O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, afirmou, segundo o jornal Folha de São Paulo, que a aliança com o MDB deve se dar apenas nos estados em que for possível, admitindo assim que uma aliança para a campanha presidencial está fora do alcance. A rejeição, contudo, não vem do PT, mas do MDB, partido de Michel Temer.
O PT está se esforçando para atrair um grupo de partidos burgueses de direita, isto é, um setor importante da burguesia, para uma frente ampla. O mote para aliança é o mesmo da eleição passada: “derrotar o fascismo”.
Esforço sem resultado
Porém, o esforço do PT para atrair setores do grande capital não está obtendo sucesso. O partido já se dispõe a apoiar partidos de direita em diversos estados, como no Rio de Janeiro, mas a contrapartida dessa direita não acontece. Outra aposta do PT para a formação da frente, o PSD. O vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth, no entanto, filiou-se à legenda de Baleia Rossi, mostrando o distanciamento do PSD e do MDB de uma frente com o PT.
Até o PSDB
Ante a recusa dos partidos burgueses, o PT leva ao paroxismo a política de aliança com a burguesia. Edinho Silva afirmou que pretende encontrar-se com Aécio Neves, presidente do semimorto PSDB, o partido do golpe de 2016 contra o próprio PT. Esse movimento do PT de buscar acordo com o PSDB mostra a grande farsa da chamada luta contra o fascismo, contra o golpismo, que é a justificativa usada para tal aberração. O PSDB é um dos partidos que mais destruíram a indústria nacional, na famigerada era FHC, milhões de pessoas foram jogadas na mais negra miséria, as privatizações realizadas nesse período deixa qualquer bolsonarista no chinelo.
O PSDB não tentou dar um golpe de Estado, como alegam ter feito o bolsonarismo; ele deu um golpe de estado e jogou o país em uma instabilidade política que gerou o bolsonarismo. Na disputa para ver quem é o pior, o PSDB está na frente do bolsonarismo. O fato de o PT estar buscando o PSDB mostra um alto grau de desespero da campanha Lula 4.
Até mesmo com os aliados encontram-se dificuldades, como é o caso do Rio Grande do Sul e Minas Gerais, onde o PDT quer lançar candidatura própria e o PSB trouxe para sua legenda o candidato de Lula, o ex-presidente do Senado e aliado do governo Bolsonaro, Rodrigo Pacheco.
Duas coisas ficam claras, de um lado a burguesia se afasta da candidatura Lula, que mostra uma tendência da burguesia de se unificar contra a Lula e, de outro, que o PT não considera viável governar sem o apoio de um bloco considerável da classe dominante. O apoio das massas não é suficiente na visão do partido e vai ficando cada vez mais distante.





