataque ao fortalecimento do próprio regime. Para o dirigente do PCO, aceitar a farsa do 8 de janeiro em nome da luta contra a direita significa, na prática, entregar mais poder a um Judiciário que não foi eleito e que atua, segundo ele, em sintonia com os interesses do grande capital. Em outra parte da entrevista, ao comentar o caso do Banco Master, Pimenta afirmou que a imagem vendida durante anos de um STF corajoso e imparcial desmoronou.

“Ficou claro que os donos do STF são os donos do poder do dinheiro. O que qual foi o quadro que pintaram pra gente nesse período todo? Juízes corajosos, imparciais. Tudo mentira.”

Na mesma linha, Pimenta sustentou que é um absurdo deixar as decisões centrais do País nas mãos de 11 pessoas que não passaram por eleição popular e que, na sua avaliação, não são dignas de confiança. A crítica ao STF, portanto, aparece ligado a uma crítica mais ampla ao regime político surgido do golpe de 2016 e aprofundado pela intervenção crescente do Judiciário.

Ao mesmo tempo, Pimenta insistiu que a luta contra Bolsonaro precisa ser feita com base no conteúdo concreto de sua política. Em vez de transformar o ex-presidente em mártir por meio de uma perseguição judicial, seria necessário mostrar ao povo o que ele realmente fez quando governou. Nesse sentido, ele citou a entrega da Base de Alcântara aos Estados Unidos, a privatização da Eletrobrás, a venda de refinarias da Petrobrás e da BR Distribuidora. Para o presidente do PCO, são esses os pontos que revelam o caráter do bolsonarismo e que deveriam estar no centro da agitação política.

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