Palestina ocupada

Reféns de ‘Israel’, Thiago Ávila e Saif Abukeshek são soltos

Ativistas da Flotilha Global Sumud serão mantidos presos até a deportação; Adalah denunciou tortura, isolamento e abusos psicológicos

A organização jurídica palestina Adalah anunciou, neste sábado (9), que Thiago Ávila e Saif Abukeshek serão libertados da detenção de “Israel”. Os dois ativistas haviam sido sequestrados pela Marinha sionista em 30 de abril, durante a interceptação da Flotilha Global Sumud em águas internacionais.

Segundo comunicado da Adalah, a agência de inteligência de “Israel” informou que Ávila e Abukeshek serão entregues ainda neste sábado às autoridades de imigração israelenses. Apesar da libertação da prisão, ambos continuarão sob custódia até a deportação.

A decisão antecipa a soltura dos ativistas. Na terça-feira (5), o Tribunal de Bersebá havia determinado que os dois permaneceriam presos pelo menos até domingo (10), para permitir a continuidade dos interrogatórios. Na quarta-feira (6), o Tribunal Distrital de Bersebá rejeitou o recurso apresentado pela defesa contra a manutenção das prisões.

A detenção começou na madrugada de 30 de abril, quando a Flotilha Global Sumud foi interceptada pela Marinha de “Israel” em águas internacionais, a cerca de 100 milhas da costa da Grécia. Cerca de 170 ativistas foram detidos após o Exército sionista abordar parte das embarcações da flotilha, que seguia com uma missão civil de solidariedade à Palestina.

Ávila e Abukeshek foram levados ao centro de detenção de Xikma, em Asquelão. As autoridades de “Israel” acusaram os dois de supostos crimes de terrorismo. O Ministério das Relações Exteriores de “Israel” alegou que integrantes da flotilha teriam vínculos com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior, entidade sancionada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sob a acusação de atuar em apoio ao Hamas.

Os ativistas negam qualquer relação com a organização.

A Adalah afirmou que os interrogatórios contra Thiago Ávila e Saif Abukeshek terminaram após os dois serem mantidos em isolamento total, “sob condições punitivas e submetidos a maus-tratos e tortura, apesar de sua missão ser inteiramente civil”.

A organização denunciou ainda “maus-tratos” e “abusos psicológicos” contra os detidos. Entre as práticas citadas estão interrogatórios de oito horas, iluminação intensa nas celas durante 24 horas por dia, isolamento total e deslocamentos com os olhos vendados, inclusive durante exames médicos.

Em imagens exibidas por emissoras internacionais, Ávila e Abukeshek apareceram diante do tribunal israelense com marcas visíveis de violência. Desde o sequestro, os dois entraram em greve de fome. A Adalah informou que, em 5 de maio, Abukeshek também se recusou a beber água, em protesto contra o tratamento imposto por “Israel”.

Na Espanha, o ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou que o governo trabalhava para que Saif Abukeshek, ativista hispano-palestino, retornasse ao país com sua família “o mais rapidamente possível”. O ministro classificou a notícia como “um momento de grande felicidade”.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU também cobrou a libertação dos dois ativistas. O órgão declarou que “não é crime demonstrar solidariedade à Palestina” e reiterou a necessidade de libertar Ávila e Abukeshek sem demora.

A Flotilha Global Sumud comemorou a notícia da libertação e denunciou novamente o caráter ilegal da prisão.

“Comemoramos a notícia de que Saif Abukeshek e Thiago Ávila serão libertados do cativeiro ilegal imposto pelo regime israelense na Palestina ocupada. O mundo se levantou mais uma vez contra essa situação flagrantemente ilegal, gerando pressão pública, política e diplomática para exigir a libertação deles”, escreveu o grupo.

Thiago Ávila já havia sido feito refém por “Israel” no ano passado, quando viajava no barco Madleen ao lado de ativistas de França, Alemanha, Turquia, Suécia, Espanha e Países Baixos. Na ocasião, ele permaneceu preso por três dias após se recusar a assinar documentos de deportação.

Em outubro do ano passado, militares de “Israel” também abordaram uma flotilha da organização e prenderam mais de 450 participantes, entre eles a ativista sueca Greta Thunberg.

Durante o período em que Thiago Ávila permaneceu preso em “Israel”, sua mãe morreu.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.