Os banqueiros se valeram da greve dos trabalhadores da Caixa Econômica Federal, sempre com o apoio da burocracia, para introduzir na categoria um sistema semelhante ao do banco de horas, uma suposta compensação que seria devida pelos trabalhadores por horas não trabalhadas. Assim, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) estabeleceu que os dias parados (horas não trabalhadas durante a greve) deverão ser repostas até 180 dias.
Como sempre os sindicalistas apresentam que a reposição dos dias de greve como uma “vitória”, que essa mesma “vitória” estaria no fato do reacionário judiciário não ter descontados nos salários e sim repor dos dias de greve.
Primeiramente, demonstram um enorme fé na boa vontade dos banqueiros, que no mundo real (e não na realidade dourada dos sindicatos) vão esfolar a pele da categoria – com já fazer costumeiramente – ainda mais em um período de intensa atividade nos bancos e demais setores como é o fim do ano e em meio a uma violenta crise financeira mundial, que será usada – com 100% de certeza – como pretexto para fazer aumentar a pressão de gerentes e outros prepostos dos banqueiros sobre a categoria pela cumprimento de metas cada vez mais draconianas.
Além disso, a reposição dos dias de greve é uma ilegalidade, um ataque direto ao direito de greve garantido na proporia Constituição Federal. Tal determinação dos prepostos dos banqueiros nos tribunais nada mais é que uma maneira de intimidar os grevistas. Na prática, consideram que os trabalhadores não têm direito de fazer greve. Caso façam, serão punidos severamente. O que na verdade significa é uma gigantesca ofensiva por parte da direita contra os direitos democráticos conquistados pela mobilização dos trabalhadores.
Não é de hoje que as instituições do Estado capitalista têm realizado atentados contra o direito de greve. As medidas judiciais que classificam a “legalidade”da greve, que a julgam como “abusiva”, emitem “interditos probatórios” e determinam uma porcentagem de trabalhadores que devem permanecer trabalhando (na greve da Caixa de 60%) são exemplos disso.
Toda esta ofensiva que virá colocará em questão a necessidade da categoria sair novamente à luta – em um prazo provavelmente curto – uma vez que estarão ameaçados seus empregos e seus salários.
A burocracia que nesse sentido atua com uma política de colaboração desse ataque dos banqueiros e suas instituições e diz que “reivindicou ao Tribunal que, em vez do desconto, fosse autorizada a compensação dos dias parados…” e que “evitando a perda salarial para quem a reposição”. (Site Contraf 29/09/2026)
Ou seja, tenta, malandramente, induzir o trabalhador que a compensação dos dias parados não trará prejuízo financeiro, mas trabalhar 21 dias para os banqueiros de graça não gera um prejuízo no bolso dos trabalhadores, cara pálida!?
A greve mostrou que o problema não é a falta de disposição dos bancários para se mobilizar, nem as condições política (uma vez que a crise cria um clima político favorável à luta dos trabalhadores e em particular à luta contra os banqueiros sanguessugas), mas justamente, principalmente e primeiramente a política de colaboração das direções sindicais (incluindo a tal “oposição” atual que apenas “radicaliza” com a mesma política da maioria da burocracia).





