COTV

Reunião de Pauta comenta cartinha de saída do PCBR de Jones Manoel — Parte 2

Texto publicado pelo youtuber reflete sua guinada oportunista, abandonando o partido que fundou para ingressar no PSOL

Nesta sexta-feira (10), o programa Reunião de Pauta, da Causa Operária TV, levou ao ar a segunda parte de sua análise sobre a carta de desligamento de Jones Manoel do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Dando sequência ao “react” do dia anterior, os apresentadores Victor Assis e Francisco Weiss mergulharam no restante do documento para expor o que classificaram como as lamúrias de um “popstar” que troca a foice e o martelo pelas verbas e conveniências do PSOL. A transmissão, marcada por um tom ácido e pela participação satírica do perfil Jongs MamuEUA no chat, consolidou a visão da bancada de que o rompimento não passa de uma manobra de carreira travestida de lamento pessoal.

Para situar o público, os apresentadores fizeram uma breve recapitulação do episódio de quinta-feira (9), onde o foco foi a natureza empresarial do rompimento. Na primeira parte da carta, Jones Manoel focou na disputa pelo portal Farol Brasil, alegando que o partido tentava “expropriar” seu projeto de comunicação. A bancada da COTV relembrou como o impostor agiu como um “patrão” preocupado com a folha de pagamento de jornalistas burgueses, como Mauro Lopes, enquanto ignorava a disciplina coletiva. O debate anterior já havia apontado que a justificativa de Jones sobre a necessidade de sustentar sua família com a receita do YouTube era uma “apologia ao carreirismo”.

A análise desta sexta-feira retomou a leitura na página seis da carta, onde o tom de lamento de Jones atinge seu ápice em relação à segurança pessoal. Jones descreve um cotidiano de paranoia, afirmando que gastou um bom dinheiro com câmeras de vigilância e que contratou um motorista particular porque “pegar um Uber hoje pode significar risco de vida”. A reação da bancada foi uma mistura de indignação e deboche, questionando se o partido agora deveria funcionar como uma seguradora de luxo.

O cerne político do novo programa foi a revelação de Jones sobre os bastidores de sua campanha em Pernambuco. No documento, ele admite que a mobilização de artistas, humoristas e figuras do PSOL em seus vídeos não foi algo espontâneo, mas sim fruto de seu próprio trabalho — e bolso. Para os comentaristas, essa é a prova cabal de que Jones está comprando sua própria relevância, utilizando um método que nada deve aos partidos burgueses. A bancada apontou o que chamou de “oportunismo explícito” ao ver que Jones migrou para o PSOL exatamente quando a janela de filiação se fechou, buscando o que ele mesmo chamou de “oportunidade histórica” de ser eleito. Francisco Weiss destacou a ironia de Jones elogiar o programa do PCBR como o “melhor para a revolução” apenas no momento em que está batendo em retirada para uma legenda reformista e financiada por fundações estrangeiras.

O encerramento da carta, onde Jones diz que sua maior contribuição ao partido é “não estar mais nele” para evitar o desgaste com camaradas, foi recebido com gargalhadas pelos apresentadores.

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