Quatro ativistas ligados ao Palestine Action recorreram das penas recebidas pela participação em uma ação contra uma instalação da fabricante israelense de armamentos Elbit Systems, em Filton, nas proximidades de Bristol, no Reino Unido.
Charlotte Head, Samuel Corner, Leona Kamio e Fatema Zainab Rajwani foram condenados por danos materiais considerados pela Justiça britânica como tendo “conexão terrorista”. A ação ocorreu em agosto de 2024.
Segundo a defesa, foi a primeira vez que danos a propriedade receberam esse enquadramento em um tribunal britânico.
Head e Kamio foram condenadas a cinco anos de prisão. Rajwani recebeu pena de quatro anos e oito meses. Corner foi condenado a sete anos e oito meses, incluindo uma condenação por lesão corporal grave sem intenção relacionada a um policial atingido durante a ação.
Os advogados sustentam que as penas foram excessivas e que houve violações de direitos garantidos pela Convenção Europeia de Direitos Humanos.
Há ainda um aspecto importante: quando ocorreu a ação contra a Elbit, o Palestine Action não estava proibido pela legislação antiterrorismo britânica. A organização seria colocada posteriormente na lista de grupos classificados pelo governo como “terroristas”.
O alvo dos ativistas era uma empresa diretamente ligada à indústria militar israelense. A Elbit produz drones, sistemas eletrônicos e outros equipamentos utilizados pelas forças armadas de “Israel”.
O Palestine Action tornou-se conhecido por ações diretas contra instalações e empresas vinculadas à produção de armamentos israelenses no Reino Unido.
O Estado britânico, porém, utiliza contra esses militantes uma legislação criada sob o pretexto de combater o terrorismo.
A repressão avançou ainda mais depois da proibição da organização. Mais de 2.700 pessoas foram presas durante manifestações contra a medida, segundo os dados citados pela reportagem.
O tratamento dispensado aos ativistas mostra o compromisso do governo britânico com a proteção dos interesses israelenses dentro do próprio país. Uma ação contra uma empresa de armamentos terminou em penas de vários anos e na aplicação de instrumentos jurídicos associados ao combate ao terrorismo.
A punição prossegue mesmo após o término das penas. Segundo apoiadores dos condenados, eles estarão submetidos por 15 anos a obrigações especiais de comunicação às autoridades, envolvendo informações sobre endereços, viagens, contas bancárias, aparelhos eletrônicos e outros dados pessoais.
Charlotte Head afirmou, em carta enviada da prisão, considerar sua condenação politicamente motivada. A defesa ainda aguarda a definição da data para o julgamento dos recursos.
Enquanto empresas de armamentos israelenses continuam funcionando no Reino Unido, aqueles que procuram impedir suas atividades enfrentam cadeia, vigilância prolongada e legislação antiterrorista.
O caso faz parte de uma repressão crescente contra a oposição ao apoio britânico a “Israel”.





