O Movimento Nujaba, uma das organizações da resistência iraquiana, denunciou a tentativa de integrar as Unidades de Mobilização Popular (PMU, na sigla em inglês) às instituições de segurança do Estado iraquiano como uma “manobra norte-americana”. A declaração foi feita por Hussein al-Saeedi, vice-presidente do conselho executivo do grupo, durante um encontro tribal em Basra, no sul do Iraque.
“As armas da resistência não estão abertas a negociação”, afirmou Saeedi. Segundo ele, retirar as armas das facções deixa a sociedade iraquiana exposta às ameaças que continuam sobre o país. O dirigente também rejeitou as propostas de fusão entre as PMU, a Polícia Federal e outras forças de segurança.
Para Saeedi, as PMU, a Polícia Federal e as Forças de Resposta Rápida têm força justamente por permanecerem independentes da dominação norte-americana. Ele afirmou ainda que qualquer tentativa de dissolver a identidade política das Unidades de Mobilização Popular é “completamente rejeitada”.
As declarações foram feitas em meio à pressão dos Estados Unidos sobre o novo primeiro-ministro iraquiano, Ali al-Zaidi, escolhido recentemente pelo Marco de Coordenação, maior bloco xiita do Parlamento. Sob pressão norte-americana, Zaidi declarou que o desarmamento de facções xiitas ligadas às PMU, entre elas Nujaba, Asaib Ahl al-Haq, Cataebe Saiid al-Xuhada e Cataebe Hesbolá, será parte de sua plataforma oficial.
O porta-voz do comandante-em-chefe das Forças Armadas iraquianas, Sabah al-Numan, também reafirmou o compromisso do primeiro-ministro com o desarmamento das facções. Segundo ele, a medida “não é um mero lema político, mas uma estratégia de segurança que deve ser implementada”.
O Movimento Nujaba foi fundado em 2013 por Akram al-Kaabi, após uma cisão com o Asaib Ahl al-Haq. O grupo atua sob o guarda-chuva das Unidades de Mobilização Popular, criadas em 2014 para proteger o Iraque do Estado Islâmico e posteriormente incorporadas ao Estado iraquiano. Em 2019, os Estados Unidos classificaram o Nujaba como organização terrorista.
A nova pressão pelo desarmamento ocorre após denúncias de ataques com VANTs lançados a partir do Iraque contra a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, no quadro mais amplo da guerra entre o Irã, de um lado, e os Estados Unidos, “Israel” e seus aliados do Golfo, de outro.
Os Emirados Árabes Unidos afirmaram que seis VANTs lançados do Iraque atingiram o país, incluindo um que teria provocado incêndio em uma usina nuclear. O governo iraquiano afirmou que vai investigar os ataques em cooperação com a Arábia Saudita e os Emirados.
“Qualquer parte considerada responsável pelos ataques enfrentará medidas judiciais e militares”, declarou Numan. Ele também classificou os ataques como “ameaça à segurança nacional do Iraque e violação flagrante de sua soberania”.
Nos últimos dias, VANTs também atingiram alvos na região do Curdistão iraquiano. A região é amplamente apontada como base de operações das forças norte-americanas e dos serviços de inteligência de “Israel”.
A ofensiva contra as PMU ocorreu logo depois de uma rara visita ao Iraque do general norte-americano aposentado David Petraeus, que comandou tropas dos Estados Unidos durante a ocupação do país. Após cinco dias em Bagdá, Petraeus afirmou que dirigentes iraquianos com quem se reuniu “reconheceram a importância de garantir que os Serviços de Segurança iraquianos tenham o monopólio do uso da força no Iraque”.
Petraeus também declarou que deixou o país “encorajado” pelo que ouviu, embora “realista” sobre a relação do Iraque com o Irã.




