O prefeito Ricardo Nunes (MDB) declarou guerra à cultura de São Paulo. Sua gestão corta verbas, demole espaços históricos e sufoca a vida cultural popular da cidade — aquela que os próprios trabalhadores paulistanos ergueram e mantêm. O alvo é a cultura do povo; o objetivo, entregar cada palmo da cidade à especulação imobiliária.
Os números revelam o projeto. Depois de deixar de executar quase um quarto do orçamento de fomento à cultura em 2025, a gestão Nunes cortou 97% da verba prevista para 2026. Não é “ajuste técnico” nem falta de dinheiro, pois a cidade mais rica do país tem recursos de sobra. É uma decisão política: asfixiar a produção cultural que não rende lucro ao capital.
O ataque não se limita ao orçamento. Em março de 2026, a prefeitura demoliu, sem aviso prévio, o Teatro de Contêiner Mungunzá, ocupado havia 10 anos na região da Luz. No mesmo ato caiu a Escola de Capoeira Angola Cruzeiro do Sul, do Mestre Meinha, com mais de 40 anos de trabalho, numa área tombada desde 1995 pelo Condephaat, que sequer foi consultado. Em julho, foi a vez do Samba do Cruz, na zona norte, arrasado após reintegração de posse. A capoeira e o samba que essas casas guardavam não são folclore de vitrine: são cultura viva, forjada pelo povo trabalhador e parte do patrimônio cultural da nação. Destruí-las é destruir aquilo que as classes populares criaram com o próprio esforço.
A gestão ainda tentou privatizar as casas de cultura, equipamentos populares que existem desde a prefeitura de Luiza Erundina. Todos esses ataques obedecem ao mesmo objetivo. O que Nunes chama de “reordenamento urbano” é a entrega da cidade à especulação imobiliária e ao capital privado. Onde havia teatro, capoeira e samba, os patrões enxergam apenas terreno valorizado para leiloar. A cultura dos trabalhadores vira estorvo, removido a marteladas para dar lugar ao lucro.
Contra isso, os trabalhadores não têm por que abrir mão de nada. A classe operária é a herdeira legítima da cultura nacional e a única capaz de defendê-la, hoje ameaçada pela ganância do capital e pelo descaso do Estado. O desmonte já encontra resistência: trabalhadores da cultura ocuparam o centro da capital contra os cortes e as demolições. Essa mobilização precisa crescer e se unir à luta mais ampla da classe trabalhadora paulistana. Defender os espaços culturais do povo é parte do combate ao governo que serve à burguesia e transforma a cidade num balcão de negócios. Ricardo Nunes é um inimigo declarado da cultura paulista.




