O dirigente palestino Marwan Barghouti corre risco imediato de vida nas prisões da ocupação sionista, após ter sido agredido três vezes em apenas três semanas, de acordo com informações divulgadas pelo jornal The Guardian. A denúncia foi feita por seu advogado, Ben Marmarelli, que relatou uma sequência de espancamentos, ataques com cão, sangramento prolongado e recusa de atendimento médico.
Segundo Marmarelli, há “um padrão claro de escalada dos abusos: violência, negligência médica e um tratamento que o coloca em risco imediato”. As agressões ocorreram depois de uma visita recente do advogado ao preso palestino.
De acordo com o relato, em 25 de março, guardas entraram na cela de Barghouti, na prisão de Megido, acompanhados de um cão, jogaram o dirigente no chão e deixaram o animal atacá-lo repetidas vezes. No dia seguinte, ele voltou a ser agredido durante sua transferência para a prisão de Ganot.
A terceira agressão, segundo o advogado, aconteceu em 8 de abril, já em Ganot. Nessa ocasião, Barghouti foi espancado por carcereiros e deixado sangrando por mais de duas horas, sem receber atendimento médico, apesar dos pedidos feitos em seguida.
Marmarelli afirmou que, mesmo diante da brutalidade, Barghouti seguia lúcido e atento à situação política. Em sua descrição, o dirigente palestino mantinha a mente “afiada, concentrada e profundamente envolvida com tudo o que acontece fora daquelas paredes da prisão”.
O advogado também denunciou as condições impostas ao encontro mais recente com seu cliente. Segundo ele, os dois ficaram separados por um vidro e sem qualquer sistema telefônico funcionando, o que os obrigou a gritar para conseguir se comunicar. Marmarelli afirmou ainda que as prisões da ocupação mantêm um quadro geral de abandono, incluindo alimentação insuficiente.
Em sua avaliação, a única forma de proteger Barghouti é garantir sua libertação imediata. “Enquanto Marwan estiver mantido em uma prisão do país artificial, não há nenhuma forma de garantir sua segurança”, declarou.
A nova denúncia aumentou a preocupação internacional em torno do caso. No 24º aniversário de sua prisão, personalidades como Cate Blanchett, Bryan Adams e Don Cheadle se somaram à campanha por sua libertação. A mobilização também recebeu apoio de centenas de figuras da cultura e de antigos chefes de governo.
A imagem de Barghouti também apareceu em manifestações realizadas em campos de refugiados de Gaza, enquanto, em Beit Lahm, artistas palestinos marcaram a data com um mural pintado no muro de separação. A campanha ganhou novo impulso depois que imagens públicas do dirigente foram divulgadas no último verão, pela primeira vez em uma década, por Itamar Ben-Gvir, ministro da polícia do país artificial.
Após os relatos sobre os espancamentos, Arab Barghouti, filho do dirigente palestino, afirmou que a família teme por sua vida. Ao agradecer o apoio recebido, ele cobrou uma mobilização internacional mais ampla e lembrou o papel desempenhado por artistas na campanha pela libertação de Nelson Mandela e pelo fim do apartheid na África do Sul.
Marwan Barghouti é um dos nomes mais conhecidos da política palestina e um dos principais dirigentes do Fatá. Preso desde 2002 pela ocupação sionista, ele cumpre cinco penas de prisão perpétua impostas por tribunais do país artificial, sob acusações ligadas à Segunda Intifada, iniciada em 2000. Barghouti rejeita as acusações e não reconhece a autoridade do sistema judicial da ocupação, sustentando sua condição de membro do parlamento palestino.




