Vladimir Putin acusou as potências ocidentais de usar dívidas, sanções e guerras tarifárias para limitar as decisões dos países africanos. O presidente russo falou nesta quarta-feira (28), em Moscou, durante o fórum Rússia–África. Defendeu que o aumento do peso econômico e político do continente seja acompanhado de maior participação africana nas decisões internacionais.
O problema da dívida ocupou parte de sua intervenção. Governos que precisam financiar estradas, energia e produção agrícola recebem empréstimos sujeitos a condições que podem consumir recursos destinados a essas mesmas necessidades. Putin afirmou que os países africanos devem controlar suas riquezas e decidir onde investi-las. A crítica foi dirigida às antigas potências coloniais e às instituições financeiras dominadas por elas.
A Rússia apresentou também seus interesses e propostas. Segundo os números citados por Putin, o comércio com países africanos passou de 18 bilhões de dólares em 2022 para mais de 27 bilhões no ano passado. Moscou pretende ampliar as trocas, facilitar pagamentos em moedas nacionais e participar de projetos de energia. Autoridades russas discutem ainda um centro logístico na costa oriental da África, ligado às rotas de transporte entre os dois lados. Os valores e projeções são os apresentados pelo governo russo no fórum.
Putin afirmou que a Rússia enviou 13 milhões de toneladas de produtos agrícolas à África nos primeiros nove meses do ano. Também declarou que empresas russas participam de mais de 30 projetos de energia em 16 países. O fornecimento de grãos e a instalação de usinas podem atender a necessidades imediatas, mas a questão decisiva é permitir que os próprios países africanos ampliem sua produção e sua capacidade de decidir sobre ela.
A presença de delegações de dezenas de países em Moscou mostra que as pressões para isolar a Rússia não eliminaram o interesse nesses acordos. Sanções impostas de fora não dão às populações africanas mais controle sobre suas terras, minas, bancos ou indústrias. Esse controle dependerá da força dos próprios povos africanos e dos resultados concretos dos projetos negociados em seu nome.




